domingo, 21 de dezembro de 2008

BeiraMar

Falta pouco para as nove horas da noite, e depois de tomar um banho bem quente e relaxante, bastou eu dar uma espiada porta à fora para me deparar com o horizonte sem fim.
Após um ano sem colocar os pés na areia de uma praia, tendo que me contentar com piscinas de azulejos e campos gramados, o cérebro quase demora para processar a visão do paraíso.
Dias de estresse e um pouco desanimados erroneamente, foram oficialmente passados para trás, quando num ponto alto da estrada eu pude avistar aquele mar esverdeado, estonteamente convidativo chamando pelo meu nome.
É incrível como na praia o vento bate - obviamente - diferente, como o cheiro é diferente e como o céu é mais amplo, abrindo um enorme espaço para o sol.
Não hesitei em vestir meu biquíni, e sem carregar nada além de minhas energias e meus cabelos desgrenhados, corri em direção ao mar. Antes, sentindo meus dedos dos pés afundarem livremente na areia fina e branca.
Aah... O mar! Eu mal podia acreditar que estava boiando naquela água limpa, entre ondas quentes e frias, enquanto observava o céu limpo e os raios de sol pairando sob as árvores, faiscando nas pedras grandes e cheias de musgo.
Foi quase como lavar a alma numa primeira ida ao mar. Ou como a realização de um desejo no dia de aniversário. As circunstâncias simplesmente não podem aceitar, nem permitir a falta de bem-estar. Até porque, esse tipo de ambiante não conhece tal expressão negativa...
Uma caminhada de seis quilômetros pela areia firme e molhada fizeram com que eu sentisse o aconchego penetrar a cada vez que meus calcanhares sofriam impacto. E nem mesmo quando meus poros estavam todos arrepiados com a brisa gélida do mar, eu pude desviar meu olhos do encontro entre o céu e o mar - que apesar de unidos, contrastam em cores gritantes.
O sol ainda teimava em queimar, esquanto o céu tomava colorações diversas a cada segundo, anunciando que o sol preguiçosamente começaria a se pôr.
E num horário em que São Paulo está mergulhado no escuro e no caos, Bombinhas (SC) revela um céu lusco-fusco onde pode-se distinguir a linha perfeitamente reta do horizonte.
O relógio já marca pouco mais de onze horas da noite, e ao espiar pelas persianas posso ver as ondas escuras avançarem a areia, revelando bordas brancas de espuma salgada.
Agora, só me resta encostar minha cabeça no travesseiro sentindo de leve a brisa noturna penetrar pela janela, e dormir... Embalada pelo som calmo, tranquilizante e, ao mesmo tempo incessante, das ondas quebrando de leve. Indo e vindo pela praia.





quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Sticky and Sweet

Quando os (mais de) cem dias finalmente transformaram-se no dia 18 de Dezembro, eu quase (QUASE) estava enjoada de ouvir falarem tanto em todos os lugares sobre seus shows no Brasil.
E qualquer esforço a mais passou a fazer parte da diversão. Calor, sol, fome, sede, e até mesmo as 12h sem ir ao banheiro, tudo passou tão banalmente rápido que eu não acredito que tenha sido um esforço heróico.
E enquanto todos reclamavam pela demora e torciam para que ela subisse logo ao palco, eu quase pedia para que demorasse mais. Afinal, não conseguia acreditar que tudo aquilo estava realmente acontecendo, e eu precisava de algum mecanismo que fizesse o tempo passar mais devagar.
Dois pingos caíram do céu, e já foi o suficiente para o estádio do Morumbi inteiro tirar capas de chuva das mochilas, e vestí-las quase com sincronia. Mas, nem isso serviu para eu me lembrar que em alguma parte do meu corpo existia uma sensação chamada cansaço.
E quando o dia começou a virar noite, as luzes se acenderam e as caixas de som começaram a zumbir com uma música que o Brasil esperava ouvir, não pude sentir outra coisa a não ser arrepios. E quando lá longe eu pude vê-la, sentada em seu trono de rainha, vestida de preto e nos convidando para entrar em sua loja de doces, tudo virou um turbilhão de felicidade e de realização. E invonluntariamente lágrimas de alegria corriam sem pudor. E continuaram a correr, durante pelo menos as três músicas que seguiram.
A cada jogo de luzes, efeitos especiais, coreografias, figurinos e qualquer outro acontecimento inédito meus olhos brilhavam, e quando eu pudia voltar para a realidade meu queixo ameaçava cair. E eu mal podia acreditar que tudo aquilo estava realmente acontecendo, que meus olhos estavam captando todas aquelas informações e que meu cérebro as processava.
Ali na arquibancada eu estava realmente perto do céu, que apesar de nublado estava colorido por tons de roxo e rosa, num pôr-do-sol lusco-fusco que só faltou ser salpicado com brilhos. Com a brisa geladinha da noite, a música ecoava em meus ouvidos e meu corpo dançava, explodindo de alegria, num ritmo livre.
As, aproximadamente, duas horas de show foram inacreditáveis e inesquecíveis. Tudo o que dizem sobre sua carreira, sobre seus cinquenta anos, sobre sua influência no mundo, sua música, e sua capacidade de ser camaleoa e ser sempre diva são mais do que merecidas para que ela seja a Rainha do Pop.
Sem dúvidas sempre vou me lembrar de cada segundo de euforia pela qual passei nesse dia, e não vou deixar de contar para os meus netos que sim, eu vi a Madonna.









quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Are you ready to go?

Alguém aqui consegue me fazer entender como é que uma contagem de mais de cem dias foi reduzida à vespera, num piscar de olhos?
Depois de onze (eu disse, onze) horas numa fila que dava curvas, voltas, piruetas, e inclusive atravessava a rua eu consegui garantir meu lugarzinho no show da cantora mais famosa do mundo. Iniciei minha contagem ansiosa para o dia 18 de dezembro de 2008. E ooooops, é AMANHÃ.
Chega a ser pecado eu admitir que estou menos empolgada que em outros dias, mas deve ser um processo normal de quase depressão pós-show.
Preciso recarregar minhas energias, preparar meus pés, pernas, cabeça, e ah, o corpo inteiro. Porque amanhã definitivamente será um dia memorável.
Contarei aos meus netos, e a quem quiser ouvir: Eu vi a Madonna.
"Tic tac, tic tac...The time is waiting"

