sábado, 25 de julho de 2009

Boina

Não há Cachorro Grande sem boina, e no meu mundo também já não há boina sem Cachorro Grande. Mesmo sem analisar muito fica fácil reparar que não há Cachorro Grande sem noite divertida. As bolachas, os balões, a roda gigante, algumas garrafas e ausência de preocupação. Essa atmosfera é altamente contagiosa, fazendo com que o show perfeito para se divertir ainda traga um êxtase contínuo.
O raciocínio se torna lógico quando bandas românticas/dramáticas causam reflexão, e bandas (ou a banda) despreocupada causa despreocupação! Veja só, quanta genialidade da minha parte.
O contexto é de uma mesa de bar, com um clima meia-estação, jaquetas de couro ou ternos quase pretos. Onde no caos urbano, cheio de luzes vermelhas e azuis, pernas com meia fina preta, botas e vestido, correm. Sem destino e até mesmo sem pressa. Enquanto olha para trás e ri a franja bagunça com o vento. E as luzes continuam intensas destacando na noite, obviamente, sem estrelas. Em flashes, a mesa redonda ainda está cheia. Pode ser sexta, domingo ou plena quarta-feira. Tanto faz, tanto fez. Não há problemas que não possam ser afogados. Não há noite que vá terminar.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Tempo

Por muito reclamei da dúvida, e esta não há mais. Devo ter questionado os intervalos constantes nos retornos, e estes hoje são certeiros. E certamente notei a dificuldade em falar, e aqui há falta de vírgulas apenas. Questionamentos e reclamações atendidas. Não...
Afirmo com todas as letras o quanto posso me o-d-i-a-r por ser capaz de beirar pela burice. Mas sou como um soldado calejado, já aposentado, que não consegue apenas sentar no sofá e esperar tudo acontecer. Acredito, de fato, que eu mereça finalmente estar num momento certo. Mas meu subconsciente não toma essa situação como suficiente. Parece que ele quer mesmo é me assistir indo à loucura.
Estou observando você sorrindo, e dizendo uma porção de palavras coloridas. Mas enquanto elas me atravessam sem sentido, eu olho para os lados vendo quantas pessoas seriam capazes de encontrar consistência nessas tentativas, desenfreadas, de fazer alguém ser sua. Enquanto não sinto a textura, não percebo o gosto da incondicionalidade, guardo o que posso em caixas e anoto o que quase passa despercebido. Além de mim, outras tambem torcem para que isso venha à tona enquanto é tempo.
É como sentir medo, por não ter tudo sob controle. Por estar atravessando uma atmosfera nova, onde, num piscar de olhos posso ser tudo aquilo que sempre desaprovei vindo dos outros. Não podemos atropelar os minutos, não podemos praticar excesso, e a falta por outro lado. O tempo é assim. Tempo, de novo.

sábado, 18 de julho de 2009

Ouro

Esse tipo de situação me remete ao meu ensino fundamental, onde dentro do meu blusão preto e grosso eu imaginava qual seria o segredo da aceitação. E não há grandes segredos, não há pessoas mais legais e mais merecedoras. Não me desmereço, apenas me desconsidero desse ciclo vicioso de altos e baixos na sociedade adolescente média.
Sempre me pego reclamando dessa sobra de aproximação induzida, masculina, diga-se de passagem, nos momentos onde somente o interesse colecionador fica evidente. Mas, não nego. A relacao é quase a mesma onde o diamante e a grafite provém do mesmo início. Mas aqui estamos falando de ouro.
Se acham que agora estou, digamos, apta a estar onde vocês estão eu apenas agradeço. Gosto de ser o que sou e de estar onde estou. Eu tenho o que você quer. Mas, ficará querendo.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Aligator

