domingo, 31 de agosto de 2008

What a difference a day made, twenty four little hours.

Dia vai, dia vem. Vinte e quatro horas mudam tudo, ou não mudam nada. Um dia de cada vez, um degrau de cada vez, um comprimido de cada vez. Com intervalos de silêncios intermináveis...
Janelas, portas, borboletas, jaquetas, chuva... Tudo se mistura com o giz de lousa e o 182. Já não sei mais nada, já não quero mais nada.

A cada conjunto de horas em que perco a oportunidade de refletir conforme o sentido de algumas letras, eu mudo de idéia. Mudo de posição, de resolução e de opinião. Já não sei mais qual dos momentos devo aproveitar para me pronunciar. Posso usar o instante errado, e acabar por decidir da maneira errada...

Dez minutos mudaram a ordem das palavras, e a colocação dos pontos finais. Dez minutos mudaram o sentido, o caminho, e o objetivo.

As incertezas só me levam ao nada.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Nervos

Sempre atrasada, atarefada, atordoada, irritada, ocupada e neurótica.
Meus músculos já não suportam tanta rigidez, em duplo sentido. Estou somente aguardando o dia em que eu irei acordar e me deparar com uma ruga gigantesca cortando lado a lado em minha testa. Aí sim será o marco da neurose.com.
Sempre preocupada, ansiosa, pensando em mil soluções, objetivos e principalmente clareza. Tanta dúvida e ânsia pela certeza me leva de volta ao decadente. O decadente que me atrai, que me balança. O decante imperfeito, que me chama atenção por ser impossível.
Mais uma vez o que está ao meu alcance passa a ser pouco. Pouco e pouco.
E ao acordar, tudo não passe de uma crise nervosa.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Autodidata

"Me considero um autodidata pois até hoje, tudo o que não sei, eu ignorei sozinho!" (Millôr Fernandes)

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Catraca

Apaguei a data de quase um mês atrás só pra tentar rabiscar qualquer coisa semelhante a um esboço. Um esboço do que deveria ser um texto digno. Ou até do que deveria - e provavelmente deve ser - um texto ridiculamente chamado catraca.
Catraca que liga dois ambientes, subconscientes que separam a alegria momentânea das mágoas mal lembradas.
Eu realmente sentia saudades do meu dicionário amplamente ilustrado, e dessas músicas incríveis com nexo contraditório.
Tudo bem, minha letra está terrível, com cara de férias expressando um certo congelamento nas extremidades. Deve estar um frio gostoso lá fora, mas pouco importa se eu estou do lado de dentro.
Mal posso crer, mas posso me envergonhar, que este caderno esteja tão mal preenchido. E principalmente, mal posso entender como tudo o que eu escrevo se torna tão mal escancarado, mal resumido e longe dos meus parâmetros de comparação.
Sempre fui uma pessoa de inúmeras tranqueiras, e isso facilmente reflete no papel.
O nada não existe. O tudo é pouco. E o perfeito, é insuficiente.

Pura estética, palavras aleatórias de impacto. Pouco importa...

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Cem

Cem. Centenário. Centésimo. Um e dois zeros. Ou até uma letra C. Um número redondo que desencadeou uma mudança. Desisão tomada, fechadura trancada.
Janelas abertas, juntei cada tranqueirinha, uma por uma. Coloquei em caixas separadas das mágoas, das vitórias, dos amores, e separadamente de cada sentimento de felicidade que passou despercebido por falta de expressão. Lacrei as caixas e atravessei a rua, na tentativa de levar cada fragmento para a nova moradia... Mas fraquejei.
Eu mal havia começado, e já tinha mudado de idéia. Não conseguiria deslocar cada quadrinho das pequenas, e ao mesmo tempo amplas paredes, enquanto deveria sentar à luz fraca do sol para desenhar.
Decisão tomada, mudança desfeita. Com uma rapidez incrível tudo que eu havia empacotado, magicamente retornou aos seus devidos lugares dando a impressão de uma casinha levemente empoeirada, com cheiro de biscoito doce.
Tranquei novamente a porta, reguei as flores do canteiro, e preguei um laço vermelho no centro da porta de madeira escura, e envernizada.
Atravessei a rua novamente, mas dessa vez com as mãos vazias, abanando. Abri a portinha branca que levava a um cômodo levemente branco, com janelas amplas que deixavam a luz do sol atravessar sem qualquer tipo de bloqueamento.
Decorei as paredes de verde, com um toque de marrom. Plantei uma árvore no jardim e sentei na varanda. Desenhos deveriam ser feitos, uma casa tão arrumadinha e ensolarada não poderia ficar tão vazia!
Fazer festa na casa errada, não significa esquecer de espiar a janela ao anoitecer pra conferir se está tudo certo. Não significa que as mobílias foram deixadas para trás, elas só estão acomodadas no lar que as concebeu com o antigo cheiro de biscoito - de chocolate meio-amargo, sempre -, postas como uma boa lembrança a ser lustrada.
O numeral está do outro lado da rua, mas ele ainda contém todo o seu prestígio, mesmo que tenha sido preguiçosamente demorado. Cem!
Cem. Cem dias se estenderiam até dezenove com dois. Cem horas são dois dias e mais dois migalhos. Cem brigadeiros podem sem ingeridos em meia hora. Cem carambolas eu comeria facilmente em uma semana. Cem anos, só podem ser vividos por orientais. Cem anos são comemorados por orientais. Cem é dois e oito, mais um zero. Cem pode ser uma maioria se acompanhando pelo cento. Cem pode ser cento, sem ser cento. Cem pode indicar ausência se for mal interpretado, ou se conter um 's'. Cem pode ser muito, e pouco. Cem reais não dá pra nada. E Cem pode ser dois, se de centavos virar reais.
Cem letras podem ser uma introdução. Cem linhas formam parágrafos. Cem parágrafos compõem uma bela história. Cem histórias, aaaahh. Se estendem do recreio até o instante em que mudam de cor.