quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Pudim

Já não me importa tanto assim que os planos nunca funcionem como deveriam, até porque eu mesma já aprendi a considerá-los duvidosos.
Mas, não é porque as circunstâncias tomaram um rumo diferente daquele inicialmente esperado, que não possam ser agradáveis. E acrescenta agradáveis nisso.
De longe se foi a época em que eu saia de casa com uma única e infalível companhia para reclamar. Hoje, meus dias estão sendo marcados com muitas risadas e bom-humor, fazendo com que tudo vire piada e planos cada vez melhores.
Com alguns reais, boas amigas, e lugares legais eu pude ter um início de noite incrivelmente americano. Com direito a acolchoado de couro e festas sujas. Festas devidamente sujas e cheias de copos descartáveis vermelhos.
Dias que aparentemente não parecem reservar grandes surpresas e lembranças amáveis (ou melhor, amorosas), tornam-se ainda melhores quando tudo corre perfeitamente bem abrindo espaço para a alegria. Alegria de viver cada momento simples, mas cheio de significado. Alegria de viver cada plano e cada dia que os antecedam. Alegria de simplesmente viver por estar feliz.
Como se cada comentário não tivesse sido incrivelmente cômico, ainda tivemos o momento de decidir entre a partilha do pudim com as amigas, ou a solitária degustação do prato de cocô.
Acima de qualquer sintoma e declaração de carência, não tem jeito: Estou mais do que na fase de dividir o pudim com as amigas, estou na época perfeita para isso.
Feita a escolha, basta planejar as festa quase-americanas – quase, afinal somos limpinhas -, e escolher cuidadosamente o sabor de cada pudim. Escolher, anotar e experimentar.
Afinal, esses você tem que compartilhar com as amigas!

Vamos fazer virar realidade?