Diário de férias sete.
O dia amanheceu frio, mas não demorou para esquentar com o sol. Limpando o céu, deixando à mostra os feixes azuis, que sempre me remetem aos domingos. Mas hoje ja é segunda-feira, e como a maioria delas onde a rotina volta à tona, esta não será muito diferente.
Seis dias foram mais que suficientes para me adequar ao estilo de vida, vícios de linguagem e vivacidade nas coisas simples. Tanto que me pego tentando imaginar como serão os dias a frente sem as tardes na Gabi, os jogos com colher, o excesso de refrigerante, exagero de condimentos, o céu cheio de estrelas, a tranquilidade em caminhar pela madrugada, as conversas antes de dormir... Enfim, cada um de todos que me receberam cheios de simpatia, paciência e boa vontade em me acolher por uma semana. Isso também me faz pensar que como vocês, eu não encontraria a trezentos e tantos quilômetros.
Toda despedida é triste, mas estas, em especial, são sempre um "atá logo", sendo apenas um intervalo entre outros dias inigualáveis. Porém, entrar no onibus, colocar o cinto e acenar na janela, vendo você pra trás com seu sorrisão, mudou o clima. Para contrastar com o sol reluzindo algumas gotas cairam, molhando a base da janela.
Sei que nao demora, afinal não aceito demoras, mas tudo isso deixará saudades. Muitas saudades. See you later...

domingo, 12 de julho de 2009

Maionese

Diário de férias seis.
O acaso, o destino, a sorte ou simplesmente um acontecimento comum. Uma ligação não completada. Uma chamada não atendida. Ou quem sabe a força do pensamento.