Reunião III

Tudo bem. Eu sempre tive que ser paciente, tento que (quase) não sofro mais de angústia. Esse não chega a ser um "tudo bem" incrivelmente conformado, mas pelo menos não é um "tudo bem" iludido demais.
Ler tudo aquilo que eu já sei, não soa como repetição. É confirmação e alívio. Não me importa mais se falei mais do que deveria, ou menos, ou de um jeito errado...
Nunca precisarei ser o que não sou para chamar a atenção de quem quer que seja, e o principal: nunca precisarei ser estúpida (em vários sentidos) para conseguir o que eu quero.
Encerro minha participação nas reuniões como olheira, afinal, meus planos agora são os de aproveitar cada segundo em que meus pés tocarão a areia da praia, com a mente livre e orgulhosa de tudo o que consegui realizar e mudar em tão pouco tempo.
Os pinos no tabuleiro estão todos dispostos aos mesmos desafios, estão todos no mesmo barco - ou tabuleiro. Agora que o meu peão entrou em recesso - não na cadeia, e sim no paraíso - ficará sem jogar por algumas semanas, mas continuará sólido e otimista. Ainda há muito para jogar, e para vencer.
Veeeem 2009, veem!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Gira-gira

Por mais que permanecer por muitos minutos em cima de um gira-gira, possa me ocasionar náuseas, devo dizer que é impressionante a sensação de ver os planos de fundo mudarem a cada fração de segundo.
É assustadora a velocidade como o mundo gira incansavelmente. Se girasse mais que isso, correríamos o risco de cair apesar da gravidade.
Tudo isso só me leva a crer que sofrer antecipadamente e pronunciar a palavra "nunca", é pura burrice. Só me resta aproveitar esse clima de fim de ano, onde as pessoas perdem seu tempo fazendo promessas e resoluções para abrir meus olhos pra vida. Vida, vi-da. E viver.
E que o mundo gire mais e mais, gire loucamente, intensamente e freneticamente. Porque eu tenho SEDE de viver cada uma das voltas em círculos que ainda estão por vir.

Reunião I

Entre milhões de risadas e mais fantasia do que ações propriamente ditas, iniciou-se a primeira reunião pós filosofia "Viva Las Vegas". Não há nada que possa ter mais cara de uma madrugada de férias em plena segunda-feira.
É como entrar numa loja de departamentos, e antes de escolher os objetos de decoração, ficar papeando com as comadres sobre qual seria a melhor peça para a cor da sala de estar.
Mas talvez seja um pouco mais complicado que isso. Afinal, objetos de decoração não costumam ter temperamentos instáveis e muito menos orgulho. Mas, principalmente, compradoras de objetos de decoração não costumam serem afetadas diretamente com esse tipo de reação.
Comprar objetos de decoração e seguir à risca táticas da reunião podem ser atividades que cansam e desgastam, mas nada como ter os objetivos iniciais completos e alcançados...

Stand By Me

Não dá nem pra acreditar. Finalmente o trauma do Workbook chegou ao fim. Apesar de todo o alívio de imaginar minhas terças e quintas-feiras livres, já posso perceber que sentirei muita falta.
Depois de cinco anos sofrendo o trauma de não poder dormir após o almoço, e o de contar minuciosamente as faltas anuais, no começo será estranho. Será como ter um buraco nesses dois dias da semana.
Não que eles não possam ser preenchidos com cochilos breves, seriados, e qualquer outra atividade convencional. Preencher duas tardes livres, não será meu problema. Será difícil me acostumar com a idéia de não compartilhar as aulas com as (desde esse ano) sete melhores companhias.
Melhores na hora de compartilhar o fim de semana, as fofocas, os problemas com a escola, os doces, as bolachas recheadas, e até mesmo as poucas lições que a gente fazia. Sem contar as respostas nas provas.
Irei sentir saudades, irei levar sempre vocês comigo. Stand By me.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Talvez eu devesse seguir os conselhos da minha mãe de dormir cedo pra descansar, ou os do meu pai para dormir cedo e aproveitar o dia. Afinal, com algumas excessões especiais, ficar acordada até tarde não tem me causado boas impressões, nem criado boas idéias. A negatividade tá poderosa! Pra notar isso, basta perceber o momento onde tudo o que eu escrevo fica recheado de expressões duvidosas e contraditórias.
Só pode ser o sono, não é possível! Claro, eu reconheço que pela milésima vez eu sonho mais do que deveria - essa frase poderia virar post fixo, mas tudo saiu perfeitamente nos conformes nesses últimos dias.
Eu só não consigo entender como é que meu psicológico consegue ser tão idiota assim. Pensei que psicológicos fossem inteligentes, e quem sabe racionais. Mas eu só posso crer que o meu é puramente sentimental.
Preciso negar até a morte, preciso negar até a morte. OK, eu sabia que isso ia acontecer.
E agora, José?

sábado, 13 de dezembro de 2008

Vinyl

Eu sonho mais do que deveria, está quase cientificamente comprovado. É por isso que vivo me frustrando sozinha e pensando que nada que está por vir será tão êxtasiante como aquilo que eu havia planejado em silêncio. Mas não é à toa que me falte expectativa quando todas as anteriores já haviam sido quebradas e substituídas por discursos corriqueiros sobre anos atrás e anos a frente.
Quem sabe repitir frases positivas e frenéticas colabore para que meu sono vá embora, junto com esse pseudo-desânimo. CREEEDO! Quem é que estava reclamando ontem por sentir uma louca vontade de vestir saltos? Tsc, tsc, tsc...
Vista-se para matar, mesmo que não mate. E pare de sentir e achar que fins de semana dignos de serem recordados precisem de companhias melhores do que aquelas que você imagina.
Ouviu, B?

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Mocha

Algumas explosões vêm para o bem. E trazem certo tipo de calmaria e silêncio após toda a confusão.
Esss dias foram todos tão idênticos que às vezes me confundo quando é que cada detalhe aconteceu, fico com a impressão de que esses cinco dias poderiam ser todos um só, com algumas horas a mais de duração. Ou até quem sabe somente com vinte e quatro horas mesmo... Afinal, teria dado tempo de sobra para que as coisas importantes da semana toda acontecessem.
É extremamente insatisfeito da minha parte reclamar de "barriga cheia", mas o que é que eu posso fazer quando sempre queremos mais? Vestir roupas semi-novas, aplicar maquiagem e pentear os cabelos não está sendo o suficiente quando o que eu gostaria é de estar vestindo saltos, quem sabe pronta para matar.
Sempre fico nostálgica, desesperada, e certo ponto desanimada nessa época do ano. É como se eu tivesse que fazer tudo correndo antes que o ano acabasse, como se o fato de eu ir viajar fosse determinante para que tudo que eu deixei para trás pegasse fogo, no bom sentido.
Mas, tá tudo bem. Tomar café gelado, falar das novas táticas, encontrar munícipes e dar umas risadas é sempre revigorante e válido, mesmo quando os planos foram bem mais sonhadores, maiores e ambiciosos que isso.
O pior ou melhor disso tudo é que eu não perco as esperanças. Além de ter dois dias do fim de semana pela frente, ainda tenho um ano inteirinho me esperando voltar de viagem...

