E qualquer esforço a mais passou a fazer parte da diversão. Calor, sol, fome, sede, e até mesmo as 12h sem ir ao banheiro, tudo passou tão banalmente rápido que eu não acredito que tenha sido um esforço heróico.
E enquanto todos reclamavam pela demora e torciam para que ela subisse logo ao palco, eu quase pedia para que demorasse mais. Afinal, não conseguia acreditar que tudo aquilo estava realmente acontecendo, e eu precisava de algum mecanismo que fizesse o tempo passar mais devagar.
Dois pingos caíram do céu, e já foi o suficiente para o estádio do Morumbi inteiro tirar capas de chuva das mochilas, e vestí-las quase com sincronia. Mas, nem isso serviu para eu me lembrar que em alguma parte do meu corpo existia uma sensação chamada cansaço.
E quando o dia começou a virar noite, as luzes se acenderam e as caixas de som começaram a zumbir com uma música que o Brasil esperava ouvir, não pude sentir outra coisa a não ser arrepios. E quando lá longe eu pude vê-la, sentada em seu trono de rainha, vestida de preto e nos convidando para entrar em sua loja de doces, tudo virou um turbilhão de felicidade e de realização. E invonluntariamente lágrimas de alegria corriam sem pudor. E continuaram a correr, durante pelo menos as três músicas que seguiram.
A cada jogo de luzes, efeitos especiais, coreografias, figurinos e qualquer outro acontecimento inédito meus olhos brilhavam, e quando eu pudia voltar para a realidade meu queixo ameaçava cair. E eu mal podia acreditar que tudo aquilo estava realmente acontecendo, que meus olhos estavam captando todas aquelas informações e que meu cérebro as processava.
Ali na arquibancada eu estava realmente perto do céu, que apesar de nublado estava colorido por tons de roxo e rosa, num pôr-do-sol lusco-fusco que só faltou ser salpicado com brilhos. Com a brisa geladinha da noite, a música ecoava em meus ouvidos e meu corpo dançava, explodindo de alegria, num ritmo livre.
As, aproximadamente, duas horas de show foram inacreditáveis e inesquecíveis. Tudo o que dizem sobre sua carreira, sobre seus cinquenta anos, sobre sua influência no mundo, sua música, e sua capacidade de ser camaleoa e ser sempre diva são mais do que merecidas para que ela seja a Rainha do Pop.
Sem dúvidas sempre vou me lembrar de cada segundo de euforia pela qual passei nesse dia, e não vou deixar de contar para os meus netos que sim, eu vi a Madonna.
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