domingo, 21 de dezembro de 2008

BeiraMar

Falta pouco para as nove horas da noite, e depois de tomar um banho bem quente e relaxante, bastou eu dar uma espiada porta à fora para me deparar com o horizonte sem fim.
Após um ano sem colocar os pés na areia de uma praia, tendo que me contentar com piscinas de azulejos e campos gramados, o cérebro quase demora para processar a visão do paraíso.
Dias de estresse e um pouco desanimados erroneamente, foram oficialmente passados para trás, quando num ponto alto da estrada eu pude avistar aquele mar esverdeado, estonteamente convidativo chamando pelo meu nome.
É incrível como na praia o vento bate - obviamente - diferente, como o cheiro é diferente e como o céu é mais amplo, abrindo um enorme espaço para o sol.
Não hesitei em vestir meu biquíni, e sem carregar nada além de minhas energias e meus cabelos desgrenhados, corri em direção ao mar. Antes, sentindo meus dedos dos pés afundarem livremente na areia fina e branca.
Aah... O mar! Eu mal podia acreditar que estava boiando naquela água limpa, entre ondas quentes e frias, enquanto observava o céu limpo e os raios de sol pairando sob as árvores, faiscando nas pedras grandes e cheias de musgo.
Foi quase como lavar a alma numa primeira ida ao mar. Ou como a realização de um desejo no dia de aniversário. As circunstâncias simplesmente não podem aceitar, nem permitir a falta de bem-estar. Até porque, esse tipo de ambiante não conhece tal expressão negativa...
Uma caminhada de seis quilômetros pela areia firme e molhada fizeram com que eu sentisse o aconchego penetrar a cada vez que meus calcanhares sofriam impacto. E nem mesmo quando meus poros estavam todos arrepiados com a brisa gélida do mar, eu pude desviar meu olhos do encontro entre o céu e o mar - que apesar de unidos, contrastam em cores gritantes.
O sol ainda teimava em queimar, esquanto o céu tomava colorações diversas a cada segundo, anunciando que o sol preguiçosamente começaria a se pôr.
E num horário em que São Paulo está mergulhado no escuro e no caos, Bombinhas (SC) revela um céu lusco-fusco onde pode-se distinguir a linha perfeitamente reta do horizonte.
O relógio já marca pouco mais de onze horas da noite, e ao espiar pelas persianas posso ver as ondas escuras avançarem a areia, revelando bordas brancas de espuma salgada.
Agora, só me resta encostar minha cabeça no travesseiro sentindo de leve a brisa noturna penetrar pela janela, e dormir... Embalada pelo som calmo, tranquilizante e, ao mesmo tempo incessante, das ondas quebrando de leve. Indo e vindo pela praia.





quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Sticky and Sweet

Quando os (mais de) cem dias finalmente transformaram-se no dia 18 de Dezembro, eu quase (QUASE) estava enjoada de ouvir falarem tanto em todos os lugares sobre seus shows no Brasil.
E qualquer esforço a mais passou a fazer parte da diversão. Calor, sol, fome, sede, e até mesmo as 12h sem ir ao banheiro, tudo passou tão banalmente rápido que eu não acredito que tenha sido um esforço heróico.
E enquanto todos reclamavam pela demora e torciam para que ela subisse logo ao palco, eu quase pedia para que demorasse mais. Afinal, não conseguia acreditar que tudo aquilo estava realmente acontecendo, e eu precisava de algum mecanismo que fizesse o tempo passar mais devagar.
Dois pingos caíram do céu, e já foi o suficiente para o estádio do Morumbi inteiro tirar capas de chuva das mochilas, e vestí-las quase com sincronia. Mas, nem isso serviu para eu me lembrar que em alguma parte do meu corpo existia uma sensação chamada cansaço.
E quando o dia começou a virar noite, as luzes se acenderam e as caixas de som começaram a zumbir com uma música que o Brasil esperava ouvir, não pude sentir outra coisa a não ser arrepios. E quando lá longe eu pude vê-la, sentada em seu trono de rainha, vestida de preto e nos convidando para entrar em sua loja de doces, tudo virou um turbilhão de felicidade e de realização. E invonluntariamente lágrimas de alegria corriam sem pudor. E continuaram a correr, durante pelo menos as três músicas que seguiram.
A cada jogo de luzes, efeitos especiais, coreografias, figurinos e qualquer outro acontecimento inédito meus olhos brilhavam, e quando eu pudia voltar para a realidade meu queixo ameaçava cair. E eu mal podia acreditar que tudo aquilo estava realmente acontecendo, que meus olhos estavam captando todas aquelas informações e que meu cérebro as processava.
Ali na arquibancada eu estava realmente perto do céu, que apesar de nublado estava colorido por tons de roxo e rosa, num pôr-do-sol lusco-fusco que só faltou ser salpicado com brilhos. Com a brisa geladinha da noite, a música ecoava em meus ouvidos e meu corpo dançava, explodindo de alegria, num ritmo livre.
As, aproximadamente, duas horas de show foram inacreditáveis e inesquecíveis. Tudo o que dizem sobre sua carreira, sobre seus cinquenta anos, sobre sua influência no mundo, sua música, e sua capacidade de ser camaleoa e ser sempre diva são mais do que merecidas para que ela seja a Rainha do Pop.
Sem dúvidas sempre vou me lembrar de cada segundo de euforia pela qual passei nesse dia, e não vou deixar de contar para os meus netos que sim, eu vi a Madonna.









quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Are you ready to go?