Bipolar II

Se as mudanças não condizem, se as lágrimas confirmam, se racionalidade e o sentimentalismo assinam embaixo só posso crer que devo me ser cada dia com mais intesidade.
Tudo o que prometo volta contra mim pelo simples fato: o de que tentar não me ser não passa de uma traição ao que sempre fui, e até mesmo ao que gostaria de ser.
Bem ou mal, certas coisas nunca mudam. Se assim fui até hoje, possivelmente continuarei a ser.
Dormir. É sempre o melhor remédio.

Bipolar

Aquela porção toda de certezas, afirmações, lições e confiança sempre voltam com todo o peso das verdades quando são jogadas para o alto com entusiasmo. Nem todos os dias conseguem ser otimistas e felizes durante todo o tempo.
Principalmente quando tudo parece estar errado, e essas novas resoluções "sou uma pessoa nova" só apresentam características de uma máscara mal farçada para tampar com a peneira tudo que está errado.
Minhas baterias ficam cada vez mais gastas e fracas onde, segundo dizem, elas são recarregadas depois de um dia cansativo. E as baterias estão cada vez mais viciadas em decair, quando o que me cerca são vidas em precipício. Sem apresentar muitas chances de volta.
Aliás, mal sei onde se encontram as possibilidades de melhorias. Talvez elas realmente não existam e seja uma possibilidade de otimismo puro eu acreditar nelas. Nunca soube qual seria a solução para essa chuva de meteoros, a não ser a construção de barreiras.
Barreiras em todos os sentidos que você possa imaginar. Barreiras que custam dinheiro vivo, barreiras que destroem uma casa propriamente dita, barreiras que destroem uma casa propriamente não dita, barreiras que doem, barreiras que deixam marcas, barreiras.
Acima de todas as centenas de palavras que eu (talvez) desperdicei para tentar provar a mim mesma que sou uma pessoa nova, ainda há muito da "velha eu" aqui dentro. Os principais pontos que deveriam ter mudado permanecem intactos. O sentimentalismo mais que exagerado, a facilidade em me abalar com coisas idiotas, a vulnerabilidade assustadora, a falta acentuadíssima de orgulho, a quase obsessão, a falta de desapego, o ciúme, a preocupação com o que passa na cabeça de quem me assiste, e a preocupação em me lembrar de não ser nada disso.
Continuo sendo uma idiota que não sabe, e não parece que pode se adaptar, a jogos, frases feitas... E principalmente que não pára de se auto-iludir ao sonhar demais.
Não sei se é errado sonhar demais... Talvez não seja. O problema são as pessoas, sempre erradas, que eu crio fantasias ao redor. Nunca soube escolher decentemente os personagens das histórias que eu narro para mim mesma durante todos os momentos do dia em que estou sozinha. E essa parte é inteiramente verídica, sem figuras de linguagem.
Mas não pode ser possível que eu seja a única a cair nesse tipo de trapaça do dia-a-dia. Eu sinto e sei que todos são completamente (quase) opostos do que aparantam ser. Quando não estão em casa, não precisam estar necessariamente se divertindo... Podem estar fazendo obrigações domésticas, como podem estar reclamando pro teto sobre a discussão com os pais. Não sou só eu que possuo conflitos comigo mesma, com a vida e com a sociedade.
Não sei se seria certo eu jogar tudo para o alto - ou para baixo, na tentativa de impedir o retorno impulsionado na direção da minha cabeça -, e fazer todas as vontades puras e pequenas que eu sinto. Falar o que quero, fazer o que devo, e agir como sou. Seria errado eu ser e viver desse jeito? As consequências poderiam ser tão significantes ao ponto de eu me transformar no que sempre temi?
Não sei.
Se soubesse não teria torrado, ou melhor, chorado lágrimas perdidas por motivos inteiramente banais. Confesso, boa parte delas foram destinadas a motivos não-banais. TUDO BEM, confesso. Todas elas foram destinadas a motivos completamente, irremediavelmente, incrivelmente, inteiramente não-banais. Afinal, se não o fossem estaria chorando por que?
Dormir. É sempre o melhor remédio.

Sorte de hoje: Se o destino diz que você é um perdedor, pregue uma boa peça nele.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Good People

Conhece aquela história de que os exercícios físicos proporcionam prazer? É inteiramente estranho e contraditório eu assinar em baixo, mas caminhar entre as árvores não pode me levar a outro tipo de conclusão. A dor nos pés, a sensação de formigamento nos dedos e as panturrilhas em chamas perdem força para o bem-estar que é estar entre árvores altas, com raízes grossas e folhas verdes. Trilhada por boas músicas os pensamentos voam longe, e são em grande parte felizes. Chego até a esquecer como está abafado e como o céu está cinza, afinal ainda existem raios de sol às cinco da tarde.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Branco

Pra jogar War eu recebi os pinos brancos por, segundo disseram, serem da cor da yoga. Branco me lembra mais que isso pois me lembra, inclusive, o quão paciente, detalhista e simpática eu preciso ser. Três palavras brancas.
Uma caixa com pinos e pecinhas estranhas aliados a alguns dados, agora só preciso que o tabuleiro com as cartas desafiadoras sejam postos na mesa. Porém, antes mesmo do jogo começar já possuo minha carta com o objetivo. E desta vez a missão é bem mais simples do que derrotar o exército vermelho ou conquistar o Oriente Médio em sua totalidade.
Meu empenho depende da minha manipulação dos peões, mas não é independente da sorte com os dados. E pra essa parte eu sou otimista, até porque nesse jogo todos estão prontos para as marés de azar e principalmente prontos para se divertirem.
Confesso que jogar quando não se tem vontade é sempre uma tarefa pesarosa, mas minhas tardes quentes de férias não me trazem idéias melhores para ocupá-las a não ser aprimorar minhas táticas de blefe. Não passam de frases e atos iniciantes, até porque como já citei à ventura não pretendo me arriscar em jogos profissionais. É muito mais divertido e proveitoso quando se pode jogar no anonimato tendo o mesmo desempenho ao fim do jogo.
Levar o mérito não é a grande graça. Não por princípios que dizem que "o importante é competir"... Algumas vezes, confesso, adoto esse tipo de discurso consolador. Mas, pretendo chegar ao fim de meus objetivos e atingir a última casa do tabuleiro - se ela existir -, pronta para a nova rodada onde os desafiadores não sejam sempre repetições.
Assim, poderei usar como experiência e tática (além de outros benefícios ao ego) todas as jogadas onde eu consegui provar para mim mesma que sim, dá pra ser inteligente e perspicaz.
Alguns jogos arcaicos e primitivos onde eu sou obrigada a manter meu peão firme e forte, não são os melhores passatempos. E costumam destruir todos os bons pensamentos em relação a todo outro tipo de vida do lado de fora. Já fui mais paciente e compreensiva, mas nos dias atuais qualquer ato infrator em relação às regras do jogo que você utiliza para avançar casas me derrubam. E me fazem perceber que em alguns jogos as regras são manipuladas para que sempre haja o mesmo vencedor. Mas o que me fere e abala a estabilidade do meu peão com mais intensidade, é a maneira como você descarta e rouba cartas favoráveis para eliminar jogadores.
Preciso ser o pino branco, para tentar manter o equilíbrio e o tabuleiro sob controle.