Eu deveria estar enxergando nostalgia em cada passo que as pessoas davam. Ou quem sabe fosse o sentimento ingrato de domingo, pois todos estavam combinando com o céu cinza, sem gritos eufóricos, empolgação ou músicas pra dançar. Havia um aniversário ali, em meio a tantas blusas de frio e isso implica com planos e convidados.
Algumas situações constrangedoras típicas, dicas eficientes, colheradas de sinceridade após e eu estava vivendo meu dia de encerramento, minha última chance, as últimas fotos, os últimos esforços em ser alguém que eu gostaria de ser, as últimas piadas, as últimas risadas, os últimos goles. A derradeira.
Poucas palavras, alguns olhares desviados, a colocação distante no retrato. Meu consciente não sabia como tudo deveria ser, apesar de ter seu palpite racional e calculado; Já meu subconsciente tinha total certeza de como queria que tudo fosse, e até mesmo já estava pronto para criar esperanças ou desapontar-se.
Quando meus pés pisaram no asfalto da rua tranqüila, dois braços alheios não pensaram duas vezes em me empurrar, logo após a seqüência ansiosa das sobrancelhas, fazendo aquilo que as minhas próprias pernas não conseguiram fazer sozinhas: tomar proximidade.
Agora mesmo eu posso fechar os olhos e recordar o caminho que me leva ao T da história. A leve subida, o desvio na praça (dado um pouco para a esquerda), a passagem pelo piso mal terminado, algo que deveria ter sido uma fonte, e novamente à esquerda. Após atravessar a rua, a chegada onde deve-se seguir reto. As janelas da academia, as casas beges sujas de terra, o café e do outro lado, logo à direita, a casa da garagem aberta.
A garagem não estava aberta e não havia recepção com robe cor-de-rosa. Mas eu pude tomar cada detalhe decorativo como um cartão de entrada. Mais de dez pessoas, divididas em vídeo-game, violão, pipoca, e um jogo qualquer. Eu fiquei na equipe que mais me identifiquei: a da observação.
Ambiente amplo, três sofás, uma poltrona nos tacos de madeira. Logo na entrada um aparador com um espelho, uma estante para guardar a tevê. Cortinas longas e brancas. À direita uma cristaleira (mais uma, pois já havia outra ao centro), um piano com as teclas cobertas pelo veludo vermelho. Muitas fotos de família e quadros. Talvez formal e com muitos detalhes para a situação, mas após me sentar na banqueta do piano e respirar fundo, meus olhos puderam captar a menina com roupa de bailarina, os copos empoeirados, a escola retratada na tela, o tecido quase rendado da cortina, e até mesmo o tom amarelado que a luz deixou no ambiente.
Meu subconsciente não precisou mostrar muito ao meu consciente, pois somente o interesse incomum ao trocar a partida fictícia de futebol pelo jogo – literalmente – de olhares, já me mostrou o quão perto da família eu poderia estar. Não me lembro ao certo em que momento as pessoas foram tomando outras atividades e o sofá foi esvaziando, só pude prestar atenção na conversa paralela e na atenção redobrada a cada palavra recíproca.
Naquele momento eu teria levado outro empurrão caso minha bolsa ainda estivesse ocupando meu colo, e claro, se isso não fosse tão descarado e grosseiro. Apenas convivi com o gaguejo e as sussurradas nervosas, novamente com a dança das sobrancelhas e algumas risadas. Esperei o tempo suficiente para eu me convencer de estar agindo por mim e não pelos comandos direcionados para dar trabalho, ou função, aos meus braços tão perdidos e sem saber com o que se ocupar.
Algumas boas músicas, explicações sobre quadros e fotografias, promessas sobre o piano e então a boa e velha sinceridade. Meu subconsciente acertou em como as coisas deveriam ser e as esperanças foram superadas, sem mesmo precisar que fossem desapontadas.
Meus ouvidos até então atentos ao som da televisão, à música ou à conversa das garotas teve o foco inteiramente redirecionado quando começou a tocar uma melodia doce, leve e verdadeira. Não era uma música no ipod, tocada no violão ou até mesmo no piano. Eram palavras ditas em voz baixa, com sotaque e pausas cautelosas. Impossíveis de não arrancar sorrisos e evitar que a contagem regressiva se tornasse a cada momento mais dolorosa. Os pedidos para ficar, as revelações, as explicações e os planos datados para seis meses. Em meio à coceira desnecessária no nariz, proveniente da tensão momentânea, eu sabia que podia falar um pouco demais, porém já temia a reação posterior e todos os efeitos da abstinência.
Quando os detalhes captados do ambiente já me pareciam o mais familiar que eu já pude chegar, me chamaram para atender uma ligação. Enquanto eu respondia automaticamente a cada pergunta desnecessária e previsível aproveitei para captar um pouco mais. O bilhete colado logo ao lado do telefone, o calendário, a porta. Ao voltar tudo ainda era meu, e parecia ainda mais real. Real e não menos assustador... Minhas mãos, meu sorriso, minha reação e meu consciente estavam ocupados em processar tudo com rapidez e naturalidade, até que me desvencilhei num reflexo rápido e normal. Porém, não havia nada de errado naquilo, a não ser pra mim. Apesar de toda a vergonha, mantive-me próxima sem mostrar intimidade. Ao invés de lidar com um monstro de sete cabeças, apenas me vi de frente a uma mãe coruja, orgulhosa e simpática. Eu gostaria de poder usar cada dica que ela rapidamente me deu, mas todas elas foram inúteis, dada a distância que eu tomaria no dia seguinte.
Os estômagos roncaram, e mesmo que o meu parecesse nervoso demais para ingerir alguma coisa eu me levantei rumo à cozinha. Tratei de parecer uma boa pessoa e respeitar os limites de um lar, mas em meio a risadas (e mais sotaque) alguém parecia comemorar que todos os quadros, móveis e familiares o estavam vendo acompanhado.
Aquele era mais um cômodo novo e cheio de detalhes, apesar de parecer até mesmo familiar. Era revestido com janelas, havia uma mesa de madeira com várias cadeiras (afinal, sobraram apenas duas pessoas de pé), um armário de pratos e muitas risadas. Devorei meu lanche para que aquele momento desnecessário acabasse logo. Ou talvez eu estivesse realmente com fome. O molho que coloquei no pedaço a ser mordido pareceu ridículo perto dos lanches banhados a condimentos a minha volta. Enquanto um pouco de mostarda fez meu lanche um pouco mais saboroso, algumas pessoas disputavam por saquinhos transparentes com um creme bege. Ah, maionese. E segundo eles, a mais digna maionese caseira.
Ao retornar para a sala, eu já soube que não tinha muito mais que meia hora. Ouvi novamente a música doce em meus ouvidos que ficava a cada momento mais ansiosa, apressada, desesperada e quase triste. Ouvi uma música no piano seguida de frases superprotetoras. Reconheci a pasta de dente e segurei a vontade de rir por um ato tão engraçado e cuidadoso. Quando uma terceira voz, que até então só me deu empurrões e broncas, avisou que onze horas chegariam a quinze minutos, eu mesma pude sentir minha música desesperada e ainda assim otimista tentando ser desapegada. Tudo o que foi contido acabou por ser dito, e o que seria precipitado ou exagerado ficou guardado no silêncio com cheiro de roupa nova.
Despedi-me calmamente de cada pessoa na sala, agradecendo, sorrindo e prometendo meu retorno ansioso. Dez minutos. Um comparativo de altura, e a planta enroscando no meu cabelo. Quando o carro branco chegou, eu processei que não me restava mais um minuto sequer, apenas segundos urgentes. Eu volto, foi bom, cuide-se. Três curtas frases quase frias para conter o que deveria ficar guardado.
No banco de trás do carro, eu não ousei olhar para trás. Não deveria começar mal essa história de seis meses. E no vidro embaçado eu tive a besteira de escrever com o dedo a inicial do meu nome, só para distrair a felicidade e a nostalgia antecipada.
Enquanto eu guardava as últimas peças, recolhia o que ficou espalhado e procurei pelo o que poderia ser esquecido, fui tomada pela tristeza de já ter chegado a hora. Por ter passado tão rápido e por ter sido tudo tão incrivelmente bom.