Enquanto eu me remexia na cama de calor e falta de sono, acabei pensando em algumas possibilidades da gente se encontrar, e alguns lugares em que a gente poderia se ver. Por simples falta do que pensar, afinal essa quase-insônia tem me forçado a ter uma criatividade imensa antes de dormir, simplesmente fiz uns pequenos planos caso realmente estivéssemos dispostos a nos ver e colocar a conversa em dia. Nada que tivesse grande destaque, até porque o dia seguinte me parecia ter acontecimentos mais surpreendentes que um simples passeio pela Avenida Paulista.
Eu só não imaginava que quando eu “acordasse” eu estaria realmente prestes a rever seu rosto. Tudo foi combinado de uma maneira bem simples e prática, e num piscar de olhos minha mãe estava me levando para a sua casa, por um caminho que me pareceu ser o do aeroporto – só que o aeroporto errado. Mas, apesar do caminho não me parecer o certo, não demorou para que eu estivesse na sua branca e enorme casa, muito bem arejada devido às janelas enormes de vidro.
No hall de entrada, havia uma chapeleira de madeira, e no patamar da escada – onde as paredes tinham uma coloração azul – havia uma mesa com tampo de vidro, com um vaso trabalhado e branco, cheio de flores. Uma casa grande igual a sua, eu só havia visto no filme “O Diabo veste Prada”.
Para a minha surpresa, fui recebida calorosamente pela sua mãe, que apesar de não me conhecer me tratou como se eu já fosse da sua família. Enquanto eu colocava minhas duas malas grandes e marrons, dentro de um quarto escuro – que mais tarde eu descobriria ser o seu -, alguma coisa aconteceu comigo.
E quando eu me dei conta, estávamos em uma grande festa. Numa festa de quinze anos, de alguma garota que eu mal sabia quem era, e você cansou de jurar que não havia problema algum pelo fato de eu não ter sido convidada.
A aniversariante não deu as caras durante toda a festa, se é que ela realmente existia. Mas eu pude reparar que a organização da festa deve ter sido muito trabalhosa pois o lugar era incrivelmente lindo, tinha ambientes descontraídos com suas paredes vermelho-berrante. Sem contar os espelhos em formatos variados e os globos de espelho pendurados em todos os ambientes.
Eu estava usando um vestido preto de dar inveja, super curtinho e justo. Estava muito bem combinado com saltos altos pretos, bem retrô. E como toque final, eu usava uma maquiagem um pouco pesada, e cabelos enrolados para ficarem propositalmente bagunçados. Tudo estava em perfeita harmonia, com exceção da minha enorme bolsa roxa que minha mãe costurou dias atrás. E algo me leva a crer, que além da bolsa exageradamente grande, eu carregava algumas sacolas de plástico e de lojas do shopping.
A festa estava tão lotada, que grande parte do tempo nós passamos dentro do banheiro. Que além de ser unissex, era todinho revestido por espelhos de ponta a ponta. Os lavatórios eram todos cromados e super brilhantes. A movimentação por lá era tão rotativa e repetitiva que por alguns momentos eu cheguei a suspeitar que o melhor da festa acontecesse por lá.
Quando por fim eu me decidi por usar o banheiro, cerca de duas pessoas simplesmente acharam normal entrarem no reservado junto comigo. E você ficou me olhando com aquela expressão calma, enquanto meu queixo caia. Após observar meu desespero em fase inicial, você apoiou cada uma das sacolas e minha bolsa roxa na pia – afinal, eu pedia incansavelmente para você segura-las pra mim, e me puxou pelo braço delicadamente fazendo com que aquelas duas pessoas esquisitas e com hábitos mais estranhos ainda, percebessem que eu não estava sozinha.
E de uma maneira mais doce ainda, você passou a mão pela minha cintura abaixando até o quadril – onde meu vestido era ainda mais justo – causando-me uma espécie de frenesi, pois por mais que ambos soubéssemos o que estava acontecendo naquele dia, não haviam sido dados sinais de que aquilo realmente era real.
Assim, saímos de mãos dadas daquilo que erroneamente recebeu o nome de banheiro, à procura de alguns de seus amigos. Quando os encontramos, não tivemos outra escolha além de nos sentarmos na escadaria de metal, pintada com um branco contrastante, porque todos os sofás, cadeiras, e poltronas estavam ocupados. Como se todos os convidados tivessem saído do banheiro decidindo sentar-se por um momento.
Aquele certamente foi um dos momentos mais doces da festa. Entre muitas risadas e conversas, inclusive com um dos garçons, eu pude ver como o seu sorriso irradiava felicidade. E a cada momento que você notava meu olhar fascinado pelos seus traços, você sorria ainda mais enquanto fazia carícias de leve na minha mão – que ainda continuava grudada na sua.
Tudo parecia incrivelmente bem e finalmente estável, até que numa fração de segundos já estávamos no carro voltando para sua casa. O carro movimentava-se suave pelo asfalto, mas havia algo estranho novamente. Somente nós dois estávamos naquele veículo, eu estava no banco do passageiro com minha bolsa roxa nos braços, e você estava curvado amarrando o cadarço do seu tênis enquanto mais uma vez gargalhava e dizia estar feliz.
De qualquer maneira, chegamos na sua casa. Você estava com outra roupa, vestindo agora uma pólo listrada vermelha e azul, e eu já não carregava mais minhas sacolas de plástico. Subimos as escadas ainda de mãos dadas, e novamente entre risos nos direcionamos para o quarto onde eu havia deixado minhas malas.
Ele já não estava mais na mesma escuridão de antes, pois havia uma enorme televisão ligada fazendo com que o quarto se enchesse de luz, o suficiente para revelar que haviam pessoas ali. Eram seus amigos, que também pareciam estar se divertindo pois riam muito enquanto jogavam vídeo-game.
Nós passamos abraçados pelo seu quarto, e você observou seus amigos como se aquilo fosse algo corriqueiro. Fomos em direção ao fim do corredor, onde depois de um estalo estávamos olhando o céu. Depois disso, tudo aconteceu rápido demais.
Quando eu voltei meu olhos para nós, você ainda estava ao meu lado, mas agora já havia soltado minha mão para se deitar na esteira em que sentamos. Eu estava segurando um ‘notebook’ no colo, e digitava tudo o que eu gostaria de te dizer, tudo que eu havia sentido nessa noite tão maluca.
Só que eu estava cometendo um grande erro, pois estava enviando isso tudo para outra pessoa que parecia se identificar com cada sentimento enquanto dizia sem parar “Como eu me apaixonei rápido!”. Quando eu realmente me dei conta de que estava me declarando para a pessoa errada, eu entrei em pânico por alguns segundos, e cheguei inclusive a pedir ajudas e conselhos para alguns amigos. Mas foram apenas segundos, porque você voltou a segurar a minha mão e sorriu.
E aquele momento não precisava de palavras, pois aqueles sorrisos e olhares brilhantes comprovavam: nós namorávamos, e como se isso não nos bastasse, éramos muito, mas muito felizes juntos.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Receita: Como ficar feminista em dez minutos.

A receitinha é simples.
Ingredientes: Coloque uma foto em que você se sinta poderosa na exibição do msn (no meu caso, usei de Amy). Antes ou depois olhe bastante pra essa foto, e mentalize o que há nela que faz com que você se sinta MUITO BEM. Depois misture muito bem no liquidificador com algumas músicas adequadas para isso.
Como escolher músicas adequadas: Nada de romantismo, de "meu amor volte para mim". Feminismo não tem mimimi nenhum. Use de preferência músicas internacionais (onde em alguns casos, desligamos a tecla sap, afinal, estamos de férias), pois assim você mesma cria a sensação que achar conveniente com o ritmo agitado. Nada de música clássica, mortinha, e de casinhos antigos. Use de preferências letrinhas sem vergonha (por isso, a música internacional novamente), mas por favor! Nada de baixaria, pra não perder a classe.
Uma boa dica é Madonna (que só tem letras singelas, como "Você sempre irá me amar mais", "Dê pra mim", "Ela não é como eu, e nunca será", "Se você não suporta, tire minha roupa"), e Amy Winehouse que apesar de ter letras depressivamente ligadas ao marido, combina com a foto e pra mim tem estilo e poder.
Como servir: É só jogar tudo num refratário e ingerir. Ou em casos drásticos, injetar no sangue.
É importante lembrar que não pode ser acompanhada de guloseimas, elas destroem sua cinturinha e são utilizadas por pessoas que comem para afogar as mágoas. E nós não afogamos mágoas, somos feministas.
Esse tipo de receite fica mais saborosa se você fechar o orkut, ouut, ou se focar em manter distância de alguns profiles suspeitos.
E principalmente, é importante lembrar-se de suas melhores conquistas, de preferência sociais, equanto consumir.
Bom apetite!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Três, dois, um!

