quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Morena

Foram inúmeras as vezes que você me pediu para ser citada em algum dos meus textos, ou quem sabe ter algum exclusivamente dedicado. Eu sempre te pedi paciência, afinal esse tipo de coisa não funciona com pressão e você merecia algo muito bem feito.
Mas, acredito que tudo isso não passava de discursos involuntários para que meu consciente não reparasse o verdadeiro motivo: não sabia como fazê-lo.
Fico decepcionada comigo mesma só de imaginar que você deve se chatear às vezes, ao ler palavras bem escolhidas que junto e dedico a outras pessoas. Mas, agora parando para pensar fica fácil reparar o quão dificil é escrever sobre alguém tão perto. Não há saudades para florearem textos cheios de melancolia e nem mesmo uma convivência unicamente passada para usar nostalgia.
Eu simplesmente te tenho todos os dias, pronta para ouvir qualquer palavra que me vier à cabeça, impedindo-me de guardá-las aos poucos. Te tenho todos os dias dizendo coisas lindas pra mim, e sempre perto para eu retribuir como posso.
Vendo por esse lado, quase chego a imaginar que voce é uma melhor amiga a qual já não é mais preciso reafirmar a importância. Eu disse quase.
Afinal, não há amizade que possa ser tão boa a fim de denominar nossa relação de irmãs. E não há irmandade forte o suficiente que possa classificar nossa ligação.
Algumas vezes me pego imaginando como tudo isso pode ser possível. E nos últimos dias isso tem tomado parte dos meus pensamentos. Não brigamos com uma frequência de irmãos normais - eu bem disse que ultrapassamos a irmandade humanamente possível -, mas cada desentendimento, por menor que seja, é suficiente para me colocar em questionamentos.
Fico me perguntando como é possível alguém tão azedinho fazer com que meus dias sejam tão doces, e como alguém em surtos de extrema grosseria consegue me travar para dizer não.
Quando eu fecho a cara e fico quieta, você vem me perguntando se ainda gosto de você. Isso não passa de um pecado, você deveria aprender de uma vez por todas que, nesses momentos, te amar demais é o meu maior problema. Isso faz com que eu seja capaz de passar por cima do meu orgulho e da minha, mais íntima, vontade só pra te ver satisfeita.
Todas as vezes que você me magoa com as suas pequenas atitudes cheias de personalidade, eu tento ficar séria e te dar bronca, na tentativa de te fazer melhor. Por mais que isso possa te irritar, acredite: isso me consome. Toma meus pensamentos na tentativa de achar uma maneira de te resolver tudo.
Quando tudo parece estar desabando sobre nossas cabeças e eu desato a chorar, saiba que boa parte é por você. Por saber que por trás dessa mente criativíssima e inteligente existe um gênio forte e tão decidido que me faz parecer vulnerável a tudo.
Quando você parece ter razão minha cabeça trabalha incansavelmente tentando achar uma forma convincente de te conformar. Mas é ainda mais difícil pra mim quando eu simplesmente não posso te defender.
Você diz saber nessas horas que me decepciona, mas pior do que você me decepcionar é você rejeitar meu carinho. Por mais errada que você possa estar, o meu primeiro extinto será te acalmar.
E eu me pego tentando entender como nesses momentos eu consigo ser capaz de pedir perdão por algo que não fiz só pra te deixar por cima, desde que isso te faça bem. Corro atrás de você e me ponho no chão, só pra te mostrar que não está sozinha.
Mas a pergunta que mais me deixa sem resposta é sempre a mesma: como pode ser possível alguém me irritar, magoar e afetar tanto sem fazer com que eu, nem mesmo pense em hesitar no amor que sinto?
Jé pensei em muitas explicações mas apenas uma parece preencher todas
as lacunas: Quando você ainda mal sabia como era viver nesse mundo, a mamãe decidiu que não seria justo e sim bem triste te fazer filha única. Pra te dar uma companhia, eu nasci três anos e três meses depois de você.
Instinto materno é algo forte, naquele dia eu aposto que a mamãe sabia que você não havia ganhado apenas uma companhia e sim alguém com muitas falhas, mas com o coração grande o suficiente pra te amar o quanto fosse possível e viver por você. E não foi por acaso.
Falar sobre boas companhias e pessoas agradáveis é extremamente fácil quando tudo corre perfeitamente bem. Mas com você é diferente. A parte ruim também me faz calcular a dimensão do amor, e o quanto ele é inigualável, imensurável, incondicional e infinito.
Vinte anos após você ter nascido eu te digo: não foi você que me ganhou de presente. E sim eu, que tive a chance de viver por você. A única pessoa que consegue ter sua beleza até mesmo quando só os defeitos estão aparentes para o resto do mundo.
Eu entendo que tudo tem sido complicado, aliás ninguém disse que seria fácil. Desculpa por o mundo ser tão difícil, mas tente entender que é preciso mudar. Se for tão doloroso assim, ao menos tente por mim.
Não há o que me possa fazer voltar atrás de toda a dedicação por você. Estou do seu lado e faço o que for preciso pra te trazer um sorriso.
Eu nunca disse isso com tanta certeza, e isso talvez nem seria possível. Todo o amor é pra sempre, pequena, e nada pode mudar.



sábado, 25 de julho de 2009

Boina

Não há Cachorro Grande sem boina, e no meu mundo também já não há boina sem Cachorro Grande. Mesmo sem analisar muito fica fácil reparar que não há Cachorro Grande sem noite divertida. As bolachas, os balões, a roda gigante, algumas garrafas e ausência de preocupação. Essa atmosfera é altamente contagiosa, fazendo com que o show perfeito para se divertir ainda traga um êxtase contínuo.
O raciocínio se torna lógico quando bandas românticas/dramáticas causam reflexão, e bandas (ou a banda) despreocupada causa despreocupação! Veja só, quanta genialidade da minha parte.
O contexto é de uma mesa de bar, com um clima meia-estação, jaquetas de couro ou ternos quase pretos. Onde no caos urbano, cheio de luzes vermelhas e azuis, pernas com meia fina preta, botas e vestido, correm. Sem destino e até mesmo sem pressa. Enquanto olha para trás e ri a franja bagunça com o vento. E as luzes continuam intensas destacando na noite, obviamente, sem estrelas. Em flashes, a mesa redonda ainda está cheia. Pode ser sexta, domingo ou plena quarta-feira. Tanto faz, tanto fez. Não há problemas que não possam ser afogados. Não há noite que vá terminar.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Tempo

Por muito reclamei da dúvida, e esta não há mais. Devo ter questionado os intervalos constantes nos retornos, e estes hoje são certeiros. E certamente notei a dificuldade em falar, e aqui há falta de vírgulas apenas. Questionamentos e reclamações atendidas. Não...
Afirmo com todas as letras o quanto posso me o-d-i-a-r por ser capaz de beirar pela burice. Mas sou como um soldado calejado, já aposentado, que não consegue apenas sentar no sofá e esperar tudo acontecer. Acredito, de fato, que eu mereça finalmente estar num momento certo. Mas meu subconsciente não toma essa situação como suficiente. Parece que ele quer mesmo é me assistir indo à loucura.
Estou observando você sorrindo, e dizendo uma porção de palavras coloridas. Mas enquanto elas me atravessam sem sentido, eu olho para os lados vendo quantas pessoas seriam capazes de encontrar consistência nessas tentativas, desenfreadas, de fazer alguém ser sua. Enquanto não sinto a textura, não percebo o gosto da incondicionalidade, guardo o que posso em caixas e anoto o que quase passa despercebido. Além de mim, outras tambem torcem para que isso venha à tona enquanto é tempo.
É como sentir medo, por não ter tudo sob controle. Por estar atravessando uma atmosfera nova, onde, num piscar de olhos posso ser tudo aquilo que sempre desaprovei vindo dos outros. Não podemos atropelar os minutos, não podemos praticar excesso, e a falta por outro lado. O tempo é assim. Tempo, de novo.

sábado, 18 de julho de 2009

Ouro

Esse tipo de situação me remete ao meu ensino fundamental, onde dentro do meu blusão preto e grosso eu imaginava qual seria o segredo da aceitação. E não há grandes segredos, não há pessoas mais legais e mais merecedoras. Não me desmereço, apenas me desconsidero desse ciclo vicioso de altos e baixos na sociedade adolescente média.
Sempre me pego reclamando dessa sobra de aproximação induzida, masculina, diga-se de passagem, nos momentos onde somente o interesse colecionador fica evidente. Mas, não nego. A relacao é quase a mesma onde o diamante e a grafite provém do mesmo início. Mas aqui estamos falando de ouro.
Se acham que agora estou, digamos, apta a estar onde vocês estão eu apenas agradeço. Gosto de ser o que sou e de estar onde estou. Eu tenho o que você quer. Mas, ficará querendo.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Aligator

Diário de férias sete.
O dia amanheceu frio, mas não demorou para esquentar com o sol. Limpando o céu, deixando à mostra os feixes azuis, que sempre me remetem aos domingos. Mas hoje ja é segunda-feira, e como a maioria delas onde a rotina volta à tona, esta não será muito diferente.
Seis dias foram mais que suficientes para me adequar ao estilo de vida, vícios de linguagem e vivacidade nas coisas simples. Tanto que me pego tentando imaginar como serão os dias a frente sem as tardes na Gabi, os jogos com colher, o excesso de refrigerante, exagero de condimentos, o céu cheio de estrelas, a tranquilidade em caminhar pela madrugada, as conversas antes de dormir... Enfim, cada um de todos que me receberam cheios de simpatia, paciência e boa vontade em me acolher por uma semana. Isso também me faz pensar que como vocês, eu não encontraria a trezentos e tantos quilômetros.
Toda despedida é triste, mas estas, em especial, são sempre um "atá logo", sendo apenas um intervalo entre outros dias inigualáveis. Porém, entrar no onibus, colocar o cinto e acenar na janela, vendo você pra trás com seu sorrisão, mudou o clima. Para contrastar com o sol reluzindo algumas gotas cairam, molhando a base da janela.
Sei que nao demora, afinal não aceito demoras, mas tudo isso deixará saudades. Muitas saudades. See you later...

domingo, 12 de julho de 2009

Maionese

Diário de férias seis.
O acaso, o destino, a sorte ou simplesmente um acontecimento comum. Uma ligação não completada. Uma chamada não atendida. Ou quem sabe a força do pensamento.

