domingo, 21 de dezembro de 2008

BeiraMar

Falta pouco para as nove horas da noite, e depois de tomar um banho bem quente e relaxante, bastou eu dar uma espiada porta à fora para me deparar com o horizonte sem fim.
Após um ano sem colocar os pés na areia de uma praia, tendo que me contentar com piscinas de azulejos e campos gramados, o cérebro quase demora para processar a visão do paraíso.
Dias de estresse e um pouco desanimados erroneamente, foram oficialmente passados para trás, quando num ponto alto da estrada eu pude avistar aquele mar esverdeado, estonteamente convidativo chamando pelo meu nome.
É incrível como na praia o vento bate - obviamente - diferente, como o cheiro é diferente e como o céu é mais amplo, abrindo um enorme espaço para o sol.
Não hesitei em vestir meu biquíni, e sem carregar nada além de minhas energias e meus cabelos desgrenhados, corri em direção ao mar. Antes, sentindo meus dedos dos pés afundarem livremente na areia fina e branca.
Aah... O mar! Eu mal podia acreditar que estava boiando naquela água limpa, entre ondas quentes e frias, enquanto observava o céu limpo e os raios de sol pairando sob as árvores, faiscando nas pedras grandes e cheias de musgo.
Foi quase como lavar a alma numa primeira ida ao mar. Ou como a realização de um desejo no dia de aniversário. As circunstâncias simplesmente não podem aceitar, nem permitir a falta de bem-estar. Até porque, esse tipo de ambiante não conhece tal expressão negativa...
Uma caminhada de seis quilômetros pela areia firme e molhada fizeram com que eu sentisse o aconchego penetrar a cada vez que meus calcanhares sofriam impacto. E nem mesmo quando meus poros estavam todos arrepiados com a brisa gélida do mar, eu pude desviar meu olhos do encontro entre o céu e o mar - que apesar de unidos, contrastam em cores gritantes.
O sol ainda teimava em queimar, esquanto o céu tomava colorações diversas a cada segundo, anunciando que o sol preguiçosamente começaria a se pôr.
E num horário em que São Paulo está mergulhado no escuro e no caos, Bombinhas (SC) revela um céu lusco-fusco onde pode-se distinguir a linha perfeitamente reta do horizonte.
O relógio já marca pouco mais de onze horas da noite, e ao espiar pelas persianas posso ver as ondas escuras avançarem a areia, revelando bordas brancas de espuma salgada.
Agora, só me resta encostar minha cabeça no travesseiro sentindo de leve a brisa noturna penetrar pela janela, e dormir... Embalada pelo som calmo, tranquilizante e, ao mesmo tempo incessante, das ondas quebrando de leve. Indo e vindo pela praia.





quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Sticky and Sweet

Quando os (mais de) cem dias finalmente transformaram-se no dia 18 de Dezembro, eu quase (QUASE) estava enjoada de ouvir falarem tanto em todos os lugares sobre seus shows no Brasil.
E qualquer esforço a mais passou a fazer parte da diversão. Calor, sol, fome, sede, e até mesmo as 12h sem ir ao banheiro, tudo passou tão banalmente rápido que eu não acredito que tenha sido um esforço heróico.
E enquanto todos reclamavam pela demora e torciam para que ela subisse logo ao palco, eu quase pedia para que demorasse mais. Afinal, não conseguia acreditar que tudo aquilo estava realmente acontecendo, e eu precisava de algum mecanismo que fizesse o tempo passar mais devagar.
Dois pingos caíram do céu, e já foi o suficiente para o estádio do Morumbi inteiro tirar capas de chuva das mochilas, e vestí-las quase com sincronia. Mas, nem isso serviu para eu me lembrar que em alguma parte do meu corpo existia uma sensação chamada cansaço.
E quando o dia começou a virar noite, as luzes se acenderam e as caixas de som começaram a zumbir com uma música que o Brasil esperava ouvir, não pude sentir outra coisa a não ser arrepios. E quando lá longe eu pude vê-la, sentada em seu trono de rainha, vestida de preto e nos convidando para entrar em sua loja de doces, tudo virou um turbilhão de felicidade e de realização. E invonluntariamente lágrimas de alegria corriam sem pudor. E continuaram a correr, durante pelo menos as três músicas que seguiram.
A cada jogo de luzes, efeitos especiais, coreografias, figurinos e qualquer outro acontecimento inédito meus olhos brilhavam, e quando eu pudia voltar para a realidade meu queixo ameaçava cair. E eu mal podia acreditar que tudo aquilo estava realmente acontecendo, que meus olhos estavam captando todas aquelas informações e que meu cérebro as processava.
Ali na arquibancada eu estava realmente perto do céu, que apesar de nublado estava colorido por tons de roxo e rosa, num pôr-do-sol lusco-fusco que só faltou ser salpicado com brilhos. Com a brisa geladinha da noite, a música ecoava em meus ouvidos e meu corpo dançava, explodindo de alegria, num ritmo livre.
As, aproximadamente, duas horas de show foram inacreditáveis e inesquecíveis. Tudo o que dizem sobre sua carreira, sobre seus cinquenta anos, sobre sua influência no mundo, sua música, e sua capacidade de ser camaleoa e ser sempre diva são mais do que merecidas para que ela seja a Rainha do Pop.
Sem dúvidas sempre vou me lembrar de cada segundo de euforia pela qual passei nesse dia, e não vou deixar de contar para os meus netos que sim, eu vi a Madonna.









quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Are you ready to go?

Alguém aqui consegue me fazer entender como é que uma contagem de mais de cem dias foi reduzida à vespera, num piscar de olhos?
Depois de onze (eu disse, onze) horas numa fila que dava curvas, voltas, piruetas, e inclusive atravessava a rua eu consegui garantir meu lugarzinho no show da cantora mais famosa do mundo. Iniciei minha contagem ansiosa para o dia 18 de dezembro de 2008. E ooooops, é AMANHÃ.
Chega a ser pecado eu admitir que estou menos empolgada que em outros dias, mas deve ser um processo normal de quase depressão pós-show.
Preciso recarregar minhas energias, preparar meus pés, pernas, cabeça, e ah, o corpo inteiro. Porque amanhã definitivamente será um dia memorável.
Contarei aos meus netos, e a quem quiser ouvir: Eu vi a Madonna.
"Tic tac, tic tac...The time is waiting"

Reunião III

Tudo bem. Eu sempre tive que ser paciente, tento que (quase) não sofro mais de angústia. Esse não chega a ser um "tudo bem" incrivelmente conformado, mas pelo menos não é um "tudo bem" iludido demais.
Ler tudo aquilo que eu já sei, não soa como repetição. É confirmação e alívio. Não me importa mais se falei mais do que deveria, ou menos, ou de um jeito errado...
Nunca precisarei ser o que não sou para chamar a atenção de quem quer que seja, e o principal: nunca precisarei ser estúpida (em vários sentidos) para conseguir o que eu quero.
Encerro minha participação nas reuniões como olheira, afinal, meus planos agora são os de aproveitar cada segundo em que meus pés tocarão a areia da praia, com a mente livre e orgulhosa de tudo o que consegui realizar e mudar em tão pouco tempo.
Os pinos no tabuleiro estão todos dispostos aos mesmos desafios, estão todos no mesmo barco - ou tabuleiro. Agora que o meu peão entrou em recesso - não na cadeia, e sim no paraíso - ficará sem jogar por algumas semanas, mas continuará sólido e otimista. Ainda há muito para jogar, e para vencer.
Veeeem 2009, veem!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Gira-gira

Por mais que permanecer por muitos minutos em cima de um gira-gira, possa me ocasionar náuseas, devo dizer que é impressionante a sensação de ver os planos de fundo mudarem a cada fração de segundo.
É assustadora a velocidade como o mundo gira incansavelmente. Se girasse mais que isso, correríamos o risco de cair apesar da gravidade.
Tudo isso só me leva a crer que sofrer antecipadamente e pronunciar a palavra "nunca", é pura burrice. Só me resta aproveitar esse clima de fim de ano, onde as pessoas perdem seu tempo fazendo promessas e resoluções para abrir meus olhos pra vida. Vida, vi-da. E viver.
E que o mundo gire mais e mais, gire loucamente, intensamente e freneticamente. Porque eu tenho SEDE de viver cada uma das voltas em círculos que ainda estão por vir.