Pimenta

Gabriella diz:
menina! que que você tomou?
Gabriella diz:
alguma poção?
Gabriella diz:
UAHSUAHSUAHSUAHSU
B. You Know I'm No Good diz:
ACHO QUE SIIIIIIM *-*


Algumas situações oportunas precisam ser aproveitadas. E eu preciso aprender a fazer rendê-las.
Mas, principalmente preciso voltar ao ponto onde preciso aprender a lembrar a não me preocupar demais com algumas circunstâncias, e todo aquele tipo de contradição que o sono me impede de digitar...
Às vezes é mel ao invés de pimenta, ou pimenta ao invés de mel.

domingo, 7 de dezembro de 2008

KiwiSuper

Domingo é domingo. Até mesmo os de férias tem cara de domingo, mas o que muda é que não sinto aquele terror pela segunda-feira... E olha, já é uma mudança enorme.
Estou um tanto quanto empenhada em algumas tarefas de férias. Tudo se resume em compras de novos artigos de decoração... Mas somente olhar a vitrine tem se tornado uma tarefa massante. E aos fins de semana, ainda mais em época de natal, as lojas tornaram-se lotadas. Fica complicado querer analisar cada peça com cuidado, cada quadro com atenção enquanto milhões de pessoas transitam na sua frente.
O único inconveniente de se aventurar a fazer compras é querer comprar o que você sabe que não precisa, e principalmente, o que não presta. Quadros que custam um preço consideravalmente alto, mas que não são de procedência tão fina e confiável...
Mas, não há quem não concorde que são os mais atrativos na hora de passar pelo caixa! É chato comprar artigos sérios, e que combinam com todas as tendências da moda. Por mais que o preço compense pela durabilidade, enjoa.
Mas, as lojas não ficam abertas de domingo até tarde... Afinal, domingo é domingo.

Maçã de biscoito

Eu sabia que não era frieza, era realidade. Quanto menos contato, melhor.
Até mesmo quando tá tudo girando em baixo dos meus pés a sensação era a mesma. Talvez, principalmente. Afinal mal pude sentir falta e cheguei a me esquecer de sua presença.
A instabilidade é desconfortável e me deixa inteiramente inquieta e temperamental. Mas quando funciona, ah, funciona. Viciei em fins de semana. Agora preciso que todos sejam incríveis. Principalmente com maçã de biscoito e sorvete de banana.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Tarja Preta

Nada pior que descobrir na sexta-feira que seu fim de semana está aparentemente arruinado. Ok, tudo bem. Eu disse que havia tomado uma postura otimista, agora tenho mais é que assumi-la principalmente nas situações em que tudo indica que não será muito possível.
Preciso lembrar de não me concentrar em temer por problemas futuros. Ou melhor, talvez seria melhor não lembrar em não me concentrar em ter problemas futuros. Ou talvez para isso seja melhor eu lembrar em não lembrar de precisar lembrar de não me concentrar em temer por problemas futuros.
Uau.
Tudo consiste nos momentos em que minha cabecinha fica sem ter no que pensar. Ou melhor, em que minha cabecinha pensa demais em pensar e em resolver tudo de uma maneira precisa, quadrada e cheia de critérios. Nesse quesito ainda há muito que aprender...
O dia certamente amanhecerá radiante, eu só espero não sentir muito sono e não estar mais tão doente. Sempre fico doente nas horas erradas... Se bem que pensando assim, conclui-se que todas as horas são erradas. Afinal, me diz quando é que eu não estou doente?
Estou praticamente em crise. Estava até agora a pouco sem saber o que escrever mas num surto de confronto pessoal meus dedos começaram a conseguir acompanhar meu raciocínio. Só resta saber se são meus dedos que estão completamente treinados e habilitados a serem eficientes, ou se são meus pensamentos que estão afetados pelo sono e pelo horário já meio tardio.
Ah, preciso de um curso de datilografia, se é que eles ainda existem. Não, não é porque eu acabei de constatar que meu sono está debilitando meus pensamentos, e sim porque o não uso de alguns dedos principalmente da mão esquerda andam me irritando profundamente.
Está vendo só? Eu até tenho no que pensar. O problema é que não consigo não pensar em certas situações, e devo confessar, em certas realizações. Ahh, vai me dizer que não foram realizações?
Fui vencida pela resistência - ou seria insistência?- do meu sono. O melhor a fazer no momento é me deitar, ler um livrinho e dormir pronta pra ter sonhos bons, de preferência não aqueles que me fazem ficar pensante e quase em crise o dia todo a beira de um surto psicótico. Além de exagerada, devo citar.
Tudo bem. Minha última revelação da noite será assumir que sim, eu espero ter essa noite sonhos tão bons quanto os da noite passada. Deixe que causem surtos, crises, contradições e textos gigantescos, afinal ver aquele sorriso, aquelas mãozinhas e aquelas poucas palavras me alimentam e me fazem querer viver esse fim de semana aparentemente arruinado.

sábado, 29 de novembro de 2008

Bom fim.

Um ótimo fim, eu diria. Não que tenha sido um bom nem ótimo fim, afinal não foi um fim. O senhor fim é que é um cara bacana (?).
Eu me concentrei em pedir coisas legais e inteligentes, mas não há como negar os pedidos feitos pelo subconsciente. Tanto que foi logo esse o primeiro da fila de realizações assim que fiquei com a fita na mão...