Eu deveria estar enxergando nostalgia em cada passo que as pessoas davam. Ou quem sabe fosse o sentimento ingrato de domingo, pois todos estavam combinando com o céu cinza, sem gritos eufóricos, empolgação ou músicas pra dançar. Havia um aniversário ali, em meio a tantas blusas de frio e isso implica com planos e convidados.
Algumas situações constrangedoras típicas, dicas eficientes, colheradas de sinceridade após e eu estava vivendo meu dia de encerramento, minha última chance, as últimas fotos, os últimos esforços em ser alguém que eu gostaria de ser, as últimas piadas, as últimas risadas, os últimos goles. A derradeira.
Poucas palavras, alguns olhares desviados, a colocação distante no retrato. Meu consciente não sabia como tudo deveria ser, apesar de ter seu palpite racional e calculado; Já meu subconsciente tinha total certeza de como queria que tudo fosse, e até mesmo já estava pronto para criar esperanças ou desapontar-se.
Quando meus pés pisaram no asfalto da rua tranqüila, dois braços alheios não pensaram duas vezes em me empurrar, logo após a seqüência ansiosa das sobrancelhas, fazendo aquilo que as minhas próprias pernas não conseguiram fazer sozinhas: tomar proximidade.
Agora mesmo eu posso fechar os olhos e recordar o caminho que me leva ao T da história. A leve subida, o desvio na praça (dado um pouco para a esquerda), a passagem pelo piso mal terminado, algo que deveria ter sido uma fonte, e novamente à esquerda. Após atravessar a rua, a chegada onde deve-se seguir reto. As janelas da academia, as casas beges sujas de terra, o café e do outro lado, logo à direita, a casa da garagem aberta.
A garagem não estava aberta e não havia recepção com robe cor-de-rosa. Mas eu pude tomar cada detalhe decorativo como um cartão de entrada. Mais de dez pessoas, divididas em vídeo-game, violão, pipoca, e um jogo qualquer. Eu fiquei na equipe que mais me identifiquei: a da observação.
Ambiente amplo, três sofás, uma poltrona nos tacos de madeira. Logo na entrada um aparador com um espelho, uma estante para guardar a tevê. Cortinas longas e brancas. À direita uma cristaleira (mais uma, pois já havia outra ao centro), um piano com as teclas cobertas pelo veludo vermelho. Muitas fotos de família e quadros. Talvez formal e com muitos detalhes para a situação, mas após me sentar na banqueta do piano e respirar fundo, meus olhos puderam captar a menina com roupa de bailarina, os copos empoeirados, a escola retratada na tela, o tecido quase rendado da cortina, e até mesmo o tom amarelado que a luz deixou no ambiente.
Meu subconsciente não precisou mostrar muito ao meu consciente, pois somente o interesse incomum ao trocar a partida fictícia de futebol pelo jogo – literalmente – de olhares, já me mostrou o quão perto da família eu poderia estar. Não me lembro ao certo em que momento as pessoas foram tomando outras atividades e o sofá foi esvaziando, só pude prestar atenção na conversa paralela e na atenção redobrada a cada palavra recíproca.
Naquele momento eu teria levado outro empurrão caso minha bolsa ainda estivesse ocupando meu colo, e claro, se isso não fosse tão descarado e grosseiro. Apenas convivi com o gaguejo e as sussurradas nervosas, novamente com a dança das sobrancelhas e algumas risadas. Esperei o tempo suficiente para eu me convencer de estar agindo por mim e não pelos comandos direcionados para dar trabalho, ou função, aos meus braços tão perdidos e sem saber com o que se ocupar.
Algumas boas músicas, explicações sobre quadros e fotografias, promessas sobre o piano e então a boa e velha sinceridade. Meu subconsciente acertou em como as coisas deveriam ser e as esperanças foram superadas, sem mesmo precisar que fossem desapontadas.
Meus ouvidos até então atentos ao som da televisão, à música ou à conversa das garotas teve o foco inteiramente redirecionado quando começou a tocar uma melodia doce, leve e verdadeira. Não era uma música no ipod, tocada no violão ou até mesmo no piano. Eram palavras ditas em voz baixa, com sotaque e pausas cautelosas. Impossíveis de não arrancar sorrisos e evitar que a contagem regressiva se tornasse a cada momento mais dolorosa. Os pedidos para ficar, as revelações, as explicações e os planos datados para seis meses. Em meio à coceira desnecessária no nariz, proveniente da tensão momentânea, eu sabia que podia falar um pouco demais, porém já temia a reação posterior e todos os efeitos da abstinência.
Quando os detalhes captados do ambiente já me pareciam o mais familiar que eu já pude chegar, me chamaram para atender uma ligação. Enquanto eu respondia automaticamente a cada pergunta desnecessária e previsível aproveitei para captar um pouco mais. O bilhete colado logo ao lado do telefone, o calendário, a porta. Ao voltar tudo ainda era meu, e parecia ainda mais real. Real e não menos assustador... Minhas mãos, meu sorriso, minha reação e meu consciente estavam ocupados em processar tudo com rapidez e naturalidade, até que me desvencilhei num reflexo rápido e normal. Porém, não havia nada de errado naquilo, a não ser pra mim. Apesar de toda a vergonha, mantive-me próxima sem mostrar intimidade. Ao invés de lidar com um monstro de sete cabeças, apenas me vi de frente a uma mãe coruja, orgulhosa e simpática. Eu gostaria de poder usar cada dica que ela rapidamente me deu, mas todas elas foram inúteis, dada a distância que eu tomaria no dia seguinte.
Os estômagos roncaram, e mesmo que o meu parecesse nervoso demais para ingerir alguma coisa eu me levantei rumo à cozinha. Tratei de parecer uma boa pessoa e respeitar os limites de um lar, mas em meio a risadas (e mais sotaque) alguém parecia comemorar que todos os quadros, móveis e familiares o estavam vendo acompanhado.
Aquele era mais um cômodo novo e cheio de detalhes, apesar de parecer até mesmo familiar. Era revestido com janelas, havia uma mesa de madeira com várias cadeiras (afinal, sobraram apenas duas pessoas de pé), um armário de pratos e muitas risadas. Devorei meu lanche para que aquele momento desnecessário acabasse logo. Ou talvez eu estivesse realmente com fome. O molho que coloquei no pedaço a ser mordido pareceu ridículo perto dos lanches banhados a condimentos a minha volta. Enquanto um pouco de mostarda fez meu lanche um pouco mais saboroso, algumas pessoas disputavam por saquinhos transparentes com um creme bege. Ah, maionese. E segundo eles, a mais digna maionese caseira.
Ao retornar para a sala, eu já soube que não tinha muito mais que meia hora. Ouvi novamente a música doce em meus ouvidos que ficava a cada momento mais ansiosa, apressada, desesperada e quase triste. Ouvi uma música no piano seguida de frases superprotetoras. Reconheci a pasta de dente e segurei a vontade de rir por um ato tão engraçado e cuidadoso. Quando uma terceira voz, que até então só me deu empurrões e broncas, avisou que onze horas chegariam a quinze minutos, eu mesma pude sentir minha música desesperada e ainda assim otimista tentando ser desapegada. Tudo o que foi contido acabou por ser dito, e o que seria precipitado ou exagerado ficou guardado no silêncio com cheiro de roupa nova.
Despedi-me calmamente de cada pessoa na sala, agradecendo, sorrindo e prometendo meu retorno ansioso. Dez minutos. Um comparativo de altura, e a planta enroscando no meu cabelo. Quando o carro branco chegou, eu processei que não me restava mais um minuto sequer, apenas segundos urgentes. Eu volto, foi bom, cuide-se. Três curtas frases quase frias para conter o que deveria ficar guardado.
No banco de trás do carro, eu não ousei olhar para trás. Não deveria começar mal essa história de seis meses. E no vidro embaçado eu tive a besteira de escrever com o dedo a inicial do meu nome, só para distrair a felicidade e a nostalgia antecipada.
Enquanto eu guardava as últimas peças, recolhia o que ficou espalhado e procurei pelo o que poderia ser esquecido, fui tomada pela tristeza de já ter chegado a hora. Por ter passado tão rápido e por ter sido tudo tão incrivelmente bom.