Reunião I

Entre milhões de risadas e mais fantasia do que ações propriamente ditas, iniciou-se a primeira reunião pós filosofia "Viva Las Vegas". Não há nada que possa ter mais cara de uma madrugada de férias em plena segunda-feira.
É como entrar numa loja de departamentos, e antes de escolher os objetos de decoração, ficar papeando com as comadres sobre qual seria a melhor peça para a cor da sala de estar.
Mas talvez seja um pouco mais complicado que isso. Afinal, objetos de decoração não costumam ter temperamentos instáveis e muito menos orgulho. Mas, principalmente, compradoras de objetos de decoração não costumam serem afetadas diretamente com esse tipo de reação.
Comprar objetos de decoração e seguir à risca táticas da reunião podem ser atividades que cansam e desgastam, mas nada como ter os objetivos iniciais completos e alcançados...

Stand By Me

Não dá nem pra acreditar. Finalmente o trauma do Workbook chegou ao fim. Apesar de todo o alívio de imaginar minhas terças e quintas-feiras livres, já posso perceber que sentirei muita falta.
Depois de cinco anos sofrendo o trauma de não poder dormir após o almoço, e o de contar minuciosamente as faltas anuais, no começo será estranho. Será como ter um buraco nesses dois dias da semana.
Não que eles não possam ser preenchidos com cochilos breves, seriados, e qualquer outra atividade convencional. Preencher duas tardes livres, não será meu problema. Será difícil me acostumar com a idéia de não compartilhar as aulas com as (desde esse ano) sete melhores companhias.
Melhores na hora de compartilhar o fim de semana, as fofocas, os problemas com a escola, os doces, as bolachas recheadas, e até mesmo as poucas lições que a gente fazia. Sem contar as respostas nas provas.
Irei sentir saudades, irei levar sempre vocês comigo. Stand By me.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Talvez eu devesse seguir os conselhos da minha mãe de dormir cedo pra descansar, ou os do meu pai para dormir cedo e aproveitar o dia. Afinal, com algumas excessões especiais, ficar acordada até tarde não tem me causado boas impressões, nem criado boas idéias. A negatividade tá poderosa! Pra notar isso, basta perceber o momento onde tudo o que eu escrevo fica recheado de expressões duvidosas e contraditórias.
Só pode ser o sono, não é possível! Claro, eu reconheço que pela milésima vez eu sonho mais do que deveria - essa frase poderia virar post fixo, mas tudo saiu perfeitamente nos conformes nesses últimos dias.
Eu só não consigo entender como é que meu psicológico consegue ser tão idiota assim. Pensei que psicológicos fossem inteligentes, e quem sabe racionais. Mas eu só posso crer que o meu é puramente sentimental.
Preciso negar até a morte, preciso negar até a morte. OK, eu sabia que isso ia acontecer.
E agora, José?

sábado, 13 de dezembro de 2008

Vinyl

Eu sonho mais do que deveria, está quase cientificamente comprovado. É por isso que vivo me frustrando sozinha e pensando que nada que está por vir será tão êxtasiante como aquilo que eu havia planejado em silêncio. Mas não é à toa que me falte expectativa quando todas as anteriores já haviam sido quebradas e substituídas por discursos corriqueiros sobre anos atrás e anos a frente.
Quem sabe repitir frases positivas e frenéticas colabore para que meu sono vá embora, junto com esse pseudo-desânimo. CREEEDO! Quem é que estava reclamando ontem por sentir uma louca vontade de vestir saltos? Tsc, tsc, tsc...
Vista-se para matar, mesmo que não mate. E pare de sentir e achar que fins de semana dignos de serem recordados precisem de companhias melhores do que aquelas que você imagina.
Ouviu, B?

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Mocha

Algumas explosões vêm para o bem. E trazem certo tipo de calmaria e silêncio após toda a confusão.
Esss dias foram todos tão idênticos que às vezes me confundo quando é que cada detalhe aconteceu, fico com a impressão de que esses cinco dias poderiam ser todos um só, com algumas horas a mais de duração. Ou até quem sabe somente com vinte e quatro horas mesmo... Afinal, teria dado tempo de sobra para que as coisas importantes da semana toda acontecessem.
É extremamente insatisfeito da minha parte reclamar de "barriga cheia", mas o que é que eu posso fazer quando sempre queremos mais? Vestir roupas semi-novas, aplicar maquiagem e pentear os cabelos não está sendo o suficiente quando o que eu gostaria é de estar vestindo saltos, quem sabe pronta para matar.
Sempre fico nostálgica, desesperada, e certo ponto desanimada nessa época do ano. É como se eu tivesse que fazer tudo correndo antes que o ano acabasse, como se o fato de eu ir viajar fosse determinante para que tudo que eu deixei para trás pegasse fogo, no bom sentido.
Mas, tá tudo bem. Tomar café gelado, falar das novas táticas, encontrar munícipes e dar umas risadas é sempre revigorante e válido, mesmo quando os planos foram bem mais sonhadores, maiores e ambiciosos que isso.
O pior ou melhor disso tudo é que eu não perco as esperanças. Além de ter dois dias do fim de semana pela frente, ainda tenho um ano inteirinho me esperando voltar de viagem...