O acaso, o destino, a sorte ou simplesmente um acontecimento comum. Uma semana bem aproveitada. Uma viagem bem vivida. Ou quem sabe uma fase boa, fechada com chave de ouro.

sábado, 11 de julho de 2009

C ou S

Diário de férias cinco
O maior sinal de que você acordou tarde demais não é chegar na cozinha e ver o almoço na mesa, é chegar na cozinha e o almoço já não estar mais na mesa... Mas talvez isso seja o melhor das férias: não ter horário, muito menos tempo ruim. Por mais que do lado de fora o céu esteja cinza, a temperatura tenha caído e tudo se resuma em água.
Quando São Pedro, ou sabe-se lá qual é o santo da meteorologia, deu uma chance pro nosso sábado, já estávamos a caminho de mais uma pérola interiorana. Quer dizer, uma pérola pra mim apenas...
As mesas de sinuca, a iluminação fraca, a entrada precária, a escada de pintura completamente fora de situação, o caixa escondido, o bar sem garrafas. O palco sem incrementação nenhuma, e as portas de enrolar abertas deixando a luz entrar. Toda a luminosidade focada nos equipamentos simples, deixando apenas sombrar pra quem observava de frente. E também a possibilidade de tornar-se cego em instantes.
Muita espera, pessoas típicas, alguns olhares, uma foto e muita música ensaiada depois, lá estava eu: vivendo um dos meus maiores dons. O da admiração. E talvez também o da paciência... Algumas pessoas não conseguem se conter, ou melhor, fazem questão de não se conter.
Não pude conter minha criatividade interagindo com o imaginário... E foi como estar fugindo pra Tijuana, vestindo jaquetas de couro, curtindo um pub mal lavado. Podiam estar me irritando, forçando a barra, fazendo pouco caso. Podia estar faltando assunto, sobrando cansaço, fome e vontade de sentar. Eu podia quase me sentir entediada, porque ainda assim tudo isso não seria suficiente pra abalar minha realização de estar curtindo um típico Clube do Rock.
E quando soltaram o pé do acelerador por poucos instantes, num solavanco aceleramos de novo. Um número inexato de pessoas, uma mesa comprida, duas garrafas, e muitas palavras mal combinadas na maioria das vezes.
Casa, cadeado, cachorro, computador, crioulo, carrapato, sapato, saia, sapo... Pode tomar!
A sinceridade ainda me assustou, ainda mais descarada e mal educada daquele jeito. Não estou numa competição, e não pretendo lucrar mais que ninguém só para não me sentir roída. Ainda mais nessas circunstâncias.
Todas elas ficam pequenas, desinteressantes e dignas de virar as costas como fiz não só literalmente. O céu estrelado, intenso, e quase constrangedor. A brisa gelada (não somente fresca, gelada), dando aquele gás inspirador, além do conforto, da vontade de fechar os olhos e se entregar na vibração positiva. Duvido que alguém ali sentiu o bem estar que eu pude sentir.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Novo Oeste