O acaso, o destino, a sorte ou simplesmente um acontecimento comum. Uma semana bem aproveitada. Uma viagem bem vivida. Ou quem sabe uma fase boa, fechada com chave de ouro.

sábado, 11 de julho de 2009

C ou S

Diário de férias cinco
O maior sinal de que você acordou tarde demais não é chegar na cozinha e ver o almoço na mesa, é chegar na cozinha e o almoço já não estar mais na mesa... Mas talvez isso seja o melhor das férias: não ter horário, muito menos tempo ruim. Por mais que do lado de fora o céu esteja cinza, a temperatura tenha caído e tudo se resuma em água.
Quando São Pedro, ou sabe-se lá qual é o santo da meteorologia, deu uma chance pro nosso sábado, já estávamos a caminho de mais uma pérola interiorana. Quer dizer, uma pérola pra mim apenas...
As mesas de sinuca, a iluminação fraca, a entrada precária, a escada de pintura completamente fora de situação, o caixa escondido, o bar sem garrafas. O palco sem incrementação nenhuma, e as portas de enrolar abertas deixando a luz entrar. Toda a luminosidade focada nos equipamentos simples, deixando apenas sombrar pra quem observava de frente. E também a possibilidade de tornar-se cego em instantes.
Muita espera, pessoas típicas, alguns olhares, uma foto e muita música ensaiada depois, lá estava eu: vivendo um dos meus maiores dons. O da admiração. E talvez também o da paciência... Algumas pessoas não conseguem se conter, ou melhor, fazem questão de não se conter.
Não pude conter minha criatividade interagindo com o imaginário... E foi como estar fugindo pra Tijuana, vestindo jaquetas de couro, curtindo um pub mal lavado. Podiam estar me irritando, forçando a barra, fazendo pouco caso. Podia estar faltando assunto, sobrando cansaço, fome e vontade de sentar. Eu podia quase me sentir entediada, porque ainda assim tudo isso não seria suficiente pra abalar minha realização de estar curtindo um típico Clube do Rock.
E quando soltaram o pé do acelerador por poucos instantes, num solavanco aceleramos de novo. Um número inexato de pessoas, uma mesa comprida, duas garrafas, e muitas palavras mal combinadas na maioria das vezes.
Casa, cadeado, cachorro, computador, crioulo, carrapato, sapato, saia, sapo... Pode tomar!
A sinceridade ainda me assustou, ainda mais descarada e mal educada daquele jeito. Não estou numa competição, e não pretendo lucrar mais que ninguém só para não me sentir roída. Ainda mais nessas circunstâncias.
Todas elas ficam pequenas, desinteressantes e dignas de virar as costas como fiz não só literalmente. O céu estrelado, intenso, e quase constrangedor. A brisa gelada (não somente fresca, gelada), dando aquele gás inspirador, além do conforto, da vontade de fechar os olhos e se entregar na vibração positiva. Duvido que alguém ali sentiu o bem estar que eu pude sentir.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Novo Oeste

Diário de férias quatro.
Na primeira trégua que a chuva ousou em dar, já estávamos trocadas descendo a rua do Sesc só pra não perder a mania. Lugares como aquele não são comuns fora daqui, não com este jardim enorme na frente do terreno. O banquinho não era muito confortável, mas a situação estava.
Novamente fui tomada pela sensação de que pertencia ao contexto, e maldita ironia que te senta ao meu lado enquanto faíscas são propostas. Mesmo assim eu espiava por cima de outros ombros na possibilidade de umas pernas passarem rapidamente. Estávamos tão perto mesmo.
Café com gengibre, a combinação perfeita que só poderia ser melhorada com açúcar mascavo, e bem que tinha mesmo. Açúcar por açúcar, bem que tentamos encontrar cana-de-açúcar, mas a busca serviu apenas como desculpa para risadas e fotos domenicais demais para uma sexta-feira.

Falando em sexta, essa não poderia fugir do contexto básico de todas as outras. Eu pretendia não me atrasar e sobrou tempo até mesmo para repor as energias. Tudo indicava que eu precisaria muito delas.
Instantâneo, pequenos planos, uma bota emprestada e pronto: entramos um triz antes de lavar a alma na chuva. O cenário não era velho, estava mais para um novo-mal-acabado, cheio de botas por cima da calça - de novo -, mas a ideia de ficar por lá me parecia boa. Ainda mais após nutrir a esperança da presença certa se dar na ausência certa.
Enquanto a passagem de som era - barulhosamente - feita, pude me sentir ainda mais no contexto e com as companhias certas. Guardando dicas, anotando fatos e reafirmando a ideia de não passar vontade. Mesmo que a noite acabasse assim, já seria válida. Aos poucos as cadeiras acabaram, foram largadas e já não havia ar.
Tudo se resumia em muitos pulmões, muitos copos e muita música sertaneja. E eu me divertia como jamais poderia calcular naquela situação maluca. A presença - contextualmente - errada não alteraria meus planos mesmo que não houvessem ausências.

Porcentagem a mais no meu sangue, e eu só conseguia pensar em como aquilo tudo era bom, a realidade de estar numa noite inesperada com a metade certa. Nada mudaria isso.
Muitos reais depois, mal processava muitas informações. Mas ao sair naquela brisa fresca - ou melhor, completamente gélida -, eu via as luzes correrem rápido enquanto as vozes gritavam e eu mal sentia pisar dentro das botas grandes.
Eu estava realmente realizando aquele tipo de vontade de cinema, de abraçar, rir olhando para o céu e beirar o descontrole. A ultrapassagem do limite natural não poderia ter sido mais surda e feliz.
Não senti o baixo referente ao alto da situação, nem mesmo quando sentamos na mesa da cozinha tentando falar baixo. Eu só podia pedir para terem memória por mim, lembrando-me do que eu - achava que - não poderia lembrar.
Quando a poeira devia baixar, ela aumentava. Eu comia o chocolate enquanto ela revirava redações dizendo precisar estudar. E depois eu mal podia acreditar em como minha letra foi pouco redonda um dia na vida.
Fazia frio, chovia, estávamos com edredon, mas o ventilador permaneceu ligado. Sabe-se lá o por quê. Aliás nada hoje teve muita razão, e essa é a melhor parte.
Tudo aquilo me fazia muito feliz, lembrei-me até de tirar uma foto chamada 110709050440-01, só pra marcar aqui que nada podia ser melhor hoje.

Frase do dia: Me lembra disso amanhã?
Musica do dia: "Você diz que não me ama, você diz que não me quer. Mas fica pagando pau, aah qual é que é?"
Expressao do dia: Crrrrrrr

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Texas

Diário de ferias três.
Após duas manhãs eu já sabia que aquela seria a rotina matutina pelos dias à frente. Ser sempre a última a acordar, pescoçar na outra cama e ver se estava vazia, sempre estava. Descer até a salinha do computador, dar bom dia, ver blogs de moda, desejar roupar, reclamar pelas coxas grossas (os dois últimos feitos em conjunto) e então, almoçar. É, eu disse ser mesmo a última a acordar. Depois disso o primeiro passo era programar o dia todo, ou já se trocar para tal no caso de já estar tudo certo.

Hoje também entendi a normalidade em estar sempre na casa dos outros, falar completamente a vontade e, principalmente, sem se constranger. Mas, é claro que pra mim tudo é muito novo. Inclusive na parte em não se sentir sem graça... O blush não foi propositalmente para disfarçar! Eu realmente passo todos os dias... Sempre caio em situações-trio onde eu não sei por onde começar com a naturalidade. Na falta de tato, aposto na indiferença. Costuma dar certo!
Não sei se o fato, que citarei a seguir, chega a ser o pior ou melhor ponto nessa situação toda. Mas, por ironia sempre acabamos juntas, quietas, e nos ajudando. Morno, isso deve acontecer pra estabelecer um equilíbrio térmico. Onde atrapalha por ninguém querer ser sincero e ajuda por demonstrar racionalidade. Enfim, a noite já prometia ser muito boa e eu mal podia esperar!

Na volta, pasmem! Os carros ficaram parados em fila por alguns segundos, só pra eu sentir saudade de casa. Mas não demorou para entrarmos numa rua de terra, sendo suficiente para eu reafirmar onde estava de verdade.
Peço que me lembrem de na próxima trazer, no mínimo, um par de botas. Estou atravessando a semana da montaria dentro da calça, e tudo o que eu tenho é um all star! Além de ver muito chapéu country também. O contexto é completo.

O rock country faz o estilo bang bang alternativo, com porta-balcão e copos sujos. Uns goles a mais e eu estaria num estado de plena loucura. Logo eu estava sofrendo com meu velho problema, em pertencer à classe de quem nao faz musica alguma... Mas eu não estava sozinha nessa, e quem passou pela mesma ideia não pensou duas vezes antes de confessar cada uma das impressões. Não há mal algum, enquanto isso guardo meus comentários e os olhares que eu, auspiciosamente, reparei.
O ônibus todo velho e acabado, as músicas, o frio interminável, a chuva chata e o cachorro-quente aprovadíssimo pela vigilância sanitária. Tudo tão absurdamente natural e agradável. Por mais que me faltassem comentários e conhecimento musical, o momento era peculiarmente adequado, apesar de poder ser diferente com um detalhe a mais.
Pra fechar a noite, música ruim e espontaneidade. Vassoura e a mãozinha que não tocou. Chuva, chuva e mais chuva. De novo estava eu, concluindo que o destino fazia nos ajudarmos, e eu não faltava com a sinceridade. Ate então ninguém havia me feito nada. Não minto, realmente procurei uma fivela familiar na multidão e fiquei imaginando qual seria o tempero da situação...
Mais uma experiência pra ser computada no arquivo da saudade. Já não quero ir embora.

Frase do dia: Dance, a dança da mãozinha.
Expressão do dia: Ai que menina linda!
Palavra do sono: Quiiiiso?

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Across

Diário de férias dois.
Sou uma pessoa de falar. Meu pai que o diga, coitado, sempre fica pelos cantos resmungando que eu falo demais e abafo o som da televisão. Mas, eu também sei ficar bem quieta, principalmente quando isso é o que eu não quero. Isso me torna uma pessoa de palavras. De novo, e quase somente.

Com o tempo aprendi que o silêncio tem bastantes detalhes o tornando rico. Observo, pois te pedi para sentir-se à vontade. Talvez eu seja uma das pessoas que mais saiba o quanto é chato ficar fazendo sala pra visita com cara de fome. Só que eu não faço cara de fome, nem mesmo faminta.
Quando a televisão resolve falar por nós, a situação fica ainda mais confortável para que eu repare nos detalhe, e processe um por um sem ter que reagir a todo instante. Alguns surtos me lembram de que estou onde por muito eu quis estar, fazendo com que eu participe como posso. Não fica difícil quando posso perguntar sobre as diferenças o tempo todo.

Não demora muito pra que eu me sinta parte de tal, ainda mais em meio de toda liberdade e planos que eu sempre quis fazer. Me pergunto se quem me vê passar na rua sente que não sou dali, pra mim já não há diferença. Algumas situções pouco constrangedoras depois, me vi jogando sem reclamar por perder. Vi coincidências musicais e intimidade. Eu estava, de fato, me sentindo muito bem alí, ainda mais depois de não detectar dicas demais de que alguém ainda pensava no plano A. Eu estava alí, apertada no sofá, me vendo nas revistas sempre sorrindo, e ao lado da outra metade. Dentro e fora das revistas.