Bipolar II

Se as mudanças não condizem, se as lágrimas confirmam, se racionalidade e o sentimentalismo assinam embaixo só posso crer que devo me ser cada dia com mais intesidade.
Tudo o que prometo volta contra mim pelo simples fato: o de que tentar não me ser não passa de uma traição ao que sempre fui, e até mesmo ao que gostaria de ser.
Bem ou mal, certas coisas nunca mudam. Se assim fui até hoje, possivelmente continuarei a ser.
Dormir. É sempre o melhor remédio.

Bipolar

Aquela porção toda de certezas, afirmações, lições e confiança sempre voltam com todo o peso das verdades quando são jogadas para o alto com entusiasmo. Nem todos os dias conseguem ser otimistas e felizes durante todo o tempo.
Principalmente quando tudo parece estar errado, e essas novas resoluções "sou uma pessoa nova" só apresentam características de uma máscara mal farçada para tampar com a peneira tudo que está errado.
Minhas baterias ficam cada vez mais gastas e fracas onde, segundo dizem, elas são recarregadas depois de um dia cansativo. E as baterias estão cada vez mais viciadas em decair, quando o que me cerca são vidas em precipício. Sem apresentar muitas chances de volta.
Aliás, mal sei onde se encontram as possibilidades de melhorias. Talvez elas realmente não existam e seja uma possibilidade de otimismo puro eu acreditar nelas. Nunca soube qual seria a solução para essa chuva de meteoros, a não ser a construção de barreiras.
Barreiras em todos os sentidos que você possa imaginar. Barreiras que custam dinheiro vivo, barreiras que destroem uma casa propriamente dita, barreiras que destroem uma casa propriamente não dita, barreiras que doem, barreiras que deixam marcas, barreiras.
Acima de todas as centenas de palavras que eu (talvez) desperdicei para tentar provar a mim mesma que sou uma pessoa nova, ainda há muito da "velha eu" aqui dentro. Os principais pontos que deveriam ter mudado permanecem intactos. O sentimentalismo mais que exagerado, a facilidade em me abalar com coisas idiotas, a vulnerabilidade assustadora, a falta acentuadíssima de orgulho, a quase obsessão, a falta de desapego, o ciúme, a preocupação com o que passa na cabeça de quem me assiste, e a preocupação em me lembrar de não ser nada disso.
Continuo sendo uma idiota que não sabe, e não parece que pode se adaptar, a jogos, frases feitas... E principalmente que não pára de se auto-iludir ao sonhar demais.
Não sei se é errado sonhar demais... Talvez não seja. O problema são as pessoas, sempre erradas, que eu crio fantasias ao redor. Nunca soube escolher decentemente os personagens das histórias que eu narro para mim mesma durante todos os momentos do dia em que estou sozinha. E essa parte é inteiramente verídica, sem figuras de linguagem.
Mas não pode ser possível que eu seja a única a cair nesse tipo de trapaça do dia-a-dia. Eu sinto e sei que todos são completamente (quase) opostos do que aparantam ser. Quando não estão em casa, não precisam estar necessariamente se divertindo... Podem estar fazendo obrigações domésticas, como podem estar reclamando pro teto sobre a discussão com os pais. Não sou só eu que possuo conflitos comigo mesma, com a vida e com a sociedade.
Não sei se seria certo eu jogar tudo para o alto - ou para baixo, na tentativa de impedir o retorno impulsionado na direção da minha cabeça -, e fazer todas as vontades puras e pequenas que eu sinto. Falar o que quero, fazer o que devo, e agir como sou. Seria errado eu ser e viver desse jeito? As consequências poderiam ser tão significantes ao ponto de eu me transformar no que sempre temi?
Não sei.
Se soubesse não teria torrado, ou melhor, chorado lágrimas perdidas por motivos inteiramente banais. Confesso, boa parte delas foram destinadas a motivos não-banais. TUDO BEM, confesso. Todas elas foram destinadas a motivos completamente, irremediavelmente, incrivelmente, inteiramente não-banais. Afinal, se não o fossem estaria chorando por que?
Dormir. É sempre o melhor remédio.