Diário de férias quatro.
Na primeira trégua que a chuva ousou em dar, já estávamos trocadas descendo a rua do Sesc só pra não perder a mania. Lugares como aquele não são comuns fora daqui, não com este jardim enorme na frente do terreno. O banquinho não era muito confortável, mas a situação estava.
Novamente fui tomada pela sensação de que pertencia ao contexto, e maldita ironia que te senta ao meu lado enquanto faíscas são propostas. Mesmo assim eu espiava por cima de outros ombros na possibilidade de umas pernas passarem rapidamente. Estávamos tão perto mesmo.
Café com gengibre, a combinação perfeita que só poderia ser melhorada com açúcar mascavo, e bem que tinha mesmo. Açúcar por açúcar, bem que tentamos encontrar cana-de-açúcar, mas a busca serviu apenas como desculpa para risadas e fotos domenicais demais para uma sexta-feira.

Falando em sexta, essa não poderia fugir do contexto básico de todas as outras. Eu pretendia não me atrasar e sobrou tempo até mesmo para repor as energias. Tudo indicava que eu precisaria muito delas.
Instantâneo, pequenos planos, uma bota emprestada e pronto: entramos um triz antes de lavar a alma na chuva. O cenário não era velho, estava mais para um novo-mal-acabado, cheio de botas por cima da calça - de novo -, mas a ideia de ficar por lá me parecia boa. Ainda mais após nutrir a esperança da presença certa se dar na ausência certa.
Enquanto a passagem de som era - barulhosamente - feita, pude me sentir ainda mais no contexto e com as companhias certas. Guardando dicas, anotando fatos e reafirmando a ideia de não passar vontade. Mesmo que a noite acabasse assim, já seria válida. Aos poucos as cadeiras acabaram, foram largadas e já não havia ar.
Tudo se resumia em muitos pulmões, muitos copos e muita música sertaneja. E eu me divertia como jamais poderia calcular naquela situação maluca. A presença - contextualmente - errada não alteraria meus planos mesmo que não houvessem ausências.

Porcentagem a mais no meu sangue, e eu só conseguia pensar em como aquilo tudo era bom, a realidade de estar numa noite inesperada com a metade certa. Nada mudaria isso.
Muitos reais depois, mal processava muitas informações. Mas ao sair naquela brisa fresca - ou melhor, completamente gélida -, eu via as luzes correrem rápido enquanto as vozes gritavam e eu mal sentia pisar dentro das botas grandes.
Eu estava realmente realizando aquele tipo de vontade de cinema, de abraçar, rir olhando para o céu e beirar o descontrole. A ultrapassagem do limite natural não poderia ter sido mais surda e feliz.
Não senti o baixo referente ao alto da situação, nem mesmo quando sentamos na mesa da cozinha tentando falar baixo. Eu só podia pedir para terem memória por mim, lembrando-me do que eu - achava que - não poderia lembrar.
Quando a poeira devia baixar, ela aumentava. Eu comia o chocolate enquanto ela revirava redações dizendo precisar estudar. E depois eu mal podia acreditar em como minha letra foi pouco redonda um dia na vida.
Fazia frio, chovia, estávamos com edredon, mas o ventilador permaneceu ligado. Sabe-se lá o por quê. Aliás nada hoje teve muita razão, e essa é a melhor parte.
Tudo aquilo me fazia muito feliz, lembrei-me até de tirar uma foto chamada 110709050440-01, só pra marcar aqui que nada podia ser melhor hoje.

Frase do dia: Me lembra disso amanhã?
Musica do dia: "Você diz que não me ama, você diz que não me quer. Mas fica pagando pau, aah qual é que é?"
Expressao do dia: Crrrrrrr

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Texas

Diário de ferias três.
Após duas manhãs eu já sabia que aquela seria a rotina matutina pelos dias à frente. Ser sempre a última a acordar, pescoçar na outra cama e ver se estava vazia, sempre estava. Descer até a salinha do computador, dar bom dia, ver blogs de moda, desejar roupar, reclamar pelas coxas grossas (os dois últimos feitos em conjunto) e então, almoçar. É, eu disse ser mesmo a última a acordar. Depois disso o primeiro passo era programar o dia todo, ou já se trocar para tal no caso de já estar tudo certo.