Novidade do dia: Jogo da colher; cachorro-quente sem molho, com tomate
e muita cebola.
Expressão do dia: Como assim, minha gente?

terça-feira, 7 de julho de 2009

Mirante

Diário de férias um.
Em algumas famílias a inteligência é marca registrada do filho em relação ao pai, em outras é o cabelo ruivo dos irmãos, ou até mesmo a estatura alta de todos os primos. Já na minha, o que me faz ser filha da minha mãe, é o senso dramático e a falta de pontualidade. Afinal, apesar de ter saído de casa com duas horas de antecedência eu beirei momentos de perder o ônibus. Por motivos que fogem do nosso controle, mas são atraídos pela nossa incapacidade de cumprir horário e prazos de antecedência.
Em todo caso, o que interessa hoje é que ofegante e descabelada, ou não, entrei naquele ônibus rumo ao ar puro. Com os nervos estourando à flor da pele, eu poderia jurar no dia anterior que não havia necessidade de trocar as passagens. Nada que umas respirações fundas, e uma música positiva não tenham me feito ver que aqueles próximos dias seriam bons o suficiente para eu não querer voltar.
Não faltou música e nem capítulos para ler, não demorou tanto assim para eu ser recebida com um abraço de urso e um pisão no pé... Logo eu estava arrastando minha mala exageradamente pesada pela rua, rumo ao número 1426. Talvez fosse a viagem longa, já que eu não podia falar de transtorno com fuso horário, que não deixava aquela fichinha cinza cair e computar os fatos.
Todas as novidades, regionalismos e peculiaridades me agradam. Mesmo que sejam coisa de pai, avó... Tudo tem uma graça diferente. Sempre odiei chegar no meio de festas, por ter que cumprimentar todos os convidados, mas juro que não reclamei por cada pessoa que me foi apresentada. Em certo momento, liguei o piloto automático e boa! Já não podia processar todos os nomes mesmo... Aliás, não sou de Minas Gerais, falo "meu" e não "uai"!
De onde eu sou, o pós-festa poderia ter sido num bar qualquer, ou raramente, na casa de algum corajoso o suficiente para acordar os pais e a rua toda com gritos. Mas, pra quê quando se tem vias publicas a disposição? Nada como caminhar sob um céu absurdamente estrelado sem preocupação alguma. E além do céu enlouquecedor para pessoas urbanas caóticas, ainda havia ali as luzes da cidade e a estrada rasteira.
Um violão, poucas garrafas e muita disposição numa terça-feira. Não poderia haver ambiente mais excêntrico e agradável pra minha chegada. Não nego, quebrar os planos é sempre mais atraente. Ainda mais depois de olhar o inacessível. Diálogo médio e algumas cutuveladas desnecessárias depois, lá estava eu, com o pior discurso que poderia ter.Eu não devia ser tonta desse jeito, mas tudo bem. Estou me permitindo não pensar demais e aproveitar.
É tudo culpa do céu... Pode crer que serve como um bom argumento pra mim, aquela sensação de infinito, com o tal vento fresco nos pensamentos. Tudo bem, disseram-me que estas seriam as férias para contar aos netos, mesmo...
Expressão do dia: "Parece um sapinho jogando basquete!".
Frase do dia: "Jeans do Billy, não rasgou!

domingo, 5 de julho de 2009

Risca de giz

Não deveria me precipitar tanto quanto eu sempre faço... Mas, eu devo gostar mesmo disso. Não há cálculos exatos que substituam a sensação livre de segundas-feiras. Logo hoje que é domingo... Essa falta de concentração, sobra de energia, e vontade de ser absurdamente inconsequente. Algo me incomoda muito agora mas, tá longe de ser só fome. O calendário exige paciência, e nisso eu sou quase experiente. O quase é atribuído apenas pela frequência, apesar da falta de prática. Já me vejo falando demais, exagerando e quase perdendo a noção. Mas, eu adoro essa perspectiva. Adoro a ideia de me sentir bem, de estar bem, de ficar bem.

domingo, 28 de junho de 2009

Uma noite

É meu subconsciente. Somente ele e nada mais. Não demora pra ele se acostumar e parar de interferir na minha brilhante racionalidade feminista. Já quis o que não pude e não me arrancou pedacço algum. Só me fez mais forte.

"Eu procurei em outros corpos encontrar você. Eu procurei um bom motivo pra não falar. Eu procurei me manter afastado, mas você me conhece eu faço tudo errado. Tudo errado. Fim de semana eu sei lá, vou viajar, vou me embalar, vou dar uma festa, vou tocar o putero vou te esquecer nem que for só por uma noite.
Mas só de ouvir sua voz eu já me sinto bem, mas se é difícil pra você tudo bem. Muita gente se diverte com o que tem. Eu procurei em outros olhos enxergar você. Eu procurei um bom motivo pra não estar lá. Eu procurei me manter afastado, mas você me conhece eu faço tudo errado..." (C. B. Jr - Só por uma noite)

sábado, 27 de junho de 2009

Lobato

Não poderia ser uma festa natalina, dia das mães, apresentação de ginástica rítmica ou ação de graças. E nada disso é culpa das bandeirinhas que indicavam a festividade junina. Elas funcionaram como simples adornos. O fim justificará a introdção.
Em meio a uma aglomeração de conhecidos e amáveis desconhecidos não havia como fugir sem faltar com a educação. Mas, nada que pessoas com menos educação ainda não possam cortar a conversa e salvar a falta de assunto.
Eu só não senti a sensação de um dejà-vú porque me lembro perfeitamente do cenário anterior. Porque as condições foram tão parecidas que se isso não for charme e implicância, é personalidade. O orgulho transbordando pelas listras pode te dar sensação de poder, mas pra mim te ver quase amuado esperando reação é fraqueza. Poder passa s ser merecimento de quem faz e tem a situação na palma da mão.
O raciocínio já conhecido de sair quebrando a cara para não me odiar pela manhã foi o mesmo porém, quase tardio. Quando o relógio quase quebrou eu pude perceber o quanto aquilo tudo era importante e faria sentido pra mim. Mas, como que para compensar a não-surpresa da sua presença, pude surpreender-me com a sua reaparição. Meu subconsciente está tão calejado com a teoria que automaticamente faz a contagem para o consciente criar (ou acionar) as pernas, e juntar fragmentos rápidos como as batidas cardíacas. A cena nunca muda muito. O meu excesso de palavras, sua sobra de vergonha. Mas, opa. Essa cara e essa pressa eu não conhecia. Sou eu que te mando não se atrasar!
Se eu pudesse ver a minha cara no instante seguinte ela, de fato, seria um tanto quanto interrogativa. Acho que ninguém absorveu muito daquilo tudo. O apoio provém de uma grosseria altamente peculiar e geniosa, da qual eu não deveria mais dar muita atenção. Em contrapartida, a mesma mente é sempre a responsável por me levar a atos de loucura. E quase como uma volta por cima já me sujeitei à observação, campo de iniciação. A novidade é algo de fato, novo. Está anotado, graças aos olhares de volta.
Mas, uma conversa normal me pegou de supresa, em ambos sentidos, me arrastando para de trás de bambus. Onde pude constatar friamente sua falta de jeito e insegurança. Se tivesse parado por ai, não teria sido nada novo pro seu perfil. Nada pior que risadas espontâneas e, com os olhos, direcionadas para causar dúvida. É algo como sentir-se patética por tentar, por não esperar. Onde acaba todo o encanto de ser idiota, e passa a ser alvo de comentários destorcidos pela própria fonte.
Como diria a minha mãe, pessoas da cidade com falta de jeito para com tudo e vergonha demais, não precisam nem mesmo de chapéu e camisa xadrez. Ainda me acho otimista por natureza por imaginar continuidades felizes e floridas. Tudo bem, quem disse que essa tambem não pode ser uma boa continuidade? Encerro meus esforços, distribuo meu tempo e abro as gavetas. Se ainda não foi: adeus.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Nozes

Não preciso ao menos pensar em me enganar, mentir para mim mesma seria burrice demais... É óbvio que grande parte inconsciente nutria esperanças esfarrapadas. Como não foram atendidas, acho até melhor, cair na tentação por falta de orgulho não nutri auto-imagem.
Pra que se preocupar em nutrir imagem quando se tem pessoas de papel, prontas para preencherem lacunas? E eu não ouso me sentir patética por isso, apenas aceito a condição que as próprias pessoas criaram para elas. Aceito e uso, muito bem por sinal. Agora eu posso entender porque algumas pessoas possuem o vício da isca. É extremamente gratificante sentir-se à beira do barco enquanto ainda se está no mar. O ego agradece.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Terra batida

Sinto-me injustiçada e desgastada por ser tomada de surpresa por algo já batido. Mal posso aceitar sua incredubilidade por suas palavras não surtirem efeito. Passa a ser fácil exigir de mim uma postura otimista extrema e, principalmente, desapego quando nunca se está sozinha e em tempos acredita estar morrendo de amor.
É como estar satisfeito e julgar alguém com fome. Inteiramente injusto e sem fundamento. Você se esforça por não falar da sua devida alegria de viver. Algo difícil perto de quem tenta sem sucesso ter alguns dias de conforto e certeza. Muito difícil... Reconheço a boa vontade e dispenso o sermão.
Não me peça para trair a mim mesma. Não me peça para engulir algumas verdades. Porque isso tudo eu posso fazer sozinha.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Laranja

Surreal e quase utópico. Quase, pois apesar de eu ter escrito "su", tudo isso é de fato real. Eu tentei deixar as coisas fluirem normalmente, mas os nervos quase explodiram à flor da pele. Respirar fundo é um segredo e tanto.
Começar do zero é uma tarefa difícil. Difícil, impossível jamais. Ainda mais considerando todos os instrumentos disponíveis para tal. Não perdi tempo em notar o quanto a realidade é outra. Os personagens são outros e não há comparação viável. Mas, hoje até os pontos positivos me assustam. Desesperam o suficiente para minha vontade de correr de costas ser considerável. Cifras me seguram. Futuro me segura. A pressão não é pouca, o tempo livre é escasso e o medo é absurdo.
É meu sonho dependendo unicamente de mim mesma. E para ele não posso dar as costas.