Celebration

Essa palavra pode soar exagerada, abusada e até ridícula. Mas tem um caimento incrível, ao meu ver, para as situações marcadas nesse dia.
Quem faz aniversário durante os dias úteis da semana só pode esperar que o fim de semana sirva de comemoração, por mais que tenha havido uma provisória. E mais do que fazer uma comemoração, houve uma celebração. Não só dos tais dezesseis anos de vida, mas propriamente dizendo de uma nova fase de vida.
Confesso que me envergonho um pouco ao lembrar, e principalmente, citar os bloqueios que me sujeitei no início do ano. Quando eu digo que mudei e as pessoas duvidam é porque elas simplesmente não podem sentir a diferença que eu sinto ao me ver sem as paredes que me enquadravam.
Quando a gente percebe que não há muitas escolhas e tem mais é que se arriscar, o campo de visão amplia, e se você souber aproveitar cada uma das situações você cresce. Como eu cresci.
É simplesmente pouco inteligente se deixar levar por modelos estipulados sabe-se lá por quem e impedir a si próprio de viver certas amizades e certos momentos. E quando eu digo que cresci, é porque aprendi que você não precisa ser exatamente como seus amigos e muito menos fazer o que eles fazem. Aceitação e personalidade são duas coisas que andam juntas e podem muito bem serem construídas juntas.
Decorrente disso em alguns pontos (alguns, não todos) eu mudei. Mudei porque cresci, cresci porque mudei. Pode soar confuso ou até mesmo com o mesmo significado, mas além de abrir meus horizontes para as pessoas ao meu redor eu abri os horizontes para mim mesma. Assim, aprendi a começar a me dar as oportunidades de viver e aproveitar como deve ser. Algumas formalidades ainda precisam ser abandonadas, mas nada como uma sexta-feira para servir de formatura.
E essa sexta-feira serviu para eu perceber cada uma dessas diferenças a qual me sujeitei, percebendo que sentirei falta de certas personalidades difíceis que foram importantes para que essa fase fosse alcançada.
Além do mais, serviu – e talvez principalmente – para eu provar somente para mim mesma que certas atitudes não condenam e não prejudicam, além de fazerem bem para uma tal de alto estima.
Ao mesmo tempo que trás benefícios faz com que eu perceba que definitivamente não estou pronta, e nem pretendo, sujeitar-me a algumas decorrências. Aliás, nem preciso.
Tenho completa certeza de que há quem critique e considere tudo isso influência e bla bla bla. Mas eu me sinto bem e acho que tudo isso é pouco, pequeno e até mesmo idiota para que exista explicações.
Claro, não poderia deixar de citar como o mundo dá voltas... Gosto tanto disso!
Ahh, aaaah. Depois da formatura, vem o colégio. E no colégio...

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Encontro

É mais que comum ouvir alguém falar sobre o quanto as despedidas são tristes. Principalmente nos filmes românticos, lindos e chorosos as despedidas chegam a doer em quem assiste de tão sentimentais e sofridas que aparentam ser.
Mas eu particularmente nunca passei por situações de despedidas tão avassaladoras desse jeito. Nunca sofri mais que amigos na rodoviária e último dia de aula – que não chega a ser uma despedida propriamente dita.
Na verdade, minhas despedidas em rodoviárias são divididas em dois blocos. Um em que as lágrimas foram de premeditação e na segunda fase foram suspiros de alívio, e outro bloco onde as despedidas são marcadas com abraços e sorrisos. E é deste que eu gosto.
Não que eu goste e seja a coisa mais agradável do mundo ver uma grande amiga entrar num ônibus que irá, mais uma vez, nos separar com cinco horas de viagem. Mas nossas despedidas são sempre tão positivas e sem sofrimento, que chega a ser engraçado.
Tudo não passa, mais uma vez, de uma porção de otimismo. Não há motivos para eu me afundar em prantos quando eu sei que a distância será um detalhe, muitas vezes chato, mas pequeno. Esse tipo de despedida é um tanto quanto otimista pois me traz a sensação de que outros bons momentos estão por vir. Afinal, não há como a pessoa retornar e trazer um monte de alegria se primeiro ela não partir.
Como diz a música de Milton Nascimento: “O trem que chega/ é o mesmo trem da partida/ A hora do encontro/ é também despedida",
e se eu preciso escolher entre duas dessas palavras, realmente escolherei encontro. Pois só ela pode resumir a positividade da despedida e a certeza de que nem mesmo uma situação melancólica pode afastar e impedir a alegria de voltar, ou melhor, de ter de volta.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Cápsula do Tempo

E tudo começou na segunda-feira, quando num momento de pura falta do que fazer meu dedos no controle remoto direcionaram a televisão para o canal trinta. Entre algumas conversas dispersas e uns momentos de atenção, as imagens de One Tree Hill fizeram com que o silêncio permanecesse, e a partir daí surgisse a curiosidade.
Afinal o que de tão revelador havia sido registrado naquela cápsula do tempo para que tivesse vontade de violar as regras e deletar? Os extremos detalhes não me convêm no momento, mas só pra constar a tal personagem, que eu pra variar não me recordo do nome, havia revelado no vídeo gravado confidencialmente que era lésbica. E por outros motivos que desconheço, afinal estávamos conversando em todas as cenas anteriores, ela precisava desesperadamente deletar todos os fragmentos dessa revelação.
Além de contar com a ajuda do personagem a qual o nome começa com a letra “m” para arrombar o cofre que guardava as fitas, me lembro que houve choros, arrependimentos e confissões. Por fim eles caíram na tentação e acabaram vendo outros vídeos de outras pessoas, o que acabou desencadeando uma revelação generalizada dos vídeos. No que essa história toda deu, no final, confesso que não sei. Sabe, não demorou muito para que a gente começasse a tagarelar e desviasse completamente a atenção.
Mas de qualquer maneira, os poucos minutos em que demos completa atenção ao seriado, foram de total efeito para que o dia seguinte marcasse história.
Após todo aquele clima de fim de festa, com os presentes todos abertos e as cadeiras postas de volta em seus devidos lugares cumprimos o que havia sido combinado: gravar a nossa cápsula do tempo.
Marina Viabone de Antonio, Beatriz Viabone de Antonio e Gabriella Perez de Souza. Três meninas de, respectivamente, dezenove, dezesseis e quinze anos com minutos livres na frente de uma câmera sem qualquer outra pessoa por perto, dizendo suas vontades e suas realidades em 2008 e tentando imaginar como estarão em 2013.
Aparentemente tudo soou como uma simples brincadeira, mas não é que isso causa mais impacto do que aparenta? Não posso, não quero e nem devo tentar relembrar e citar tudo o que eu disse no meu vídeo que durou quase oito minutos, afinal fomos fieis nas regras usadas no seriado em não revelar aos outros quais foram as considerações citadas.
Mas não há como não pensar e não pincelar sobre o assunto. Como é difícil e estranha a sensação de se imaginar daqui a cinco anos. CINCO anos... É tempo demais! Todas as perspectivas e sentimentos podem me parecer muito infantis e pequenos, ou engraçados, ou ultrapassados.
É estranho mais levemente corriqueiro não conseguirmos ter noção de como será o futuro ou até mesmo os próximos dias que estão por vir. Mas é pra lá de assustador não conseguir ao menos deduzir como você mesmo será daqui a uns anos.
Apesar de todos os medos, sensações estranhas e choros (!) decorrentes da gravação desses três vídeos, vejo tudo isso como uma postura otimista. Otimista por acreditarmos nas nossas permanências em vida – isso soa um tanto quanto macabro, mas não deixa de ser verdade -, e principalmente na permanência de nossa união e amizade. É quase como um pacto de amizade e de consideração.
LEMBRETE: ABRIR EM 25/11/2013

