terça-feira, 21 de abril de 2009

Carreteiro

Toda a energia e falsa sensação de liberdade encerram-se assim que atravesso a rua embaixo de uma garoa fina. E nenhum outro clima poderia ser mais propenso a isso.
Todos os acenos que faço para pedir calma já estão cansados e repetitivos. É como tomar café com leite todas as manhãs, mas sem o gosto adocicado.
Na presença de estranhos as pessoas tentam manter o controle por mais tempo e seguram alguns impulsos. Mas, mesmo assim ninguém pode esconder a essência de uma casa.
Isso me chateia. Não tanto por ser diferente, mas sim por ser desconhecido. Cinco minutos são suficientes para eu voltar ao juízo e correr ao armário de armaduras.
Em algum momento a realidade volta à tona, e isso nunca muda.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Makossa

A locomoção nem pode ser chamada de viagem, pois não teve duração suficiente pra isso. Observar as luzes da cidade em meio ao céu preto e ao som da perfeita trilha sonora pôde me dar uma pequena noção do que me esperava.
Nada como um feriadão de quatro dias sentindo o cheiro do mar. Quatro dias com duas das melhores companhias, com muito trabalho de perna dia e noite.
Um apartamento literalmente vazio, três colchões, uma garrafa de água, algumas sacolas com (quase) comidas nada saudáveis, muitas malas de roupa, e um rádio. Cac, era o nosso cac.
Qualquer sussuro ecoava imediatamente entre as paredes branquinhas cheirando a cal. E a cada espiada pela janela era possível observar a rotina literalmente apertada dos vizinhos da frente.
A longa extensão de areia, e as embarcações indo e vindo. Os passeios no sol, ou no céu nublado. O sol de fritar minha pele de leite, e as noites loucas. A meia verde, o low-fat frozen yogurt. Cada uma das loucurinhas, das besteiras, das verdades, e cada uma dos milhares de risos.
Ah, mas se Santos falasse...!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Peripécia

Somente um perfil que não se enquadra a você se preocuparia com blusas, mesmo após uma explosão que assustaria desprevinidos. Mas não, você cumpriu a promessa de uma outra conversa.
Juntei cada uma das evidências, e estou otimista. Basta esquecer os parâmetros que meu subconsciente suplica e me contentar com detalhes que tudo fica claro. Eu não posso exigir uma reação que eu mesma não teria, devo me lembrar a cada segundo que se você fosse sistematicamente programado para mim, não me seria suficiente.
Às vezes nós somos pegos pelo destino, e testados a tentar acertar uma maneira de decidir por si só. Às vezes os resultados demoram a aparecer, e no fim a gente erra pra acertar.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Explosão

Big.
Não me venha dizer que minha incrível mania de resolver tudo calculado é impulso. Já disse, cal-cu-la-do. Cada uma das palavras ditas, mediante permissão, já haviam sido repassadas mentalmente pelo menos uma vez. E não ouse pensar que a cena foi feita para divulgação e compreensão alheia. Se foi, não passa de uma consequência, porque o que eu fiz foi por mim mesma e mais ninguém.
Já não me preocupo com a possibilidade de ter me precipitado, e dito demais - afinal, eu sempre falo demais. Supri cada uma das minhas vontades e necessidades. Cada letra calhou para o momento, para o meu momento.
Aplausos, ou uma calorosa reação eu não esperava. Não conscientemente. Mas, tenho sempre que me lembrar que as vítimas nunca são perfeitamente certas para as minhas explosões. Não tenho do que reclamar, afinal ninguém se levantou do auditório antes do fim.
Agora sim eu posso tentar deixar as coisas acontecerem, mesmo que já tenha interfirido. Só não pense que a situação se inverte, porque no meu mundo não existem situações. Apenas uma realidade alterada por sentimentos inúteis. E nessa realidade você me ajudou a construir cada frase calculada, cada passo para a explosão.
Bang.

domingo, 5 de abril de 2009

Domingolaridade

Dai-me capacidade lógica e racionalidade. Dai-me menos dramatição, e mais aceitação. Dai-me uma lista com contatos falsos, pessoas podres e cheias de defeitos sociais aparentes. Dai-me.
Pessoas com defeitos não causam decepção, não te fazem esperar. Pessoas sem defeitos quando decepcionam, é pra cair do cavalo. Isso tudo não é pessimista, é racional.
E isso tudo não é pessimista, não é racional. É bipolar.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Quinze para as duas

Tenho horror a correntes, cordas, cadeados. Mas a leve idéia de fitas interligadas fizeram com que eu me sentisse ótima, mesmo que sentada numa mesa com estranhos. Como se todas aquelas silhuetas caminhando estivessem sentido a onda de energia positiva em volta de mim.
É claro que para o mundo todo eu não estava esperando por nada, afinal sou muito forte. Mas, no meu mundo eu sabia que se não tivesse retorno, teria outra coisa: decepção.
Mas, quando eu já estava criando meios de entender que aquele é um processo natural e que há vida lá fora, o visor tomou cor e luz. Nada de decepção.
Acho que sou uma boa atriz, não apelei para um tom afetado e palavras arrastadas. Como se tudo isso fosse muito natural no meu mundo. Claro.
Enquanto houver contato, haverá retorno. Enquanto houver retorno, haverá retorno.