sábado, 20 de junho de 2009

Mendo

Esqueço tudo o que veio antes. Para mim os minutos não foram o pós, mas sim o evento propriamente dito. Nesses simples momentos eu me fortaleço, enxergo o horizonte no fim da estrada e faço planos. Algo como viagens loucas, com poucas blusas e nenhum calçado além de chinelos. Umas idéias malucas dentro de uma Kombi e risadas.
Já não demora para estarmos ao sol do meio-dia com óculos de sol e chapéus de palha. A gente ri incansavelmente e corremos pela areia, vestindo umas saias compridas e malucas.
Nós três estamos livres, otimistas, e felizes. Sem sair da cozinha.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

On the table

Não são os livros, nem biscoitos ou cozinheiros. São bem melhores que isso para esquentar essa sexta-feira super gelada.
Chegou, foi e passou. Sem hematomas e êxtase, apenas não passou batido.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Abracadabra

Egoísmo. Obviamente esse é um sentimento que leva seres com corações a sentirem inveja.
Sempre me falaram muito sobre inveja como algo unicamente ruim... Não que agora eu me ache capaz de comprovar como a+b que inveja é algo bom. Não me arriscaria nessa matemática barata! Estou mesmo é falando daquela inveja que bate de canto, naturalmente e sem o cruel objetivo de arrancar o utópico dos outros. É puramente um sentimento onde revela-se um reconhecimento de dentro pra fora.
Não posso simplesmente compreender como algumas pessoas conseguem o que querem sem grandes esforços. Enquanto utilizo minhas fichas e meus esforços para ser. Ser e estar.
Quando fecho os olhos para tentar achar alguma resposta convincente, escuto algo sobre tempo, algo sobre ter paciência e esperar. Como quando menos esperar irá aparecer.
Mas, começo a folhear alguns livros para recolher informações. E quando peço ajuda me aconselham a correr atrás. Mas, eu queria saber qual seria a resposta se eu perguntasse sobre o que há de errado. Já me esforcei para esperar, ainda mais para buscar e até mesmo fingi não estar nem aí. E nada.
Cansa bastante viver aos tropeços, onde às escuras vou vasculhando algo para me apegar. Cansa passar cada uma das valetas sem ter pelo que recompensar no final.
Não queria nada muito complicado... Um saquinho cheio de carinho e alguns erros para superar seria suficiente. Algo justo pelo o que eu me esforço. Como cores e borboletinhas.
Não tento repitir e copiar, nem mesmo tento ocultar meus defeitos. Não preciso que me façam promessas, eu apenas me considero merecedora.
Mas e quando não há mais onde inovar e ninguém pode mudar? Não há conformismo, não há como perder o que ainda não se tem.
E temos tão pouco tempo...

domingo, 14 de junho de 2009

Suíça

Certas situações demonstram risco. Não vou mudar, mas minha postura passou a ser outra. Afinal, são seis anos de consideração contra um ano e meio de carinho recíproco.
Se meus dedos agirem após meu consciente relutar, será para apaziguar. Para evitar situações comuns e infantis demais, onde a falsidade vem muito acima da consciência leve.
Nesse momento, preciso tentar pensar em mim. Nesse momento, nada como ser um país neutro.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Eco

Está tudo bem, está tudo certo. Não pense que dessa vez vou me sucumbir a possibilidades que te favoreçam. Hoje apostarei nas piores possíveis, afinal elas me fortalecem permanentemente. Está tudo realmente certo se você acredita que assim tem que ser, eu nem mesmo penso em abaixar minha cabeça.
Já passei por coisas, de longe, muito piores. E aliás, eu me conheço, sei que assim sou bem melhor.

sábado, 6 de junho de 2009

Alicerce

Essa programação pacata me agrada mesmo. E a perspectiva menos dramática me equilibra. Mas, aposto algumas moedas que isso acontece devido a alguns quilômetros longe da minha fraqueza. E isso é tão egoísta... Mas, hoje eu não quero dar a volta por cima, não hoje.
Não demora nada para que eu seja pega novamente com a sensação de crescimento. A vida realmente me surpreende, e eu não demoro nada para reconhecer que a figura forte e confiante é tão vulnerável a erros como eu. Isso é tranquilizador, tanto pelo lado egoísta de não ser a única a sofrer, quanto pelo lado incentivador de ter tanto potencial quanto.
Igual para igual. Vejo tudo por um lado simplório e viável, onde a amizade cresce surpreendentemente. Daí a gente entende que nada é como nos filmes, principalmente na parte em que as amigas de infância viram madrinhas de casamento. Por mais frustrante que seja, é também muito bom.
Eu, de fato, não seria metade do que sou se não tivesse sofrido no começo. Numa visão geral, posso até arriscar que já me torcei mais forte do que quem sempre me pareceu inabalável.
Não há do que se queixar, tenho muitas histórias para enfrentar e um belo alicerce para me escorar.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Quadriculado

Essa história hipócrita de certas pessoas serem mais bem cotadas começa lá atrás, onde eu ainda não tinha muita vocação para ser vaidosa e destruia as piadas dos meninos. Consegui respeito e aprendi fielmente que não precisaria me rebaixar ao que nunca fui para ser alguém legal. Logo, não fui bem cotada.
A gente cresce. E muda. Porém, em alguns sentidos não. Meus princípios continuam os mesmos, mas aprendi a misturar melhor. E passei a perceber que a ausência de cotação é sinônimo de verdade.
Nacionalidade em forma de comida, pouca desenvoltura gastronômica e muito assunto. A perspectiva de um sábado sem garçons é tão adequada e... bem cotada!
Vejo o quanto mudei e aprendi. São fases e mais fases, mas me sinto bem cercada como nunca. E esse mesmo bem-estar me lembra que reconhecimento pode estar oculto.
Novamente me remeto aos números, mas os uso somente para demonstrar que as cotas não são fundamentadas por cálculos confiáveis. O que há de mais interessante, geralmente está por trás de qualquer sistema classificatório.
E no fim, somos todas iguais nos problemas e às vezes mais práticas para resolvê-los. A diversão é a mesma, a risada é pela mesma piada e as circunstâncias não variam muito. Com uma única diferença: ser bem cotado te torna mal falado.

sábado, 30 de maio de 2009

Altruísmo

Não é sede por piedade que me faz tomar as dores dos outros. Devo ter herdado da minha mãe esse tal coração mole que quase gosta de passar por cima dos próprios batimentos para zelar pelos dos outros. E repito: nada de piedade.
Mas nada posso fazer se uma tarde pacata, um pouco fria e com alguns raios de sol tornou-se um dia cheio de voltas. Com todos os devidos personagens presentes, qualquer roteirista romanticamente normal, e clichê teria dado continuidade lógica para a trama. Porém, o destino quis surpreender os telespectadores logo hoje... E o frio aumentou diretamente proporcional aos acontecimentos.
Entre pequenos intervalos serenos para conversar, eu mantia-me aquecida com minha blusa, e ainda meio encoberta com a falsa sensação de que o que me espera não estava naquele loteamento. Pensando que talvez a sorte teria se voltado para mim.
A situação mudou, e eu desviei os pensamentos para cada fagulha de informação que eu coletava. Não me disseram como reagir, logo meu senso me tornou perspicaz o suficiente para atacar de João. Cada uma das frases rapidamente calculadas eu guardei em arquivos, sem analisar profundamente pois naquele instante eu visava quantidade, para depois despejar numa mesa e transformar em qualidade. Antes de qualquer atitude eu já me perguntava como contar isso a quem realmente precisava saber, depois do ato consolidado eu já misturava raiva com pena e transparecia desaprovação.
Em outro cômodo outra vida que zelo, ainda mais eu diria, passava por altos e baixos numa confusão de passado mal curado com presente misturado. No fim, me vi sentada em meio a pessoas que não fazem parte da minha vivência, pensando naquele acúmulo de problemas alheios prestes a sugar minhas energias.
Fugir foi uma boa tática. Ainda mais depois de um dia que já havia começado agitado, com exames, remédios, soro e agulha, tudo devido a um emocional à flor da pele.
Apesar das canções perdidas, as letras que restaram continham as palavras que calharam adequadas à situação. Não demorei em observar o céu escuro ao cantar a música escolhida a dedo.
Nem sempre vencer é a melhor saída, manter a cabeça erguida e consciente do meu melhor é um bom começo.

"Faço o melhor que sou capaz, só pra viver em paz" (Los Hermanos)