Ativar!
Tudo funciona quase como uma largada, onde em certos dias, como hoje, posso perceber que tudo está apenas começando. E apesar de todos os confrontos entre a ansiedade e a necessidade de extrema paciência que me assombra por toda a vida, eu estou aproveitando cada segundo.

O tempo passou devagar, e cada risada a pilha de copos aumentava. E tudo bem se foi difícil pra levantar da cadeira e captar um ponto fixo!
O banho que eu tomei, iluminado pela luz natural da lua serviu de conclusão: já sei o que quero para parte dos meus dias. Tudo aquilo que eu sempre achei causador de puro disperdício de dias proveitosos, tornou-se característico de boa fama.
Quero mais é que os dias aconteçam, e que venham mais e mais copos de cerveja. Mesmo que isso resulte em confissões desnecessárias...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Oxigenação

Somente hoje a minha ficha caiu. Eu estou definitivamente de volta a São Paulo. Não me restam mais dúvidas de que não posso mais colocar os pés na areia quando achar conveniente. Tudo devido a esse clima paulistano infalivelmente paulistano. Com chuva fina, céu nublado carregado de poluição, e uma brisa geladinha.
Mal voltei para casa e já me faltava o que fazer. E nenhuma idéia me parece mais brilhante do que pegar meu mp4, calçar meus tênis e caminhar. Renovar as idéias. E não precisei andar por muito tempo para conseguir notar que o parque estava inteiramente infectado. De homens.
Com tantas outras coisas possíveis para se fazer (só não me peça para listá-las), parecia que todos os homens mal vestidos e mal-educados de São Caetano decidiram jogar basquete, futebol, ou simplesmente matar tempo vagando pelo mesmo ambiente que eu. Enquanto todas as meninas deviam estar em casa assistindo Mulheres Apaixonadas, eu parecia ser a única corajosa a se aventurar no parque tentando brigar com uma cólica incansável.
Com uma cara feia naturalmente feita, levantei uma única sobrancelha, coloquei Arctic Monkeys num volume razoavelmente alto e fui à luta! E minha nossa, como caminhar me faz bem. Em meio ao clima abafado e novamente paulistano, minha mente corria na velocidade da luz enquanto meus pés aumentavam o ritmo seguindo a música.
A cada grupo de homens pela qual eu passava, meu asco por essa espécie asquerosa só crescia. Eu devia ser realmente a única garota no parque, porque bastava eu pensar em caminhar por perto que todos olhavam e até gritavam alguma coisa que eu preferi abafar com a música frenética.
E a cada visão do inferno, eu realmente estava cada vez mais incrédula em como nós, mulheres, de uma inteligência superior, conseguimos nos misturar com esse tipo de raça.
É incrivelmente odiável a maneira como eles ousam olhar para nós, e argh.
Cheguei até a correr um trecho na tentativa de fazer com que meus pés acompanhassem meus pensamentos, mas nem isso adiantou. Caminhar oxigena meu cérebro de uma maneira inacreditável, e a todo momento eu penso em como poderia colocar cada palavra para formar textos críticos e amplamente cheios de conteúdo.
Entre verbetes, folhas secas, solos de guitarra, cólica, pensamentos odiosos, e muito calor, eu cansei. Cansei e continuei a caminhar, na dura subida até o 453. Enfim, cheguei. Uns trinta tons mais vermelha que o normal, ainda com cólica, precisando de cerca de trinta litros de água, e com a mente cheia de idéias, confiança, segurança e poder.
Eu cada vez tenho mais certeza de como nós, mulheres, somos poderosas. Enquanto corria, eu me lembrei de uma coluna que li numa revista, onde o autor mandava um recado para as leitoras dizendo exatamente isso: somos nós que escolhemos, mandamos, desmandamos e decidimos. Afinal, os homens param para nos ver passar, e estão em nossas mãos.
Não é à toa que somos nós que, na maioria das vezes, recebemos pedidos de namoro e casamento. Pois até eles próprios sabem que somos nós que precisamos decidir tudo.
Os homens que me desculpem, sinceramente. Mas correr me torna poderosa, e loucamente feminista e esse efeito é de longe prolongado. Até porque, tenho mais um mês de férias e pretendo caminhar muito pelo parque.