terça-feira, 25 de novembro de 2008

6teen

“Um ponto seeeeeeeeeeis!”, não foi a saudação mais calorosa da face da terra, mas já era de se esperar que esse seria o tipo de recepção que eu teria ao entrar pela cozinha no dia do meu aniversário.
Quer dizer, dizem por aí que era meu aniversário nesse dia... Porque até mesmo quando eu estive no meio de dois fortes abraços de parabéns não parecia que fazia um ano em que eu tinha completado quinze anos.
Mas não digo que por isso tive um aniversário ruim... Pelo contrário! Acredito que o fato de não parecer meu aniversário foi quase determinante para que eu tivesse uma terça-feira feliz. Afinal, o que se pode esperar para uma terça-feira de aniversário em meio a uma turbulenta semana de provas?
Eu só temi por me sentir mal pelo fato de estar tendo um dia banal para quem completa dezesseis anos. Mas, não passa de uma ilusão acreditar que tudo deve parar só porque faz mais um ano que você está vivo e cheio de saúde. A vida continua e o mundo não pára, até mesmo quando você está assoprando velhinhas.
Meu dia, inclusive, foi mais banal que o de costume. Como se não bastasse andar de ônibus e lavar alfaces ainda enfrentei crises contra o relógio e irritações de mãe via telefone.
Mas, novamente, acho que cada uma das banalidades foram importantes para que não fosse simplesmente um aniversário. E exatamente por isso eu devo confessar que me arrependi por ter feito um cochilo tão extenso...
Se tivesse sido simplesmente um aniversário eu provavelmente não teria tido uma metade de mim andando ao meu encalço o dia todo. E devo dizer que nada como ter um par de bochechas te seguindo pela casa!
Eu não teria tido uma comemoração tão pouco planejada e tão adequada para o que eu queria. E provavelmente não teria entrado em pânico ao me deparar com duas velas acesas esperando serem apagadas, e um bolo escrito “Parabéns” prontinho para ser cortado juntamente com o tal do pedido.
PEDIDO! Eu mal consigo me lembrar perfeitamente de qual foi o pedido que eu fiz ao cortar o primeiro pedaço de bolo debaixo para cima... Eu sempre planejava com antecedência qual pedido fazer, mas eu simplesmente havia me esquecido que não era mentira o fato de meu aniversário tger chegado, de novo.
Quando chega o fim da festa e os ponteiros do relógio indicam que falta muito pouco para você ter um dia além dos anos recém-completados bate aquela nostalgia de leve... Aquela impressão de que o dia seguinte não poderá ser tão bom quanto e de que tudo voltou ao normal.
Não quando você tem dois principais convidados debaixo de seu teto para te ajudar com os presentes e te dar os últimos parabéns num intervalo de um ano.

É estranho não conseguir entender como o meu aniversário passou e eu mal tive a percepção disso. A única explicação possivelmente aceitável é a de que alguns meses foram diretamente decisivos para que eu me transformasse e fizeram com que essa nova idade marcasse uma fase incrivelmente nova. As mudanças realmente caíram como uma luva nessa nova unidade a ser acrescentada nos anos de vida.
É como um marco onde posso dizer “Com quinze anos era assim... Com dezesseis já é assim!”. Ridiculamente, claro.
Agora que eu já tenho dezesseis e algumas horas é como se o dia vinte e cinco não tivesse passado propriamente dizendo, mas é como se eu já carregasse a positividade e as mudanças tão pouco notáveis.

domingo, 16 de novembro de 2008

Prova dos nove

Não adianta insistir em recolocar as cortinas onde estiveram antes de rasgarem se o vento está batendo forte. Ou elas despencam fracamente do varão ou suportam a pressão até desencadearem mais furos, inclusive em cima dos remendos já feitos.
Isso soa tão frio, mas acredito que a melhor solução seja evitar o contato.
Não seria assim tão pesaroso e cansativo se existisse compatibilidade no momento em que o ponto final foi supostamente posicionado. E por mais que o mundo dê voltas astronômicas e surpreendentes, hoje eu já não posso mais me situar em alguns meses atrás onde meus momentos de ócio eram preenchidos por outra situação.
Se eu ainda tenho tempo de sobra para ser fútil e me interessar por artigos de decoração, tenho mais do que direito de me deixar levar pelas cores e acessórios da moda.
Eu sei que não vai demorar muito pra eu cair do cavalo e todas as minhas sacolas de compras despencarem sobre a minha cabeça, mas apesar de eu ser indecisa em algumas coisas eu consigo ver com clareza quais são meus objetivos.
Eu apenas sinto muito por mesmo após tantas palavras ditas ainda haver tanta instabilidade e falta de senso. Eu somente gostaria de ganhar novos pares de óculos para poder enxergar o que você gesticula e ameaça balbuciar.
Mas algumas coisas nunca mudam. Você continua a querer fazer tudo passar meio despercebido quando eu estou pronta para dar minha cara à tapa e escutar tudo o que você sempre quis me dizer.
Eu apenas lamento por ter que interferir no que me pareceu criar raízes. No que poderia sobreviver e criar sustentabilidade quase como se nada tivesse acontecido. Quem sabe eu até poderia gostar da idéia de sentir o mundo girar embaixo dos meus pés.
Mas não mais. Não agora após a prova dos nove.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Chita