Sorte de hoje: Se o destino diz que você é um perdedor, pregue uma boa peça nele.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Good People

Conhece aquela história de que os exercícios físicos proporcionam prazer? É inteiramente estranho e contraditório eu assinar em baixo, mas caminhar entre as árvores não pode me levar a outro tipo de conclusão. A dor nos pés, a sensação de formigamento nos dedos e as panturrilhas em chamas perdem força para o bem-estar que é estar entre árvores altas, com raízes grossas e folhas verdes. Trilhada por boas músicas os pensamentos voam longe, e são em grande parte felizes. Chego até a esquecer como está abafado e como o céu está cinza, afinal ainda existem raios de sol às cinco da tarde.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Branco

Pra jogar War eu recebi os pinos brancos por, segundo disseram, serem da cor da yoga. Branco me lembra mais que isso pois me lembra, inclusive, o quão paciente, detalhista e simpática eu preciso ser. Três palavras brancas.
Uma caixa com pinos e pecinhas estranhas aliados a alguns dados, agora só preciso que o tabuleiro com as cartas desafiadoras sejam postos na mesa. Porém, antes mesmo do jogo começar já possuo minha carta com o objetivo. E desta vez a missão é bem mais simples do que derrotar o exército vermelho ou conquistar o Oriente Médio em sua totalidade.
Meu empenho depende da minha manipulação dos peões, mas não é independente da sorte com os dados. E pra essa parte eu sou otimista, até porque nesse jogo todos estão prontos para as marés de azar e principalmente prontos para se divertirem.
Confesso que jogar quando não se tem vontade é sempre uma tarefa pesarosa, mas minhas tardes quentes de férias não me trazem idéias melhores para ocupá-las a não ser aprimorar minhas táticas de blefe. Não passam de frases e atos iniciantes, até porque como já citei à ventura não pretendo me arriscar em jogos profissionais. É muito mais divertido e proveitoso quando se pode jogar no anonimato tendo o mesmo desempenho ao fim do jogo.
Levar o mérito não é a grande graça. Não por princípios que dizem que "o importante é competir"... Algumas vezes, confesso, adoto esse tipo de discurso consolador. Mas, pretendo chegar ao fim de meus objetivos e atingir a última casa do tabuleiro - se ela existir -, pronta para a nova rodada onde os desafiadores não sejam sempre repetições.
Assim, poderei usar como experiência e tática (além de outros benefícios ao ego) todas as jogadas onde eu consegui provar para mim mesma que sim, dá pra ser inteligente e perspicaz.
Alguns jogos arcaicos e primitivos onde eu sou obrigada a manter meu peão firme e forte, não são os melhores passatempos. E costumam destruir todos os bons pensamentos em relação a todo outro tipo de vida do lado de fora. Já fui mais paciente e compreensiva, mas nos dias atuais qualquer ato infrator em relação às regras do jogo que você utiliza para avançar casas me derrubam. E me fazem perceber que em alguns jogos as regras são manipuladas para que sempre haja o mesmo vencedor. Mas o que me fere e abala a estabilidade do meu peão com mais intensidade, é a maneira como você descarta e rouba cartas favoráveis para eliminar jogadores.
Preciso ser o pino branco, para tentar manter o equilíbrio e o tabuleiro sob controle.