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Colisão Inelástica

Eu troco a surpresa e todo provável frenesi por frangalhos de certeza. Porém isso não me faz imediata, apesar das listras e dos olhares curiosos por trás.
Diagonal e várias risadas desnecessariamente naturais. A postura despreocupada poderia ser facilmente desmascarada pelo nervosismo hiperativo nas pernas, que mexiam-se freneticamente por baixo da mesa. Apenas postura, eu bem que disse. Afinal, enquanto eu não estiver perdendo, uso minhas fichas. Mais vale tentar do que ter apenas pensado.
O retorno novamente me incentiva a persistir. Palavras cantadas diziam para eu ir atrás dos meus direitos, e não há metáfora alguma nisso. O interesse nas palavras apressadas que eu loucamente mal processo é crucial. Às vezes me surpreendo em como posso pensar em tantos assuntos sequênciais.
Não precisou que ninguém fosse claro com frases cheias de verbos transitivos diretos, apenas a procura pelo encontro dos olhares foi suficiente para que a sintonia se equalizasse.
Os corpos de gravidade 10 m/s e massa de valor não informado percorriam uma tragetória não retilínea em sentidos contrários, onde após desviar de obstáculos ocorreria uma colisão. Perfeitamente inelástica.
Ciências exatas muitas vezes exigem paciência para obter resultados. Paciência eu nunca tive. Quebro os teoremas e fórmulas matemáticas para encontrar a razão das minhas próprias equações. Iniciativa eu sempre tive.
Sem palavras mágicas e respostas consideráveis, ninguém ali estava com dúvidas. Tudo foi tão diferente. Diferentemente novo... E bom. Num piscar de olhos cada dúvida e neurose dissolvem na consciência de que é um processo natural onde naturalidade reflete insanidade.
Isso me remete a uma satisfação pessoal, onde cada uma das quinhentas pessoas presentes podem constatar que cada pensamento tem com quem se ocupar. Mas, não demora muito para as minhas expectativas murcharem... Parece que sempre tentarei lembrar-me de não esperar muito dos outros. Essas são as circunstâncias: aceite-as.
Aceito. Aceito de tão bom grado que não exito muito. Levante. Logo ouço o conforto de que tudo ficará bem, sem metáforas novamente. E fica... A gente se entende!
Ali, naquele tempo espaço posso perceber que desatenções são ingênuas desatenções. E sinto aquela incrível sensação de querer descobrir cada pequeno detalhe, saber dos problemas diários e ser alguém para estar. Você me faz sentir coisas que eu jamais pude experimentar antes. Não se trata das listras ou elegância de loja. É algo com os seus olhos e a sinceridade por trás deles...
Eu provoco e quase pressiono. Não me arrependo de uma fagulha sequer, confio nas minhas impressões. Os pontos positivos sobem, e eu sei que pontuo também. Engulo o orgulho que não tenho e levanto-me cheia de assuntos por quantas vezes for preciso. Apenas mostre-me que estou fazendo certo em abandonar os números. E que você quer me ver de pé. Afinal, sempre preferimos as áreas humanas. Levante-se.

domingo, 24 de maio de 2009

Baú

Chega a ser toscamente clichê, mas é inacreditável como o que um dia foi a última novidade em pouco tempo torna-se ultrapassado. Inclusive me pego imaginando se um dia serei um casal cafona, ou uma solteira chata.
Basicamente três gerações que freqüentaram e aprenderem tudo o que havia de errado no mesmo lugar, estavam juntas. Três conceitos do que é ser uma pessoa legal, três conceitos e duas vivências de como é a vida adulta.
Eu cresci acompanhando a infinita ascensão dessas pessoas modernas. Elas sempre foram legais, atualizadas e impecáveis. Como se fossem casar, ter quatro filhos, um emprego de dar inveja e continuassem a serem as pessoas que ditam o que é passar vergonha e quem define qual lugar deve ser badalado e onde era é freqüentado.
Mas, o papel estranhamente se inverteu. Vejo que aqueles perfis não são mais parâmetros do que um dia eu quero ser. Agora quem é legal aqui sou eu, eu que conheço os lugares que todo mundo quer ir. Sou eu quem sabe na ponta da língua quais são as bandas do momento. E isso está naturalmente certo.
Mas, isto é quase um segredo. Ou quem sabe uma verdade imperceptível aos olhos deles. Afinal, eles ainda acreditam que eu seja uma pessoa bem mais nova, que ainda tem muito aprender. E eles certamente ousariam dizer que os lugares que frequento não são tão legais perto daqueles que eles costumavam ir. Eles nunca se darão conta de quem está nessa fase agora sou eu. E isso está naturalmente certo.
Eu logicamente vou dizer que não me permitirei ser cafona, mesmo quando o mundo tenha novas tendências. Minha época sempre terá sido a melhor de todas, e as novas bandas serão completamente fracas.
E isso? Está naturalmente certo.

sábado, 23 de maio de 2009

Fresco

A respiração já voltou a sua velocidade natural e chorar não marcou mais as nove horas da noite.
O drama excessivo parece finalmente ter desaparecido. E me parece que após muito custo eu consegui aceitar sua naturalidade. E me parece muito melhor desse jeito. Sinto-me como quem passou por uma desintoxicação, e já sente os efeitos de colocar os pés na calçada sem esperar muito de ninguém.
Hoje poderia ter sido completamente diferente, mas não pensa em dizer que poderia ter sido melhor. Meu bem-estar sereno na noite anterior me demonstra um equilíbrio que não precisa muito de impulsos externos.
Já posso sentir quais são os tons de azul mais evidentes. E já posso até mesmo me perceber argumentando contra o que me cerca, ou pelo menos deveria... Olha só, acabei de fazer isso de novo.
Permanecer como está é perda de tempo. Mas, agradeço por ter alguns dias para pensar mais sobre isso...

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Azuis

Neste instante minha cabeça está tão cheia de pensar, que mal tenho tempo para pensar na ridicularidade de certos sofrimentos. Estou naquele certo instante onde cada lágrima incessável busca um verdadeiro alívio, e demonstra uma real situação.
Na primeira vez que me vi diante deste dilema eu tinha uma forte posição, apesar da dúvida. Na verdade, aquele instante não era cercado de dúvidas mas, de medo. Tanto que criei todos os argumentos para provar, antes de mais nada, para mim que a minha pura vontade deveria ser a decisão certa.
Agi da maneira como tive vontade e não me arrependo. Porém, não se arrepender não significa não mudar de idéia... E agora aqui estou novamente defronte dois, ou três, tons de azul.
Não nego minha natural parcela de drama, mas não passa a ser tão patético quando ao invés de se tratar de um detalhe, ser referente a uma grande porta na minha vida.
Meses, reais, sentimentos, comodismo e grande empenho. Tudo gira em torno de uma prova. Esta, que separa dois lados da minha vida.
Nunca estive tão confusa. Decidir seriamente nunca me foi tão preciso. Nunca.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Cintos

Agora eu paro e releio cada memória empenhada no diário da minha vida, e só me restam sorrisos contidos quase nostálgicos, mas orgulhosos.
Novamente entro em sanidade, as terças-feiras são inteiramente propícias a isso. Ainda assim, segui o plano a risca, logo no primeiro dia em que foi posto em ação. Afinal a mesma sanidade que me alerta para a insistência não me deixa perder ganchos importantes. Os cintos alinharam a minha coluna e puseram meu corpo em postura confiante.
Mostre-me partes ruins, transpareça defeitos. Deixe-me te insultar e querer me livrar da sua lembrança. Ou não?
Ego, ego, ego. Como meu mundo pode ser completamente egocêntrico? Já reconheci inúmeras vezes o motivo de certos atos, inclusive já me vi fazendo o inimaginável em troca de algumas colheres de mel. Mas, como é que posso me sujeitar a esse dilema pelo simples fato de querer novamente estar por cima?
Enquanto meus dedos buscavam o nome na agenda encontrei uma dúvida: mas qual é o porquê mesmo? Se eu consigo querer algo que não foi bom, não fica nada difícil querer algo que foi bom. E essa observação eu jamais vou esquecer. Mas, toda essa falsa satisfação de ser bem quista vale alguma coisa?
Mudança de planos: abraçar outros fundamentos, contendo-se às vezes. Até porque ninguém aqui duvidaria que com trinta reais e quatro a frente eu conseguiria um dilema diário.
Não vou esquecer da atenção, da identificação, do respeito e do carinho. Mas, a busca incessante já perdeu o rumo e a vida lá fora me espera.
Desprendo-me sem desespero algum, afinal você não me prestaria um favor forçando-se. Se foi fácil te ver quando eu menos esperava, não duvido que você retornará na hora certa.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Corredor

Não nego que como de costume ensaiei algumas respostas que eu não saberia pronunciar no calor do momento. E pensei em como eu seria vista calçando meus tênis masculinos. Tudo pela falta do que pensar, em conjunto com a proximidade dos portões.
Tudo correu normalmente, até o momento em que eu forçava a vista para enxergar a primeira no painel, da esquerda para a direita. Ao invés de avistar um semblante nítido, deparei-me com cerca de cinco pessoas, onde meus olhos correram nervosos para avistar o que havia embaixo do boné.
Tudo correu numa fração de segundos, afinal num corredor as coisas não podem ser lentas... Ainda bem.
E mais uma vez me pego com o lápis na mão anotando cada um dos pontos faturados. A verdade pode ter sido ocultada mas, eu acredito. Afinal me faltam motivos para acreditar no que não vejo. Aliás, a identificação me leva a crer que estamos no mesmo barco... Não me esqueci de como suas mãos tremiam e como é seu sorriso nervoso.
A ansiedade e a dificuldade em processar boas palavras não fazem parte de mim. Ainda bem que meu consciente é bem treinado, pois naquele momento meu subconsciente estava ocupado agradecendo, boquiaberto.
Ta certo mas, e agora? Ontem mesmo planejei longas noites de sono com pouco, muito pouco drama. O plano continua, com dois adendos: não contenha-se, não esqueça-se da singularidade.

domingo, 17 de maio de 2009

Spots

Por mais que eu tente assumir uma postura indiferente, é incrível o poder que algumas coisas tem de me atingir. E a cada nova tentativa de esquecer por esquecer, eu me pego criando desculpas para salvar as pessoas. Um mecanismo completamente ilusório mas, com traços otimistas.
O otimismo é reflexo de esperanças e ter esperanças, agora, não soa como o mais correto e aceitável.
Enquanto isso, toda (quase) neurose é puramente carência. Afinal, em base no que eu me prendo tanto? Já que tentar viver mais leve, sem se preocupar com detalhes não está sendo possível, a radicalidade deve atravessar a rua. Até porque, o que ainda me resta de orgulho e amor próprio não me permitiria tentar mais em vão.
Responder ainda não está fora de cogitação mas, a prontidão já não será tão exata. Quanto a isso, não se preocupe. Você jamais sentirá os efeitos, pois a luz em que você me viu jamais será apagada.

sábado, 16 de maio de 2009

Rede

Não me condeno por tentar, afinal nunca me permito insistir no que não causa resultado. Não me culpo por pensar em possibilidades mirabolantes que justifiquem a falta de atenção. Não imaginei que existiriam pontos debitados mas, agora que vieram à tona: ótimo! Não espere reação, meus nervos não são de aço.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Luna