Hoje também entendi a normalidade em estar sempre na casa dos outros, falar completamente a vontade e, principalmente, sem se constranger. Mas, é claro que pra mim tudo é muito novo. Inclusive na parte em não se sentir sem graça... O blush não foi propositalmente para disfarçar! Eu realmente passo todos os dias... Sempre caio em situações-trio onde eu não sei por onde começar com a naturalidade. Na falta de tato, aposto na indiferença. Costuma dar certo!
Não sei se o fato, que citarei a seguir, chega a ser o pior ou melhor ponto nessa situação toda. Mas, por ironia sempre acabamos juntas, quietas, e nos ajudando. Morno, isso deve acontecer pra estabelecer um equilíbrio térmico. Onde atrapalha por ninguém querer ser sincero e ajuda por demonstrar racionalidade. Enfim, a noite já prometia ser muito boa e eu mal podia esperar!

Na volta, pasmem! Os carros ficaram parados em fila por alguns segundos, só pra eu sentir saudade de casa. Mas não demorou para entrarmos numa rua de terra, sendo suficiente para eu reafirmar onde estava de verdade.
Peço que me lembrem de na próxima trazer, no mínimo, um par de botas. Estou atravessando a semana da montaria dentro da calça, e tudo o que eu tenho é um all star! Além de ver muito chapéu country também. O contexto é completo.

O rock country faz o estilo bang bang alternativo, com porta-balcão e copos sujos. Uns goles a mais e eu estaria num estado de plena loucura. Logo eu estava sofrendo com meu velho problema, em pertencer à classe de quem nao faz musica alguma... Mas eu não estava sozinha nessa, e quem passou pela mesma ideia não pensou duas vezes antes de confessar cada uma das impressões. Não há mal algum, enquanto isso guardo meus comentários e os olhares que eu, auspiciosamente, reparei.
O ônibus todo velho e acabado, as músicas, o frio interminável, a chuva chata e o cachorro-quente aprovadíssimo pela vigilância sanitária. Tudo tão absurdamente natural e agradável. Por mais que me faltassem comentários e conhecimento musical, o momento era peculiarmente adequado, apesar de poder ser diferente com um detalhe a mais.
Pra fechar a noite, música ruim e espontaneidade. Vassoura e a mãozinha que não tocou. Chuva, chuva e mais chuva. De novo estava eu, concluindo que o destino fazia nos ajudarmos, e eu não faltava com a sinceridade. Ate então ninguém havia me feito nada. Não minto, realmente procurei uma fivela familiar na multidão e fiquei imaginando qual seria o tempero da situação...
Mais uma experiência pra ser computada no arquivo da saudade. Já não quero ir embora.

Frase do dia: Dance, a dança da mãozinha.
Expressão do dia: Ai que menina linda!
Palavra do sono: Quiiiiso?

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Across

Diário de férias dois.
Sou uma pessoa de falar. Meu pai que o diga, coitado, sempre fica pelos cantos resmungando que eu falo demais e abafo o som da televisão. Mas, eu também sei ficar bem quieta, principalmente quando isso é o que eu não quero. Isso me torna uma pessoa de palavras. De novo, e quase somente.

Com o tempo aprendi que o silêncio tem bastantes detalhes o tornando rico. Observo, pois te pedi para sentir-se à vontade. Talvez eu seja uma das pessoas que mais saiba o quanto é chato ficar fazendo sala pra visita com cara de fome. Só que eu não faço cara de fome, nem mesmo faminta.
Quando a televisão resolve falar por nós, a situação fica ainda mais confortável para que eu repare nos detalhe, e processe um por um sem ter que reagir a todo instante. Alguns surtos me lembram de que estou onde por muito eu quis estar, fazendo com que eu participe como posso. Não fica difícil quando posso perguntar sobre as diferenças o tempo todo.

Não demora muito pra que eu me sinta parte de tal, ainda mais em meio de toda liberdade e planos que eu sempre quis fazer. Me pergunto se quem me vê passar na rua sente que não sou dali, pra mim já não há diferença. Algumas situções pouco constrangedoras depois, me vi jogando sem reclamar por perder. Vi coincidências musicais e intimidade. Eu estava, de fato, me sentindo muito bem alí, ainda mais depois de não detectar dicas demais de que alguém ainda pensava no plano A. Eu estava alí, apertada no sofá, me vendo nas revistas sempre sorrindo, e ao lado da outra metade. Dentro e fora das revistas.