Pimenta

Gabriella diz:
menina! que que você tomou?
Gabriella diz:
alguma poção?
Gabriella diz:
UAHSUAHSUAHSUAHSU
B. You Know I'm No Good diz:
ACHO QUE SIIIIIIM *-*


Algumas situações oportunas precisam ser aproveitadas. E eu preciso aprender a fazer rendê-las.
Mas, principalmente preciso voltar ao ponto onde preciso aprender a lembrar a não me preocupar demais com algumas circunstâncias, e todo aquele tipo de contradição que o sono me impede de digitar...
Às vezes é mel ao invés de pimenta, ou pimenta ao invés de mel.

domingo, 7 de dezembro de 2008

KiwiSuper

Domingo é domingo. Até mesmo os de férias tem cara de domingo, mas o que muda é que não sinto aquele terror pela segunda-feira... E olha, já é uma mudança enorme.
Estou um tanto quanto empenhada em algumas tarefas de férias. Tudo se resume em compras de novos artigos de decoração... Mas somente olhar a vitrine tem se tornado uma tarefa massante. E aos fins de semana, ainda mais em época de natal, as lojas tornaram-se lotadas. Fica complicado querer analisar cada peça com cuidado, cada quadro com atenção enquanto milhões de pessoas transitam na sua frente.
O único inconveniente de se aventurar a fazer compras é querer comprar o que você sabe que não precisa, e principalmente, o que não presta. Quadros que custam um preço consideravalmente alto, mas que não são de procedência tão fina e confiável...
Mas, não há quem não concorde que são os mais atrativos na hora de passar pelo caixa! É chato comprar artigos sérios, e que combinam com todas as tendências da moda. Por mais que o preço compense pela durabilidade, enjoa.
Mas, as lojas não ficam abertas de domingo até tarde... Afinal, domingo é domingo.

Maçã de biscoito

Eu sabia que não era frieza, era realidade. Quanto menos contato, melhor.
Até mesmo quando tá tudo girando em baixo dos meus pés a sensação era a mesma. Talvez, principalmente. Afinal mal pude sentir falta e cheguei a me esquecer de sua presença.
A instabilidade é desconfortável e me deixa inteiramente inquieta e temperamental. Mas quando funciona, ah, funciona. Viciei em fins de semana. Agora preciso que todos sejam incríveis. Principalmente com maçã de biscoito e sorvete de banana.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Tarja Preta

Nada pior que descobrir na sexta-feira que seu fim de semana está aparentemente arruinado. Ok, tudo bem. Eu disse que havia tomado uma postura otimista, agora tenho mais é que assumi-la principalmente nas situações em que tudo indica que não será muito possível.
Preciso lembrar de não me concentrar em temer por problemas futuros. Ou melhor, talvez seria melhor não lembrar em não me concentrar em ter problemas futuros. Ou talvez para isso seja melhor eu lembrar em não lembrar de precisar lembrar de não me concentrar em temer por problemas futuros.
Uau.
Tudo consiste nos momentos em que minha cabecinha fica sem ter no que pensar. Ou melhor, em que minha cabecinha pensa demais em pensar e em resolver tudo de uma maneira precisa, quadrada e cheia de critérios. Nesse quesito ainda há muito que aprender...
O dia certamente amanhecerá radiante, eu só espero não sentir muito sono e não estar mais tão doente. Sempre fico doente nas horas erradas... Se bem que pensando assim, conclui-se que todas as horas são erradas. Afinal, me diz quando é que eu não estou doente?
Estou praticamente em crise. Estava até agora a pouco sem saber o que escrever mas num surto de confronto pessoal meus dedos começaram a conseguir acompanhar meu raciocínio. Só resta saber se são meus dedos que estão completamente treinados e habilitados a serem eficientes, ou se são meus pensamentos que estão afetados pelo sono e pelo horário já meio tardio.
Ah, preciso de um curso de datilografia, se é que eles ainda existem. Não, não é porque eu acabei de constatar que meu sono está debilitando meus pensamentos, e sim porque o não uso de alguns dedos principalmente da mão esquerda andam me irritando profundamente.
Está vendo só? Eu até tenho no que pensar. O problema é que não consigo não pensar em certas situações, e devo confessar, em certas realizações. Ahh, vai me dizer que não foram realizações?
Fui vencida pela resistência - ou seria insistência?- do meu sono. O melhor a fazer no momento é me deitar, ler um livrinho e dormir pronta pra ter sonhos bons, de preferência não aqueles que me fazem ficar pensante e quase em crise o dia todo a beira de um surto psicótico. Além de exagerada, devo citar.
Tudo bem. Minha última revelação da noite será assumir que sim, eu espero ter essa noite sonhos tão bons quanto os da noite passada. Deixe que causem surtos, crises, contradições e textos gigantescos, afinal ver aquele sorriso, aquelas mãozinhas e aquelas poucas palavras me alimentam e me fazem querer viver esse fim de semana aparentemente arruinado.