Alguém aqui consegue me fazer entender como é que uma contagem de mais de cem dias foi reduzida à vespera, num piscar de olhos?
Depois de onze (eu disse, onze) horas numa fila que dava curvas, voltas, piruetas, e inclusive atravessava a rua eu consegui garantir meu lugarzinho no show da cantora mais famosa do mundo. Iniciei minha contagem ansiosa para o dia 18 de dezembro de 2008. E ooooops, é AMANHÃ.
Chega a ser pecado eu admitir que estou menos empolgada que em outros dias, mas deve ser um processo normal de quase depressão pós-show.
Preciso recarregar minhas energias, preparar meus pés, pernas, cabeça, e ah, o corpo inteiro. Porque amanhã definitivamente será um dia memorável.
Contarei aos meus netos, e a quem quiser ouvir: Eu vi a Madonna.
"Tic tac, tic tac...The time is waiting"

Reunião III

Tudo bem. Eu sempre tive que ser paciente, tento que (quase) não sofro mais de angústia. Esse não chega a ser um "tudo bem" incrivelmente conformado, mas pelo menos não é um "tudo bem" iludido demais.
Ler tudo aquilo que eu já sei, não soa como repetição. É confirmação e alívio. Não me importa mais se falei mais do que deveria, ou menos, ou de um jeito errado...
Nunca precisarei ser o que não sou para chamar a atenção de quem quer que seja, e o principal: nunca precisarei ser estúpida (em vários sentidos) para conseguir o que eu quero.
Encerro minha participação nas reuniões como olheira, afinal, meus planos agora são os de aproveitar cada segundo em que meus pés tocarão a areia da praia, com a mente livre e orgulhosa de tudo o que consegui realizar e mudar em tão pouco tempo.
Os pinos no tabuleiro estão todos dispostos aos mesmos desafios, estão todos no mesmo barco - ou tabuleiro. Agora que o meu peão entrou em recesso - não na cadeia, e sim no paraíso - ficará sem jogar por algumas semanas, mas continuará sólido e otimista. Ainda há muito para jogar, e para vencer.
Veeeem 2009, veem!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Gira-gira

Por mais que permanecer por muitos minutos em cima de um gira-gira, possa me ocasionar náuseas, devo dizer que é impressionante a sensação de ver os planos de fundo mudarem a cada fração de segundo.
É assustadora a velocidade como o mundo gira incansavelmente. Se girasse mais que isso, correríamos o risco de cair apesar da gravidade.
Tudo isso só me leva a crer que sofrer antecipadamente e pronunciar a palavra "nunca", é pura burrice. Só me resta aproveitar esse clima de fim de ano, onde as pessoas perdem seu tempo fazendo promessas e resoluções para abrir meus olhos pra vida. Vida, vi-da. E viver.
E que o mundo gire mais e mais, gire loucamente, intensamente e freneticamente. Porque eu tenho SEDE de viver cada uma das voltas em círculos que ainda estão por vir.

Reunião I

Entre milhões de risadas e mais fantasia do que ações propriamente ditas, iniciou-se a primeira reunião pós filosofia "Viva Las Vegas". Não há nada que possa ter mais cara de uma madrugada de férias em plena segunda-feira.
É como entrar numa loja de departamentos, e antes de escolher os objetos de decoração, ficar papeando com as comadres sobre qual seria a melhor peça para a cor da sala de estar.
Mas talvez seja um pouco mais complicado que isso. Afinal, objetos de decoração não costumam ter temperamentos instáveis e muito menos orgulho. Mas, principalmente, compradoras de objetos de decoração não costumam serem afetadas diretamente com esse tipo de reação.
Comprar objetos de decoração e seguir à risca táticas da reunião podem ser atividades que cansam e desgastam, mas nada como ter os objetivos iniciais completos e alcançados...

Stand By Me

Não dá nem pra acreditar. Finalmente o trauma do Workbook chegou ao fim. Apesar de todo o alívio de imaginar minhas terças e quintas-feiras livres, já posso perceber que sentirei muita falta.
Depois de cinco anos sofrendo o trauma de não poder dormir após o almoço, e o de contar minuciosamente as faltas anuais, no começo será estranho. Será como ter um buraco nesses dois dias da semana.
Não que eles não possam ser preenchidos com cochilos breves, seriados, e qualquer outra atividade convencional. Preencher duas tardes livres, não será meu problema. Será difícil me acostumar com a idéia de não compartilhar as aulas com as (desde esse ano) sete melhores companhias.
Melhores na hora de compartilhar o fim de semana, as fofocas, os problemas com a escola, os doces, as bolachas recheadas, e até mesmo as poucas lições que a gente fazia. Sem contar as respostas nas provas.
Irei sentir saudades, irei levar sempre vocês comigo. Stand By me.