Em algumas famílias a inteligência é marca registrada do filho em relação ao pai, em outras é o cabelo ruivo dos irmãos, ou até mesmo a estatura alta de todos os primos. Já na minha, o que me faz ser filha da minha mãe, é o senso dramático e a falta de pontualidade. Afinal, apesar de ter saído de casa com duas horas de antecedência eu beirei momentos de perder o ônibus. Por motivos que fogem do nosso controle, mas são atraídos pela nossa incapacidade de cumprir horário e prazos de antecedência.
Em todo caso, o que interessa hoje é que ofegante e descabelada, ou não, entrei naquele ônibus rumo ao ar puro. Com os nervos estourando à flor da pele, eu poderia jurar no dia anterior que não havia necessidade de trocar as passagens. Nada que umas respirações fundas, e uma música positiva não tenham me feito ver que aqueles próximos dias seriam bons o suficiente para eu não querer voltar.
Não faltou música e nem capítulos para ler, não demorou tanto assim para eu ser recebida com um abraço de urso e um pisão no pé... Logo eu estava arrastando minha mala exageradamente pesada pela rua, rumo ao número 1426. Talvez fosse a viagem longa, já que eu não podia falar de transtorno com fuso horário, que não deixava aquela fichinha cinza cair e computar os fatos.
Todas as novidades, regionalismos e peculiaridades me agradam. Mesmo que sejam coisa de pai, avó... Tudo tem uma graça diferente. Sempre odiei chegar no meio de festas, por ter que cumprimentar todos os convidados, mas juro que não reclamei por cada pessoa que me foi apresentada. Em certo momento, liguei o piloto automático e boa! Já não podia processar todos os nomes mesmo... Aliás, não sou de Minas Gerais, falo "meu" e não "uai"!
De onde eu sou, o pós-festa poderia ter sido num bar qualquer, ou raramente, na casa de algum corajoso o suficiente para acordar os pais e a rua toda com gritos. Mas, pra quê quando se tem vias publicas a disposição? Nada como caminhar sob um céu absurdamente estrelado sem preocupação alguma. E além do céu enlouquecedor para pessoas urbanas caóticas, ainda havia ali as luzes da cidade e a estrada rasteira.
Um violão, poucas garrafas e muita disposição numa terça-feira. Não poderia haver ambiente mais excêntrico e agradável pra minha chegada. Não nego, quebrar os planos é sempre mais atraente. Ainda mais depois de olhar o inacessível. Diálogo médio e algumas cutuveladas desnecessárias depois, lá estava eu, com o pior discurso que poderia ter.Eu não devia ser tonta desse jeito, mas tudo bem. Estou me permitindo não pensar demais e aproveitar.
É tudo culpa do céu... Pode crer que serve como um bom argumento pra mim, aquela sensação de infinito, com o tal vento fresco nos pensamentos. Tudo bem, disseram-me que estas seriam as férias para contar aos netos, mesmo...
Expressão do dia: "Parece um sapinho jogando basquete!".
Frase do dia: "Jeans do Billy, não rasgou!
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