Eu já tinha completa consciência de que minha decisão havia sido tomada a partir de critérios emocionais e racionais. Mas eu não sabia que isso poderia atingir níveis extremos ao ponto de perfurar a malha de tom pastel que compõe a cortina das janelas.
Eu não sei se isso é conseqüência de certeza demais, vontade demais, planos demais... Ou de desgaste demais. Na verdade todas as citações anteriores não passam de meras desculpas esfarrapadas pra fazer com que tudo tenha tido sentido. Afinal, somente um tecido desgastado pode apresentar furos tão rapidamente.
Ao mesmo tempo em que eu pareço estar cheia de segurança ao reproduzir essas palavras, um subconsciente defende pelo menos cinqüenta por cento do meu ser que reluta para sobreviver a essa nova postura de vida.
Por mais que a dúvida tenha pairado em alguns momentos eu também tive extremos de conforto e certeza, daqueles em que a gente quer sair correndo gritando pro mundo e, principalmente, mostrando pra quem tem que saber o que é que a gente está sentindo.
Na verdade, eu devo mesmo é assumir que foi impossível estar coberta de ambas as certezas em todos os momentos. Mesmo naqueles casos onde tudo é extremamente escancarado e demonstrado, sempre há um lado pra fraquejar...
Todas ou nenhuma das circunstâncias simplesmente fizeram com que eu passasse a enxergar certas coisas com outros olhos. Simplesmente não faz sentido eu juntar todas as minhas mobílias e ir para uma casa menor, restrita e nova quando eu ainda não pude mudar e desmudar a decoração da minha casa grande e muito bem arejada, onde todas as manhãs o sol entra radiante.
Tenho pilhas de calendários cheios de dias livres onde ainda posso ser fútil e um pouco infantil, ao ponto de sair atrás de quadros a venda. E pretendo sem medo comprar aqueles da qual meu netos ao menos me ouvirão contar, ou até mesmo aqueles em que ao observar de pertinho a primeira reação seja jogar para as traças no fundo do porão.
O tecido da cortina já recebeu alguns retalhos como emenda, e nesse momento está no cesto de roupas sujas esperando por uma boa lavagem com direito a sabão de coco. Enquanto isso, eu deixo as borboletas entrarem livres pela janela e mesmo que esteja chovendo me recuso a fechar as venezianas.
Não ligo se os respingos encharcarem meu vestido novo de chita. Porque ele faz com que eu me sinta livre para aproveitar cada uma das primaveras.

domingo, 9 de novembro de 2008

Goodnight

As expectativas nunca haviam sido muito fervorosas, comparando com os outros cem e tantos dias que estavam por vir. Mas, nada como olhar a contagem e constatar que faltavam apenas cinco, quatro, três, dois, um!
É só abrir os olhos que você se acha embaixo do chuveiro morno cantando e dançando como uma louca, músicas que você até então não agüentava mais escutar.
E não demorou nada para eu pular do estágio fervoroso pré-acontecimento para a fase "Meu Deus, a ficha não quer cair!".
Após cerca de três piscares de olhos o Maroon 5 já estava no palco e eu já estava cantando – ou seria gritando? – enquanto me sacudia numa dança completamente sem gênero, ritmo e definição.
Obviamente tudo sempre passa mais rápido do que a gente havia desejado, e o Goodnight foi trocado pelo Goodbye.
Uma contagem a menos. Porém, muitas lembranças a mais.

sábado, 1 de novembro de 2008

Turquesa

Mais que a brisa noturna. É uma brisa pura acompanhada pelo frescor de orvalho e cheiro de grama. Ou seria de barro? De qualquer forma... O inteiror tem um cheiro tão fresco, leve!
Mesmo que um vidro temperado me separe da imensidão que o céu lá fora esconde, dá pra sentir aquela sensação de conforto, de serenidade. É um pouco como aquela história da brisa leve e da forte ventania.
Incrível como a ausência de luz no céu, ou a presença invertida dela, faz com que eu sinta esse poder maleável. Só de imaginar meus pelos e poros todos arrepiados em contato com o ventinho noturno já me sinto vulnerável, mas de uma maneira positiva.
Vulnerável pra viver a vida, e cada um dos detalhes de cada uma das histórias. Principalmente daquelas que eu mal tenho consciência de que começarei a viver.
Dá uma vontade de largar toda a poluição, arranha-céus, e turbulência só pra sentir a sensação de ter do lado de fora de casa, todos os dias, aquele pasto umidecido que enquanto amedronta, convida. Convida pra viver a liberdade, e a naturalidade.
Não sei se a cor do céu está realmente turquesa, mas ele me pareceu naturalmente claro o bastante pra ser um azul marinho...

domingo, 19 de outubro de 2008

Metade

Agora há pouco eu estava andando de carro com a janela abertíssima sentindo aquele ventinho fresco enquanto olhava o céu escuro. E não coincidentemente me lembrei de que uma de nossas primeiras conversas foi sobre como essa brisa fresquinha ao som de Los Hermanos é brisante (palavra que até então você desconhecia).
E meu coração bateu apertado quando eu lembrei de uma noite não muito quente de janeiro, onde nós estávamos deitadas na cama elástica olhando o céu, que para mim costuma ser sem estrelas.
Mas a saudade começou a palpitar quando lembrei de que nessa mesma noite, momentos depois você me deu a estrela que mais brilhava no céu. Não coincidentemente, de novo, eu só posso ver a estrela que me pertence quando estou aí, perto de você.
Mas, não preciso estar perto pra estar com você. Acredite quando eu disser que você é a minha vida!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Relento

O dia será muito quente. Aliás, não só o dia, mas a semana provavelmente me fará agradecer por não morar em Cuiabá.
E coincidentemente, ou não, a primavera realmente chegou. Já não há mais aquele ar leve e fresco em cada uma das noites em que antes de vagar pelos próprios devaneios era preciso vestir, no mínimo, um moletom fino.
Mas as noites quentes e abafadas trazem uma brisa fresquinha que passa despercebida mas que é considerável o bastante para causar arrepios e proporcionar serenidade.
Finalmente assumo que dias cinzas e pesados não combinam com cachecóis e que esse contexto já não condiz com meu guarda-roupa.
E isso me faz imaginar que ao invés de caminhar vestindo diversas camadas de blusas e capas, um simples vestido faria com que o som dos meus pés pelo asfalto soasse alto mas leve, sem permitir impacto porém sem criar asas.
A cada semana as repórteres anunciam uma temperatura diferente e dão uma previsão variada para o fim de semana, e só me resta por e tirar meus casacos do armário. E mesmo que isso aconteça, eu admito que a sensação de me sentir dentro de uma regata branca reluzente é além de confortável um sussurro de otimismo.