Novidade do dia: Jogo da colher; cachorro-quente sem molho, com tomate
e muita cebola.
Expressão do dia: Como assim, minha gente?

terça-feira, 7 de julho de 2009

Mirante

Diário de férias um.
Em algumas famílias a inteligência é marca registrada do filho em relação ao pai, em outras é o cabelo ruivo dos irmãos, ou até mesmo a estatura alta de todos os primos. Já na minha, o que me faz ser filha da minha mãe, é o senso dramático e a falta de pontualidade. Afinal, apesar de ter saído de casa com duas horas de antecedência eu beirei momentos de perder o ônibus. Por motivos que fogem do nosso controle, mas são atraídos pela nossa incapacidade de cumprir horário e prazos de antecedência.
Em todo caso, o que interessa hoje é que ofegante e descabelada, ou não, entrei naquele ônibus rumo ao ar puro. Com os nervos estourando à flor da pele, eu poderia jurar no dia anterior que não havia necessidade de trocar as passagens. Nada que umas respirações fundas, e uma música positiva não tenham me feito ver que aqueles próximos dias seriam bons o suficiente para eu não querer voltar.
Não faltou música e nem capítulos para ler, não demorou tanto assim para eu ser recebida com um abraço de urso e um pisão no pé... Logo eu estava arrastando minha mala exageradamente pesada pela rua, rumo ao número 1426. Talvez fosse a viagem longa, já que eu não podia falar de transtorno com fuso horário, que não deixava aquela fichinha cinza cair e computar os fatos.
Todas as novidades, regionalismos e peculiaridades me agradam. Mesmo que sejam coisa de pai, avó... Tudo tem uma graça diferente. Sempre odiei chegar no meio de festas, por ter que cumprimentar todos os convidados, mas juro que não reclamei por cada pessoa que me foi apresentada. Em certo momento, liguei o piloto automático e boa! Já não podia processar todos os nomes mesmo... Aliás, não sou de Minas Gerais, falo "meu" e não "uai"!
De onde eu sou, o pós-festa poderia ter sido num bar qualquer, ou raramente, na casa de algum corajoso o suficiente para acordar os pais e a rua toda com gritos. Mas, pra quê quando se tem vias publicas a disposição? Nada como caminhar sob um céu absurdamente estrelado sem preocupação alguma. E além do céu enlouquecedor para pessoas urbanas caóticas, ainda havia ali as luzes da cidade e a estrada rasteira.
Um violão, poucas garrafas e muita disposição numa terça-feira. Não poderia haver ambiente mais excêntrico e agradável pra minha chegada. Não nego, quebrar os planos é sempre mais atraente. Ainda mais depois de olhar o inacessível. Diálogo médio e algumas cutuveladas desnecessárias depois, lá estava eu, com o pior discurso que poderia ter.Eu não devia ser tonta desse jeito, mas tudo bem. Estou me permitindo não pensar demais e aproveitar.
É tudo culpa do céu... Pode crer que serve como um bom argumento pra mim, aquela sensação de infinito, com o tal vento fresco nos pensamentos. Tudo bem, disseram-me que estas seriam as férias para contar aos netos, mesmo...
Expressão do dia: "Parece um sapinho jogando basquete!".
Frase do dia: "Jeans do Billy, não rasgou!

domingo, 5 de julho de 2009

Risca de giz

Não deveria me precipitar tanto quanto eu sempre faço... Mas, eu devo gostar mesmo disso. Não há cálculos exatos que substituam a sensação livre de segundas-feiras. Logo hoje que é domingo... Essa falta de concentração, sobra de energia, e vontade de ser absurdamente inconsequente. Algo me incomoda muito agora mas, tá longe de ser só fome. O calendário exige paciência, e nisso eu sou quase experiente. O quase é atribuído apenas pela frequência, apesar da falta de prática. Já me vejo falando demais, exagerando e quase perdendo a noção. Mas, eu adoro essa perspectiva. Adoro a ideia de me sentir bem, de estar bem, de ficar bem.