Às vezes, nada vale mais para o momento do que a superficial sensação de sentir-se um objeto. Como algo para ser balançado e treinado rumo a uma decoração. Saltos, pernas, sofás. Estar no lugar errado nem sempre é tão errado ou sem sentido assim.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Periélio

Leia cada uma das palavras dramáticas disponíveis, preste atenção a cada frase de impacto, ou composições desesperadamente sem sentido. Agora, esqueça tudo! Simplesmente desconsidere cada sentimento.
Afinal, em um certo momento eu sou tomada por um sentimento de sanidade, que me faz perceber o quanto a dramatização só causa mais dramatização.
É como pensar num outro âmbito comparativo, onde a vida lá fora é muito maior do que essa redoma clichê. Onde enquanto me afundo em detalhes massantes, a vida se desdobra, e contorcionismos muito maiores são feitos para simplesmente haver vida.
É quando eu percebo que todo esse desespero calculista em ter tudo claro, só ofusca mais a visão. Certos processos da vida foram feitos para acontecerem em partes, degrau por degrau até chegar ao topo. E tentar construir mecanismos que me levem do segundo degrau até o patamar em segundos, já não parece vantajoso.
Viver numa realidade restrita só traz mais atos restritos. Pra que conter vontades simples se no final o que vale são as suas conquistas, e não o que você "heroicamente" deixou de fazer?
Não digo que esses sentimentos sejam puramente fúteis e desnecessários. Afinal, a partir do momento que afeta tem a sua importância. Somos compostos de pequenas e grandes atitudes, com relevâncias sem qualquer equivalência. E como uma criança que sofre intensamente por um brinquedo quebrado, eu estou muito bem no meu direito de sofrer por um caso a parte.
Assim eu fico muito mais leve, muito mais centrada, e muito mais feliz. Pronta para encarar os outros problemas, com certeza muito maiores. E equilíbrio nas prioriedades desencadeia equilíbrio nos pequenos detalhes. E equilibrando os - não menos importantes - detalhes, eu encerro minha busca desesperada pelo o que me apegar.
Sem uma busca desesperada quem sabe eu pare de sonhar demais, e narrar acontecimentos utópicos para embalar meu sono diário. Logo, a necessidade de ter a que se apegar, agarrar-se e ligar freneticamente pode transferir-se a engajamentos mais lucrativos. Funciona como um ciclo eterno, onde a força centrípeta sempre irá atuar. Levando ao centro, ao equilíbrio.
O foco racional, e os pés no chão jamais me deixarão perder a base sentimental. Mas, podem me ajudar a observar cada translação que ocorrer.

Furta-cor

Durante o dia sou uma estudante perfeccionista, exigente, que não suporta ao menos ver a borracha suja.
Durante as tardes sou alguém que vê pouca televisão e escuta muita música.
Durantes as noites sou alguém com dores no pescoço, e que toma chá antes de dormir.
Durante o tempo todo sou uma pessoa sentimental, altruísta, levemente dramática e que pensa demais. Alguém que não sabe esperar e que tem mania de resolver tudo de maneira calculada. Alguém que defende e admira a natureza.
E quando ainda há tempo, escrevo. Escrevo porque me alivia, me acalma, e de fato me faz compreender melhor o que eu penso. É quando me encontro e estabeleço meu discernimento. Quando me apaixono e me sinto bem. Quando me mantenho viva!

sábado, 9 de maio de 2009

Elástico

Falta de ação passada já não me deixa em inércia por muito tempo. E eu odeio ferozmente ter que esperar. Eu tento, tento mesmo. Para não me sujeitar ao disparate de ter que ouvir que as chances não batem na porta de casa.
Não consegui ainda estabelecer um juízo se os seus retornos são bons ou não. A ausência certamente me frustaria mas, a presença me faz continuar a tentar. E tentar te entrega pontos, e você não pode pontuar mais que eu!
Novamente as esperanças são embrulhadas em um saco de veludo cor de vinho, e atirado sete metros a frente. Até lá eu vivo cada dia contendo impulsos, eu sei brincar de ser orgulhosa.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Singles Ladies

Todas juntas e com as mãos para o alto.
Os planos raramente seguem à risca o esperado, e isso já não é mais novidade. Três transforma-se em trinta num piscar de olhos e até mesmo pequenas promessas deixam de serem cumpridas.
Não nego que a tentação foi forte, meus dedos hesitaram por cinco dias e conferiram freneticamente o visor do celular. Mas, tudo bem. Sou eu quem, de fato, saiu ganhando. Afinal de nada adianta cara feia se o que foi feito partiu de uma escolha própria.
O silêncio momentâneo levava à reflexão negativa mas, a ausência de borboletas evidencia a presença de um ego parcialmente satisfeito. Se você notar a naturalidade na indiferença, já me torna amante de mim mesma.

Há alguns anos eu jamais me imaginaria em tal situação, sem saber como falar e como agir. Há alguns anos eu jamais te imaginaria assim, tão...
Cada sorriso sincero e piada tímida pontavam lá dentro, e voltavam como pena e nostalgia por toda a proximidade que um dia existiu.
Nunca é tarde para recomeçar, em cada um dos possíveis significados.

Não sei porque tal nome ainda tem tanto balanço. Na verdade, não passa de uma burra insistência e um carinho voluntário.
Naturalidade na despreocupação é indispensável. Inclusive minha cretina mania de olhar por cima do ombro, bem nos olhos. As passadas de perna geralmente desviam atenção, e de fato, seria interessante servir de bom assunto.

Segurança trás sensação de poder. E poder agora é tudo.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Crente

Após umas três horas de frio nos pés e mais umas duas de muita força e condicionador, volto ao meu estado normal. Por um instante eu cheguei a me esquecer de espalhar espuma na parte, até então, encoberta.
Após sustos e saudade explícita, reparei que aquele era um bom momento de manter contato. E cada segundo insano hesitando para pressionar ok são compensados pela agilidade e visível atenção.
Cada demonstração me prende mais ao nada, a essa confortável incerteza. Agora aguenta.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Carreteiro

Toda a energia e falsa sensação de liberdade encerram-se assim que atravesso a rua embaixo de uma garoa fina. E nenhum outro clima poderia ser mais propenso a isso.
Todos os acenos que faço para pedir calma já estão cansados e repetitivos. É como tomar café com leite todas as manhãs, mas sem o gosto adocicado.
Na presença de estranhos as pessoas tentam manter o controle por mais tempo e seguram alguns impulsos. Mas, mesmo assim ninguém pode esconder a essência de uma casa.
Isso me chateia. Não tanto por ser diferente, mas sim por ser desconhecido. Cinco minutos são suficientes para eu voltar ao juízo e correr ao armário de armaduras.
Em algum momento a realidade volta à tona, e isso nunca muda.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Makossa

A locomoção nem pode ser chamada de viagem, pois não teve duração suficiente pra isso. Observar as luzes da cidade em meio ao céu preto e ao som da perfeita trilha sonora pôde me dar uma pequena noção do que me esperava.
Nada como um feriadão de quatro dias sentindo o cheiro do mar. Quatro dias com duas das melhores companhias, com muito trabalho de perna dia e noite.
Um apartamento literalmente vazio, três colchões, uma garrafa de água, algumas sacolas com (quase) comidas nada saudáveis, muitas malas de roupa, e um rádio. Cac, era o nosso cac.
Qualquer sussuro ecoava imediatamente entre as paredes branquinhas cheirando a cal. E a cada espiada pela janela era possível observar a rotina literalmente apertada dos vizinhos da frente.
A longa extensão de areia, e as embarcações indo e vindo. Os passeios no sol, ou no céu nublado. O sol de fritar minha pele de leite, e as noites loucas. A meia verde, o low-fat frozen yogurt. Cada uma das loucurinhas, das besteiras, das verdades, e cada uma dos milhares de risos.
Ah, mas se Santos falasse...!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Peripécia

Somente um perfil que não se enquadra a você se preocuparia com blusas, mesmo após uma explosão que assustaria desprevinidos. Mas não, você cumpriu a promessa de uma outra conversa.
Juntei cada uma das evidências, e estou otimista. Basta esquecer os parâmetros que meu subconsciente suplica e me contentar com detalhes que tudo fica claro. Eu não posso exigir uma reação que eu mesma não teria, devo me lembrar a cada segundo que se você fosse sistematicamente programado para mim, não me seria suficiente.
Às vezes nós somos pegos pelo destino, e testados a tentar acertar uma maneira de decidir por si só. Às vezes os resultados demoram a aparecer, e no fim a gente erra pra acertar.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Explosão

Big.
Não me venha dizer que minha incrível mania de resolver tudo calculado é impulso. Já disse, cal-cu-la-do. Cada uma das palavras ditas, mediante permissão, já haviam sido repassadas mentalmente pelo menos uma vez. E não ouse pensar que a cena foi feita para divulgação e compreensão alheia. Se foi, não passa de uma consequência, porque o que eu fiz foi por mim mesma e mais ninguém.
Já não me preocupo com a possibilidade de ter me precipitado, e dito demais - afinal, eu sempre falo demais. Supri cada uma das minhas vontades e necessidades. Cada letra calhou para o momento, para o meu momento.
Aplausos, ou uma calorosa reação eu não esperava. Não conscientemente. Mas, tenho sempre que me lembrar que as vítimas nunca são perfeitamente certas para as minhas explosões. Não tenho do que reclamar, afinal ninguém se levantou do auditório antes do fim.
Agora sim eu posso tentar deixar as coisas acontecerem, mesmo que já tenha interfirido. Só não pense que a situação se inverte, porque no meu mundo não existem situações. Apenas uma realidade alterada por sentimentos inúteis. E nessa realidade você me ajudou a construir cada frase calculada, cada passo para a explosão.
Bang.

domingo, 5 de abril de 2009

Domingolaridade

Dai-me capacidade lógica e racionalidade. Dai-me menos dramatição, e mais aceitação. Dai-me uma lista com contatos falsos, pessoas podres e cheias de defeitos sociais aparentes. Dai-me.
Pessoas com defeitos não causam decepção, não te fazem esperar. Pessoas sem defeitos quando decepcionam, é pra cair do cavalo. Isso tudo não é pessimista, é racional.
E isso tudo não é pessimista, não é racional. É bipolar.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Quinze para as duas