Dig

Logo de início palavras são desnecessárias para descompactar o arquivo de memória. Aliás, não há nada mais adequado do que a falta delas para que um sorriso escape pelo canto.
Lembro-me da contagem de tempo, da ordem sincronizada de cada um dos passos e até mesmo da respiração acelerada competindo com o coração.
Pelo reflexo posso ver a foto que abriu as portas e carrega sentimentos que representam uma fase considerável. Hoje, ela não fecha as portas... Somente faz com que ao penetrar neste cômodo eu me lembre de cada uma das sensações e seja preenchida com nostalgia.
Cada personagem e pensamento bobo, hoje, só podem me fazer sorrir sem me arrepender de nada. Foi de fato o meio termo da porta giratória.
Não sei se atingi o cômodo ao lado por completo mas ao menos sei que cada passo bem equilibrado e cuidadoso fizeram com que as inúmeras camadas de tecido transbordassem realização.
Um dos marcos iniciais do primeiro degrau carrega um símbolo do passado, presente e futuro. Mesmo que incompleto ele é grande o suficiente e não tão objetivo como parece ser.
Não tenho registros musicalmente ao vivo mas somente sua carga emocional faz com que cada pedacinho de mim seja preenchido com bem-estar.

sábado, 4 de outubro de 2008

34

Não crio vergonha na cara, não tem jeito. E ainda continuo a me iludir achando que usarei horas do meu dia pra escrever... Decadente!

domingo, 31 de agosto de 2008

What a difference a day made, twenty four little hours.

Dia vai, dia vem. Vinte e quatro horas mudam tudo, ou não mudam nada. Um dia de cada vez, um degrau de cada vez, um comprimido de cada vez. Com intervalos de silêncios intermináveis...
Janelas, portas, borboletas, jaquetas, chuva... Tudo se mistura com o giz de lousa e o 182. Já não sei mais nada, já não quero mais nada.

A cada conjunto de horas em que perco a oportunidade de refletir conforme o sentido de algumas letras, eu mudo de idéia. Mudo de posição, de resolução e de opinião. Já não sei mais qual dos momentos devo aproveitar para me pronunciar. Posso usar o instante errado, e acabar por decidir da maneira errada...

Dez minutos mudaram a ordem das palavras, e a colocação dos pontos finais. Dez minutos mudaram o sentido, o caminho, e o objetivo.

As incertezas só me levam ao nada.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Nervos

Sempre atrasada, atarefada, atordoada, irritada, ocupada e neurótica.
Meus músculos já não suportam tanta rigidez, em duplo sentido. Estou somente aguardando o dia em que eu irei acordar e me deparar com uma ruga gigantesca cortando lado a lado em minha testa. Aí sim será o marco da neurose.com.
Sempre preocupada, ansiosa, pensando em mil soluções, objetivos e principalmente clareza. Tanta dúvida e ânsia pela certeza me leva de volta ao decadente. O decadente que me atrai, que me balança. O decante imperfeito, que me chama atenção por ser impossível.
Mais uma vez o que está ao meu alcance passa a ser pouco. Pouco e pouco.
E ao acordar, tudo não passe de uma crise nervosa.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Autodidata

"Me considero um autodidata pois até hoje, tudo o que não sei, eu ignorei sozinho!" (Millôr Fernandes)

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Catraca

Apaguei a data de quase um mês atrás só pra tentar rabiscar qualquer coisa semelhante a um esboço. Um esboço do que deveria ser um texto digno. Ou até do que deveria - e provavelmente deve ser - um texto ridiculamente chamado catraca.
Catraca que liga dois ambientes, subconscientes que separam a alegria momentânea das mágoas mal lembradas.
Eu realmente sentia saudades do meu dicionário amplamente ilustrado, e dessas músicas incríveis com nexo contraditório.
Tudo bem, minha letra está terrível, com cara de férias expressando um certo congelamento nas extremidades. Deve estar um frio gostoso lá fora, mas pouco importa se eu estou do lado de dentro.
Mal posso crer, mas posso me envergonhar, que este caderno esteja tão mal preenchido. E principalmente, mal posso entender como tudo o que eu escrevo se torna tão mal escancarado, mal resumido e longe dos meus parâmetros de comparação.
Sempre fui uma pessoa de inúmeras tranqueiras, e isso facilmente reflete no papel.
O nada não existe. O tudo é pouco. E o perfeito, é insuficiente.

Pura estética, palavras aleatórias de impacto. Pouco importa...

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Cem

Cem. Centenário. Centésimo. Um e dois zeros. Ou até uma letra C. Um número redondo que desencadeou uma mudança. Desisão tomada, fechadura trancada.
Janelas abertas, juntei cada tranqueirinha, uma por uma. Coloquei em caixas separadas das mágoas, das vitórias, dos amores, e separadamente de cada sentimento de felicidade que passou despercebido por falta de expressão. Lacrei as caixas e atravessei a rua, na tentativa de levar cada fragmento para a nova moradia... Mas fraquejei.
Eu mal havia começado, e já tinha mudado de idéia. Não conseguiria deslocar cada quadrinho das pequenas, e ao mesmo tempo amplas paredes, enquanto deveria sentar à luz fraca do sol para desenhar.
Decisão tomada, mudança desfeita. Com uma rapidez incrível tudo que eu havia empacotado, magicamente retornou aos seus devidos lugares dando a impressão de uma casinha levemente empoeirada, com cheiro de biscoito doce.
Tranquei novamente a porta, reguei as flores do canteiro, e preguei um laço vermelho no centro da porta de madeira escura, e envernizada.
Atravessei a rua novamente, mas dessa vez com as mãos vazias, abanando. Abri a portinha branca que levava a um cômodo levemente branco, com janelas amplas que deixavam a luz do sol atravessar sem qualquer tipo de bloqueamento.
Decorei as paredes de verde, com um toque de marrom. Plantei uma árvore no jardim e sentei na varanda. Desenhos deveriam ser feitos, uma casa tão arrumadinha e ensolarada não poderia ficar tão vazia!
Fazer festa na casa errada, não significa esquecer de espiar a janela ao anoitecer pra conferir se está tudo certo. Não significa que as mobílias foram deixadas para trás, elas só estão acomodadas no lar que as concebeu com o antigo cheiro de biscoito - de chocolate meio-amargo, sempre -, postas como uma boa lembrança a ser lustrada.
O numeral está do outro lado da rua, mas ele ainda contém todo o seu prestígio, mesmo que tenha sido preguiçosamente demorado. Cem!
Cem. Cem dias se estenderiam até dezenove com dois. Cem horas são dois dias e mais dois migalhos. Cem brigadeiros podem sem ingeridos em meia hora. Cem carambolas eu comeria facilmente em uma semana. Cem anos, só podem ser vividos por orientais. Cem anos são comemorados por orientais. Cem é dois e oito, mais um zero. Cem pode ser uma maioria se acompanhando pelo cento. Cem pode ser cento, sem ser cento. Cem pode indicar ausência se for mal interpretado, ou se conter um 's'. Cem pode ser muito, e pouco. Cem reais não dá pra nada. E Cem pode ser dois, se de centavos virar reais.
Cem letras podem ser uma introdução. Cem linhas formam parágrafos. Cem parágrafos compõem uma bela história. Cem histórias, aaaahh. Se estendem do recreio até o instante em que mudam de cor.