Tenho horror a correntes, cordas, cadeados. Mas a leve idéia de fitas interligadas fizeram com que eu me sentisse ótima, mesmo que sentada numa mesa com estranhos. Como se todas aquelas silhuetas caminhando estivessem sentido a onda de energia positiva em volta de mim.
É claro que para o mundo todo eu não estava esperando por nada, afinal sou muito forte. Mas, no meu mundo eu sabia que se não tivesse retorno, teria outra coisa: decepção.
Mas, quando eu já estava criando meios de entender que aquele é um processo natural e que há vida lá fora, o visor tomou cor e luz. Nada de decepção.
Acho que sou uma boa atriz, não apelei para um tom afetado e palavras arrastadas. Como se tudo isso fosse muito natural no meu mundo. Claro.
Enquanto houver contato, haverá retorno. Enquanto houver retorno, haverá retorno.

domingo, 29 de março de 2009

Borboletas instatâneas

Você venceu, conseguiu o que queria. Congratulações!
Caprichei o meu ego durante todo o tempo em que foi possível. Eu não fazia idéia do que estava fazendo, mas tudo aquilo me fazia bem. Principalmente pelo fato de acontecer naturalmente, sem intenções escancaradas, ruidosas.
Tartarugas, parentescos, músicas e banjo. Por mais que eu estivesse apenas desviando meu consciente daquilo que meu subconsciente estava afundado, não posso negar interesse. E muito menos todos os pontos positivos que não param de subir na tela do computador.
E a cada aviso sonoro de mais um ponto computado, colheres de pó instantâneo foram acrescentadas, me remetendo a uma situação estranha, conhecida e distante.
Uma situação boa, renovadora, incentivadora. É como dormir num domingo e acordar numa sexta-feira. Sem dias ruins, sem segunda-feira.
Eu me jogo de cabeça, mas tento manter minhas mãos firmes na borda o suficiente para molhar meus cabelos sem perder o rumo. Nessas águas azuis, translúcidas. Aceito ficar submersa enquanto a temperatura estiver agradável, aceito deixar meu cabelo no cloro enquanto ele for em pó instantâneo.
Uma braçada por vez...

domingo, 22 de março de 2009

Venda

Tire a venda que cobre os seus olhos. A venda que te impede de enxergar o palpável. A venda chamada teimosia, burrice, insistência. A venda característica dos seres humanos.
Mas, porque é que você tem que querer sempre o que não pode ter? Saber essa resposta não é mais suficiente.
Você estaria sendo falsa se abrisse os olhos para o conveniente que não a satisfaz? Você estaria fazendo com os outros aquilo que lhe fazem e causa desapontamento?
Não. Você estaria usando a racionalidade, e um pouco do intelecto do seu ego. E fazer um agrado a si mesma, nunca é demais.

sábado, 21 de março de 2009

Tudo de bom

Aquele que nada espera, nunca se decepciona. E sinto muito, mas não consigo ser otimista. Não agora.
Certos detalhes me fazem agir como alguém que não quer abrir os olhos para o óbvio. E mais uma vez me prendi na incerteza enquanto algo mais palpável poderia ser conquistado.
Eu contive cada esperança, cada expectativa e cada vontade para que todas as palavras não fossem jorradas em vão. Mas, dessa vez não pude permitir que não afetasse meu humor, afinal, não havia mais pelo que esperar e eu não podia fazer exatamente nada para mudar isso.
Não é minha culpa, pelo menos diretamente, que eu sempre goste do que me parece errado. Enquanto soa certeiro, não atrái. Passou a conter erros, problemas, desvios, dificuldades? Agora sim!
Eu simplesmente não posso permitir que você faça comigo, o que outros estão fazendo com você. Claro que em seriedades completamente distintas, mas com princípios semelhantes.
Ahh, mas como as pessoas são perfeitas de longe. Tudo nela é tão incrível, inclusive cada defeito e cada erro. É como se tudo isso torna-se ela atraente. Eu e minha mania de querer captar cada detalhe, e ser semelhante...
Eu entendi os poucos olhares, que minhas lentes de contato fracas conseguiram enxergar, e entendi o cumprimento digno de maiores de trinta e cinco anos.
E diante tudo isso, eu quase percebo como você tem falta de tato para lhe dar com esse tipo de situação. E quase me deixo levar pela vontade de te ajudar, de captar e abraçar cada problema. Mas eu não posso.
Certas atitudes não coincidiram com o que eu gostaria de ver, mas eu quase agradeço. Por não ser o objeto de distração.
Tudo bem, eu vou dirigindo pra casa. Agasalhada, mas sentindo cada soprada do vento gelado oprimindo minhas lágrimas. Tudo bem, eu havia sido avisada e quis me arriscar. Tudo bem, me comprometo a viver a parte que me cabe, independente de ter dito demais. Tudo bem, eu ao menos tentei.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Menta ou qualquer coisa assim

Aquele que nada espera, nunca se decepciona. E apesar de eu atingir o extremo do drama, de fato não esperava mais nada. Não esperava por conformação, depois de quase me deixar vencer pelo sofá e pelo tédio caseiro. Mas, sempre carrego um lembrete que diz "Não deixe que ninguém seja responsável pelo seu humor", e eu não poderia mesmo deixar que algo que não chegou a existir me privasse de uma sexta-feira. Afinal, sexta-feira é sagrado.
Mas na chuva, na calçada, e na impaciência, comecei a me deixar perceber que eu esperava. E como esperava. Não sei ao certo se acreditava que tudo de fato seria resolvido, mas ao menos uma mudança de personalidade era o mínimo.
E uau. Eu não pronunciei ao menos um verbete em resposta à palavra mágica. Por surpresa? Não. Era porque no fundo, eu realmente esperava que isso fosse acontecer.
Agora penso que fui apressada em me levantar antes mesmo de reagir. Mas, ninguém ali estava indeciso sobre o que estava por vir, não era surpresa pra nenhum de nós.
Quando eu acho que estou acertando, no fundo estou errando mais um pouco. Erro quando me deixo levar pelo calor do momento e falo demais. Erro quando sinto necessidade de ser correta, e na vontade de ser bem vista pelos outros. Acabo por me explicar demais, acabo por me entregar demais, por ser transparente demais.
Mas, no fim, tudo compensa. E tudo que foi dito dissolve-se no ar por outras coisas mais fortes. Sempre assim.
Aquele que espera, pode se decepcionar. Mas, caso ocorra o contrário a euforia pode tornar-se ainda maior. Eu não sabia se estava agindo certo, se estava sendo o que nunca quis ser, ou se estava desagradando. Fiz o que tive vontade sem pensar em me reprimir. Fora de todas as condutas e linhas retilíneas uniformes.
Eu minto se disser que sabia que estava me precipitando, porque não, eu nem cheguei a pensar nisso. Só conseguia asismilar um histórico de erros, acertos, e o presente cheio de motivações. Eu estava radiante, mas me contive em transparecer nada mais que o normal.
O novo não assusta se você esperava por isso. E repito, eu esperava. Tanto que mal tive tempo de me sentir patética, ou idiota. Cada sorriso, e cada movimento incalculado foram fortes, o suficiente pra eu dormir leve.
E esperar mais...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Ahh, se eu pudesse...

Nem tudo funciona como o planejado, e pode ser que em cinco minutos eu tenha estragado algumas semanas, ou meses.
Ah, mas se eu pudesse trocar os personagens. Ah, se eu pudesse ser menos fraca. Ah, se eu pudesse ser diretamente sincera. Ah, se eu pudesse ser menos burra!
Quem cala consente. E eu me calei pelo resto da noite ouvindo cada comentário indireto e cada história desnecessária.
Tudo bem, eu fui realmente uma estúpida e aceito a condição da cara feia e da má vontade. Aceito a condição da cerveja ser mais interessante que todo o resto.
Eu te conheço mesmo sem nunca ter te visto assim. E tenha certeza que, de fato, não aproveitei cada minuto erroneamente gasto. Ou desperdiçado, afinal...
Metódica que sou, já sairia escrevendo monólogos e treinando discursos convincentes. Mas, não. Calma, não posso me precipitar. Pelo menos dessa vez.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Pudim

Já não me importa tanto assim que os planos nunca funcionem como deveriam, até porque eu mesma já aprendi a considerá-los duvidosos.
Mas, não é porque as circunstâncias tomaram um rumo diferente daquele inicialmente esperado, que não possam ser agradáveis. E acrescenta agradáveis nisso.
De longe se foi a época em que eu saia de casa com uma única e infalível companhia para reclamar. Hoje, meus dias estão sendo marcados com muitas risadas e bom-humor, fazendo com que tudo vire piada e planos cada vez melhores.
Com alguns reais, boas amigas, e lugares legais eu pude ter um início de noite incrivelmente americano. Com direito a acolchoado de couro e festas sujas. Festas devidamente sujas e cheias de copos descartáveis vermelhos.
Dias que aparentemente não parecem reservar grandes surpresas e lembranças amáveis (ou melhor, amorosas), tornam-se ainda melhores quando tudo corre perfeitamente bem abrindo espaço para a alegria. Alegria de viver cada momento simples, mas cheio de significado. Alegria de viver cada plano e cada dia que os antecedam. Alegria de simplesmente viver por estar feliz.
Como se cada comentário não tivesse sido incrivelmente cômico, ainda tivemos o momento de decidir entre a partilha do pudim com as amigas, ou a solitária degustação do prato de cocô.
Acima de qualquer sintoma e declaração de carência, não tem jeito: Estou mais do que na fase de dividir o pudim com as amigas, estou na época perfeita para isso.
Feita a escolha, basta planejar as festa quase-americanas – quase, afinal somos limpinhas -, e escolher cuidadosamente o sabor de cada pudim. Escolher, anotar e experimentar.
Afinal, esses você tem que compartilhar com as amigas!